quinta-feira, 22 de junho de 2017

[Biografias Reais] Escritor João Antonio

Um marginal premiado



Ganhador de dois prêmios Jabuti ( Revelação de autor e melhor livro de contos), pouco se fala sobre João Antônio Ferreira Filho, o jornalista e escritor brasileiro conhecido apenas como João Antônio.Mesmo que seus livros tenham sido ganhadores de diversos prêmios e imediatamente reconhecidos pela crítica, o grande público acabou por nunca dar a devida atenção a esse autor e, 17 anos depois de sua morte pouca gente se lembra da importância fundamental que ele exerceu no cenário da literatura brasileira.

O próprio João Antônio, inclusive, confessou algumas vezes que não se sentia à vontade encarnando o papel de escritor notável, como se pode ver, por exemplo, em um trecho da entrevista concedida à Gazeta Esportiva, em 1965.“Honestamente, sem pose, os prêmios não estão me dizendo nada. Um sentimento de falência, certo nojo pela condição dos homens e até mesmo ternura, às vezes; quase pena”.
É que sua postura diante da vida sempre foi muito coerente com os temas presentes em seus livros: se quase todos os seus contos colocaram em destaque os personagens deixados de lado pela sociedade – marginais, malandros, operários, moradores da periferia das grandes cidades –, João Antônio também escolheu viver uma vida próxima à da marginalidade, desapegando-se das coisas ao seu redor para se dedicar integralmente à literatura.
Assim, com 15 livros publicados, dois prêmios Jabuti, além de outros prêmios importantes, ele nunca aceitou participar de cerimônias ou se vincular a grupos literários, e aceitava apenas convites de escolas e universidades, por causa de sua identificação com os professores.
Longe do protocolo, recolheu-se à vida simples de quem prefere os restaurantes populares, os bares, as mesas de sinuca – afinal, eram esses os ambientes nos quais a matéria-prima de sua escrita se revelava.
E escrever, como João Antônio sempre afirmou, não é apenas produzir livros: “É necessário que o escritor arregace as mangas e saia a campo”; “só se pode fazer arte se for com pele, vísceras, arrebentando o interior” (esses e outros depoimentos se encontram nas diversas entrevistas dadas pelo escritor a jornais e revistas).
Seu primeiro livro, Malagueta, Perus e Bacanaço, cuja última edição pela Cosac&Naify traz um prefácio bastante esclarecedor de Antonio Candido, tornou-se o mais conhecido do autor, e tem uma história interna que antecede a sua publicação.
Quando um incêndio consumiu a casa da família de João Antônio, em 1960, levando os originais da obra juntamente com todos os outros bens, o escritor não se deu por vencido e passou algum tempo reescrevendo de memória todos os contos, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade.
Foi então somente em 1963 que o livro foi publicado, e muito bem recebido pela crítica – tornou-se o primeiro livro estreante a ganhar dois prêmios Jabuti, um de revelação de autor e outro de melhor livro de contos.
Não à toa: basta começar a ler os contos que integram o livro para dar-se conta da qualidade e do caráter único do que se tem em mãos. Sua “prosa dura” é caracterizada por Antonio Candido como “reduzida às frases mínimas, rejeitando qualquer ‘elegância’ e, por isso mesmo, adequada para representar a força da vida” – é uma linguagem que nos aproxima da oralidade; um texto que parece ter brotado espontaneamente em meio às ruas e avenidas da cidade de São Paulo, mas que é fruto de um trabalho extremamente cuidadoso sobre o ritmo e a estrutura das falas.
As descrições, tanto dos personagens quanto dos cenários, nos fazem lembrar de uma cidade que sempre vemos, que conhecemos, mas que, no entanto, costumamos ignorar, levados pelos compromissos do dia a dia: os botecos sujos de esquina com suas mesas de bilhar, as quebradas escuras na madrugada, os mendigos esquecidos nas calçadas, as prostitutas e os cafetões do Largo do Anhangabaú.
É a partir de situações que colocam em cena a realidade de quem sofre para conseguir o que comer dia após dia, de personagens sem nenhuma idealização, que João Antônio desperta no leitor a descoberta de um mundo que faz parte de seu cotidiano de cidade grande, mas que ele insiste em negar ou tentar encobrir.
Dividido em três partes (“Contos Gerais”, “Caserna” e “Sinuca”), o livro tem contos longos e curtos, alguns mais pesados e outros mais leves.
O último e maior de todos, conto título do livro, Malagueta, Perus e Bacanaço, foi reconhecido por Candido como um dos mais altos da literatura contemporânea, “pela força da escrita, o peso humano e a coragem de mostrar as entranhas da cidade”, e originou o filme de 1976 O Jogo da Vida, dirigido por Maurice Capovilla e incluindo Lima Duarte no elenco.
Com uma linguagem ao mesmo tempo simples e sofisticada, João Antônio consegue usar gírias e palavrões em construções gramaticais complexas; seu olhar preciso revela o avesso daquilo que a televisão costuma mostrar, e nos coloca junto do que procuramos evitar.
No texto de apresentação 
a Malagueta, Perus 
e Bacanaço, João Antônio 
diz que “qualquer boteco é lugar para escrever quando se carrega 
a gana de transmitir”. Discuta com os alunos a importância dessa frase para o tipo de literatura feita pelo autor, considerando o trabalho 
de dessacralização da linguagem 
e dos personagens.
É bom lembrar que isso não significa banalização da escrita, já que é a partir 
de cenários como os botecos 
que o autor desenvolve textos visivelmente trabalhados, 
com ritmo particular 
e forte carga poética.


Mariane Helena
Fonte: Site Carta Educação
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

[4ª Poética] Mistério na roça - Atex C. Azevedo


  Existe um som que amedronta
  No caminho escuro da roça,  
  È um som que o mais forte não afronta,
  Que assovia por riba da choça. 

  Ecoa agil na ribanceira,
  Adentra o canavial silencioso. 
  No taboal parece fazer brincadeira,
  Sobre os ninhos passa malicioso.

 No tronco oco muda de som,
 Mais adiante revolve a palha,
 Esse é o misterioso som
 Da lágrima que o vento espalha.


 ATEX C. AZEVEDO
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

[Biografias Reais] Luiz Gama

A poesia libertária de Luiz Gama



"[...]Eu bem sei que sou qual grilo
De maçante e mau estilo;
E que os homens poderosos
Desta arenga receosos
Hão de chamar-me — tarelo,
Bode, negro, Mongibelo;
Porém eu que não me abalo,
Vou tangendo o meu badalo
Com repique impertinente,
Pondo a trote muita gente.
Se negro sou, ou sou bode."

LUIZ GAMA


Luiz Gama o primeiro grande líder negro! Um dos poucos escritores que não foram "esbranquiçados" pela a literatura e a história ao longo dos tempos. 
Não estava só "na cara" dele, na cor da pele, ou o crespo do cabelos. Mas sim estava na visão de mundo, na postura de vida e nas suas idealizações, sua raça negra! Antes de ser qualquer coisa Gama foi abolicionista.

Baiano, Jornalista, Escritor e advogado  (Mesmo sem ter a formação  em direito) Luiz Gama nasceu em 1830, filho de um português e Luiza Mahin, negra livre que integrou insurreições de escravos. Ele foi para o Rio de Janeiro aos 10 anos depois de ser vendido pelo pai para pagar uma dívida. Após conseguir a libertação, sete anos depois, tornou-se um dos maiores líderes abolicionistas. Em 1869, ao lado de Rui Barbosa, fundou o jornal Radical Paulistano.

Em 1850, Gama tentou frequentar o curso de Direito do Largo do São Francisco, hoje, Universidade de São Paulo (USP), mas foi impedido por ser negro. Ele frequentou ás aulas como ouvinte e o conhecimento adquirido permitiu que atuasse na defesa jurídica de negros escravos. Ele destacou-se também como jornalista e escritor.

Embora não fosse advogado, Luiz Gama era um grande defensor da abolição e sua atuação como rábula livrou inúmeras pessoas dos grilhões escravistas. Diz a história que foram mais de 500 escravos libertos por intermédio de Luiz da Gama. Atualmente a OAB homenageou esse escritor e reconheceu seus méritos como jurista. Por tanto anos após sua morte, ainda é lembrado e honrado por seu legado.

Como escritor, A poesia de Luiz Gama se destaca por ir de contra o lirismo abordado na época em que viveu e principalmente pela forma ao qual o poeta de maneira satírica transplantava qualificativamente seu ideal a favor da cultura negra e da defesa desta identidade. Em 1859, quando trabalhava na Secretária de Policia, publicou  pela tipografia Dois de Dezembro, de São Paulo, suas sátiras com o pseudônimo de Getulino. Seu livro, Primeira trovas burlescas, foi publicado em 1859, livro este que possui por assim dizer, um dos seus mais conhecidos poemas denominado “Quem sou eu?” popularmente  chamado de “Bodarrada”, nome este que vem da palavra “bode” que na gíria da época significava mulato, negro.  

A poética de Luiz Gama transcorre por duas vias que o destacam como o verdadeiro poeta dos escravos, a primeira se refere pela aceitação de sua identidade étnica, demonstrando a importância e beleza de ser negro. A segunda é a conscientização através dos versos contra o preconceito tanto dos que sofrem a ação e também dos que a praticam. Sua poesia não revela uma condição passiva, humilhada ou desgraçada, mas declara e informa de uma maneira equalizada, buscando não apenas deleites poéticos, mas atitudes que levassem ao leitor a ação diante do que lhe foi abordado. Lutando inteligentemente contra um contexto histórico que marginalizava o negro e sua cultura, o poeta, jornalista e advogado Luiz Gama foi através dos seus versos e da sua luta um real representante da literatura negra no Brasil, exaltador de sua etnia, que ao contrário de muitos, que escondiam a origem negra, ele corajosamente a engrandecia com grande eloqüência e personalidade.


Mariane Helena
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[Faroeste News] Fernanda Salgueiro lança seu 4º livro "Dicionário Ilustrado dos Sentimentos"


Aconteceu no último sábado (10/06), na Biblioteca Pública do Paraná (BPP), o lançamento do 4º livro infantil de Fernanda Salgueiro e a nossa diretora Juliana Santos esteve por lá prestigiando o evento.

Confira::
 Público que prestigiou o evento na Biblioteca Pública do Paraná. Crédito:  Lucas Amorim.


 Intitulado “Dicionário Ilustrado de Sentimentos”, a obra foi ilustrada pelo artista plástico André Mendes e é resultado de conversas da autora com crianças de todo o Brasil. A escritora recebeu mais de 200 pessoas na ocasião e autografou mais de 300 exemplares do livro. Cerca de metade dos presentes eram fãs pequeninos, entre eles um grupo de escoteiros e crianças do CEI Ulisses Falcão Vieira e da Escola Romanni que participaram do projeto. Elas tiveram a chance de receber o livro prontinho. Satisfeita com a trajetória agora completa da proposta, Fernanda conta “com o Dicionário nas mãos, elas buscavam encontrar a frase ou o desenho que inspiraram e, dessa forma, puderam entender e participar do processo completo do livro, desde a criação até o seu lançamento”.



A escritora Fernanda Salgueiro e o ilustrador André Mendes. Crédito: Lucas Amorim.

Crianças com o livro pronto em mãos

Ao todo, 39 sentimentos foram explicados no Dicionário sob o ponto de vista infantil, revelando percepções e sensações pelo viés simples e certeiro dos pequenos. Adjetivos, substantivos, verbos e até interjeições foram usados para falar de emoções, bem como novas palavras (por exemplo, ‘bugado’ e ‘zoado’) e novas interpretações para sentimentos usuais. Palavras que significassem sentimentos e que começassem com as letras J, Q e até X foram garimpadas e também estão na obra.


O Dicionário Ilustrado de Sentimentos é um projeto de incentivo à leitura, viabilizado pela Lei Rouanet, que envolveu as crianças no processo de concepção do livro. Também é uma ferramenta para democratizar o acesso e a leitura para mais crianças. Sendo assim, a obra não será vendida e sim doada às crianças e instituições, a partir de agora. Na agenda pós lançamento, Fernanda Salgueiro irá realizar oficinas na BPP, no Hospital Pequeno Príncipe, em escolas da cidade e em uma feira de livro em Araucária, no mês de agosto. Em todas essas ocasiões o livro será distribuído, assim como foi no seu lançamento. Os interessados em receber um exemplar podem acompanhar a agenda de oficinas na fanpage do livro no Facebook, onde ela será compartilhada em breve. O projeto é patrocinado pelas empresas Multilit, Nórdica Veículos e Michael Page.


Escritora Fernanda Salgueiro e diretora do blog posam para a foto. Crédito: Lucas Amorim. 

Atenciosa a escritora conversou com a nossa diretora e nos presenteou com 3 exemplares autografádos de seu livro para projetos futuros do blog.


Conheça mais do trabalho de Fernanda Salgueiro em: https://www.facebook.com/dicionariosentimentos
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quarta-feira, 14 de junho de 2017

[4ª Poética] Acorrentada - Jeovânia P.



Sentada na cadeira da ilusão
De quando em quando
Mastigando com os pés
Os dias

Lá vai ela acorrentada

Segue olhando pro chão
Pedindo desculpas
Por incomodar passando ali
Em qualquer lugar

Lá vai ela acorrentada

Nem saber os laços que lhe amarram sabe
Nem as grades que lhe cercam
Nem a escravidão em que vive

Lá vai ela acorrentada

Imune a dor da consciência
Imune a certeza de si
Protegida da realidade
Envolta a tudo que lhe definem como sendo certo
Bom
Verdadeiro
Embriagada de opiniões alheias

Lá vai ela acorrentada

Se soubesse
Se visse
Se descobrisse
Se
Ah, se!
Se um dia acordasse
Se libertaria

Mas enquanto não acorda
Lá vai ela acorrentada




JEOVÂNIA P.
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sexta-feira, 9 de junho de 2017

[Faroeste News] 1º Concurso Literário LuvBook



Premiação:
4 Autores dentre os que mais se destacarem, terão seus Contos lançados pela Ler Editorial, em uma Coletânea.

Para participar, você precisa:
- Escrever um Conto Contemporâneo Inédito, cujo tema seja "Amizade", na categoria "New Adult" (personagens com idade de 18 a 25 anos), não pode ser erótico (hot), com um mínimo de 50.000 e máximo de 90.000 caracteres (sem espaço), aprox. 25 a 45 páginas no Word.
- Ser brasileiro, com mínimo de 18 anos.
Curtir no facebook as páginas do Luvbook Brasil e da Ler Editorial.
- Luvbook Brasil: www.facebook.com/LuvBookBr/
- Ler Editorial: www.facebook.com/lereditorial/
- Compartilhar o post e marcar pelo menos 5 pessoas nos comentários.

Todas as regras estão explicadas no http://www.luvbook.com.br/concurso/

Prazo: 
De 01 de Junho de 2017 até 20 de Setembro de 2017.
Cadastre-se em www.luvbook.com.br (navegue por celular, tablet ou pc) coloque seus textos na plataforma sob a TAG #1ºConcursoLuvBook, divulgue seu perfil e convide seus amigos para segui-lo porque as views, votos e comentários serão primordiais para destacá-lo nessa competição.

Não perca essa oportunidade, cadastre-se já no site da LuvBook e participe!
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quinta-feira, 8 de junho de 2017

[Biografias Reais] Graciliano Ramos

Literalmente político


“É fácil se livrar das responsabilidades. 
Difícil é escapar das consequências por ter se livrado delas.” 
Graciliano Ramos

Graciliano Ramos (1892-1953) Comunista, Político Engajado, Mas acima de tudo, poeta, romancista, cronista, contista, jornalista e memorialista. Foi o escritor brasileiro do romance "Vidas Secas". Essa foi sua obra de maior destaque. É considerado o melhor ficcionista do modernismo e o prosador mais importante da segunda fase do Modernismo. 

Suas obras embora tratem de problemas sociais do Nordeste brasileiro, apresentam uma visão crítica das relações humanas, que as tornam de interesse universal. Seus livros foram traduzidos para vários países. Seus trabalhos "Vidas Secas", "São Bernardo" e "Memórias do Cárcere", foram levados para o cinema. Recebeu o Prêmio da Fundação William Faulkner, dos Estados Unidos, pela obra "Vidas Secas".

Graciliano era comunista, chegou a ser prefeito da cidade Palmeira dos índios, porém renuncia pouco tempo depois.  Em 1932, na mesma cidade ele abre uma escola e escreve seu romance "São Bernardo". Alguns anos depois em 1936 é demito e preso por motivos políticos. após sair da prisão no Rio de Janeiro, filia-se ao Partido Comunista Brasileiro. Além de viajar para muitos países socialistas na época.

Em sua vida pessoal sua trajetória foi assim: Nasceu no dia 27 de outubro de 1892, na cidade de Quebrangulo, sertão de Alagoas, filho primogênito dos dezesseis que teriam seus pais, Sebastião Ramos de Oliveira e Maria Amélia Ferro Ramos. Viveu sua infância nas cidades de Viçosa, Palmeira dos Índios (AL) e Buíque (PE), sob o regime das secas e das suas que lhe eram aplicadas por seu pai, o que o fez alimentar, desde cedo, a idéia de que todas as relações humanas são regidas pela violência. Em seu livro autobiográfico "Infância", assim se referia a seus pais: "Um homem sério, de testa larga (...), dentes fortes, queixo rijo, fala tremenda; uma senhora enfezada, agressiva, ranzinza (...), olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura". 

Em 1894, a família muda-se para Buíque (PE), onde o escritor tem contacto com as primeiras letras.

Em 1904, retornam ao Estado de Alagoas, indo morara em Viçosa. Lá, Graciliano cria um jornalzinho dedicado às crianças, o "Dilúculo". Posteriormente, redige o jornal "Echo Viçosense", que tinha entre seus redatores seu mentor intelectual, Mário Venâncio.

Em 1905 vai para Maceió, onde freqüenta, por pouco tempo, o Colégio Quinze de Março, dirigido pelo professor Agnelo Marques Barbosa. 

Com o suicídio de Mário Venâncio, em fevereiro de 1906, o "Echo" deixa de circular. Graciliano publica na revista carioca "O Malho" sonetos sob o pseudônimo de Feliciano de Olivença.

Em 1914, embarca para o Rio de Janeiro (RJ) no vapor Itassuoê. Nesse ano e parte do ano seguinte, trabalha como revisor de provas tipográficas nos jornais cariocas "Correio da Manhã", "A Tarde" e "O Século". Colaborando com o "Jornal de Alagoas" e com o fluminense "Paraíba do Sul", sob as iniciais R.O. (Ramos de Oliveira). Volta a Palmeira dos Índios, em meados de 1915, onde trabalha como jornalista e comerciante. Casa-se com Maria Augusta Ramos.

Sua esposa falece em 1920, deixando quatro filhos menores.

Em abril de 1952, viaja em companhia de sua segunda esposa, Heloísa Medeiros Ramos, à Tcheco-Eslováquia e Rússia (países socialistas), onde teve alguns de seus romances traduzidos. Visita, também, a França e Portugal. Ao retornar, em 16 de junho, já enfermo, decide ir a Buenos Aires, Argentina, onde se submete a tratamento de pulmão, em setembro daquele ano. É operado, mas os médicos não lhe dão muito tempo de vida. A passagem de seus sessenta anos é lembrada em sessão solene no salão nobre da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em sessão presidida por Peregrino Júnior, da Academia Brasileira de Letras. Sobre sua obra e sua personalidade falaram Jorge Amado, Peregrino Júnior, Miécio Tati, Heraldo Bruno, José Lins do Rego e outros. Em seu nome, falou sua filha Clara Ramos.

No janeiro ano seguinte, 1953, é internado na Casa de Saúde e Maternidade S. Vitor, onde vem a falecer, vitimado pelo câncer, no dia 20 de março, às 5:35 horas de uma sexta-feira. É publicado o livro "Memórias do cárcere", que Graciliano não chegou a concluir, tendo ficado sem o capítulo final.



Mariane Helena


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quarta-feira, 7 de junho de 2017

[4ª Poética] O Legado - Diego Sant'Anna


Longe, eu estava do futuro que eu sonhava.
Em caminhos difíceis de caminhar.
Onde o vento soprava, eu me apoiava.
Na estrada onde ninguém queria cruzar..
Agora meu caminho se tornou uma saga
Raios de esperança preencheram o lugar onde só existia escuridão.
Dentro de ti descobri uma luz que nunca se apaga.
Onde eu permanecerei dentro do seu coração.
E as perguntas encontraram suas respostas.
Um milagre nasceu dentro de mim.
Todo este tempo estive esperando sem saber.
Eu estava destinado a te completar.
Ah se você soubesse...
Mesmo antes de te conhecer
O meu caminho sempre foi te amar.

Diego Sant'Anna

(Dedicado a Leon Savoia)

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terça-feira, 6 de junho de 2017

[Faroeste News] Livro de poesias do escritor Diego Sant’Anna terá tradução para o inglês e será publicado nos EUA e Europa



A Chave Para O Infinito”, obra publicada em 2015 pela Editora Clube de Autores, ganhará as prateleiras internacionais após o sucesso de MORTALITAS: Uma História De Amor E De Morte publicado pela mesma editora.
Em solo nacional, seu segundo livro de poesias: Exórdios: A Origem Do Silêncio será publicado ainda este ano e promete emocionar e levar a poesia ao coração de seus leitores.
A Saga MORTALITAS continua?
Continua sim, “O Segredo De Ophelie”, segundo livro da saga será publicado em meados de 2019 junto com o longa metragem realizado por uma produtora inglesa.
Em breve mais detalhes dessa “superprodução” com exclusividade aqui no nosso blog.
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segunda-feira, 5 de junho de 2017

[Resposta 42] Chaves é o reflexo do que pensamos e como vivemos - Bruno Leal


   Série mais do que manjada que todo mundo gosta; não importa a cultura, classe social nem modo de vida, Chaves foi talvez a criação de comédia mais genial da história da televisão mundial. Não há quem não assistiu, não se identifica ou não goste (sério, se você não gosta,
recomendo que procure um terapeuta, porque seu mau-humor deve estar tenso).

Alguns motivos pelos quais gostamos de Chaves:
- falar o que pensa;
- estar a todo momento lutando por uma vida melhor (muito do reflexo mexicano e brasileiro, principalmente; retratado na imagem do Senhor Madruga);
- piadinhas preconceituosas (quem nunca?)
- brigas e acolhimentos entre pessoas que se conhecem, mas que geralmente não se suportam.

Mas eu gostaria de falar sobre o último motivo que citei sobre porque nos identificamos tanto assistindo Chaves.
-  Dona Florinda, mulher que se declara da "alta sociedade" detesta todos os moradores da vila. Seu bode expiatório: Seu Madruga, quem ela julga a mais pura forma da "gentalha".
- Seu Madruga: tem falta de sorte, mas também falta de disposição. "não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar". Seus dois bodes expiatórios: Senhor Barriga (que lhe paga as "má sortes" da vida) e Chaves, (pagando sua revolta ao ser novamente humilhado pela Dona 
Florinda).
- Chiquinha: filha do Seu Madruga, especialista da malandragem. Seus bodes expiatórios: Todos que ela puder atazanar.
- kiko: filho mimado da Dona Florinda que não divide as coisas com os amiguinhos e se aproveita da pobreza da maioria dos moradores. Bode Expiatório: Chaves, o garoto mais pobre da vila.
- Chaves: garoto sem família, sem casa e sem comida. Faz de tudo para sobreviver e ainda tirar sarro dos amigos. Seus bodes expiatórios:
Todos os personagens, mas por um motivo diferente da Chiquinha malandra: ele é o mais oprimido, então devolve a mesma punição a todos que o cercam.

Ele só sonha com um dia poder comer tudo e brincar com a bola do Kiko. "Mas Bruno, por que falou de personagens que já conhecemos? Desnecessário!" calma, agora vocês vão entender. Reparem nos "bodes expiatórios": Ali ninguém escapa. Talvez você diga "a Chiquinha"? Não. Lembra que eu disse que Chaves ataca todos e que Kiko não divide com
os amiguinhos? Essa é a forma de ela ser oprimida. Reparem que na série eles só se juntam quando estão em ocasiões especiais ou vão tramar algo contra um terceiro personagem. Exemplo: Chaves e Kiko VS.Chiquinha ou Chiquinha e Chaves VS.Kiko. Ali, todos buscam uma vida melhor, mas pisam uns nos outros, e a vila e suas vidas continuam as mesmas por dois motivos: Não são ajudados e não se ajudam.
    
Agora, preste atenção no dia a dia: Quantas vezes você não teve vontade de "pisar" em alguém só um pouquinho? Quantas vezes ficou com vontade de fazer aquela piadinha de mau gosto (eu sei que você gosta, não adianta fugir!)? Mas no fim do ano está chamando aquele seu colega insuportável e o seu tio mais sem graça e irritante da família para comemorar natal e ano novo e comer aquela carne assada... Ou mesmo entre amigos: Quantas vezes vocês brigaram em relação ao período em que estavam "de boa"? Pois é... Chaves reflete tudo isso.

 Procuramos pessoas sempre que precisamos de ajuda e companhia e procuramos pessoas sempre que precisamos agredir alguém para se sentir melhor, fazer aquela malandragem esperta do brasileiro e pisar de leve em alguém. Nós só negamos isso e empurramos pra debaixo do tapete, fingindo nosso caráter enquanto na verdade em nossa mente estamos pensando outra coisa. Você diz: "oi, tudo bem?" mas na verdade quer dizer: "me deixe em paz, eu não te suporto, eu estou triste e você não vai me ajudar em nada com esse sorrisinho sem graça". Mas lembre-se: Em algum momento da sua vida, seja qual for, você vai amar essas mesmas pessoas. E amar de maneira sincera.

Para ilustrar, separei dois episódios excelentes:

O "Limpando O Pátio", que o conflito de todos contra todos está evidente durante todo o episódio;
e o "O Ano Novo do Chaves", mostrando a mais improváveis das uniões. Um abraços, fiquem bem. Até a próxima.




Bruno Leal
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domingo, 4 de junho de 2017

[Súmula de Domingo] Que Deus nos salve!!!! - Ana Cristina da Costa

É isso mesmo? Esperaremos por Deus? Esperaremos que ele desça novamente das nuvens e nos fulmine como moscas em festa alheia?
Em nome de Deus, por ele e com ele, se dizem os assassinos, vão escrevendo mais um capítulo da história que não acabou.
É porque a festa certamente não é nossa, somos intrusos em nossa própria casa/mundo ou nunca a tivemos como tal.
Desde os remotos tempos que o Homem, este ser superior, usa o nome da invisibilidade, o nome de uma força superior, a cósmica inexplicável e talvez nunca sabedora e entendida, para justificar suas falhas e malfadadas investidas contra o outro. Tudo isso em prol de um comando, um posto que dure talvez poucos dias ou horas ou nem mesmo ele sobreviva para levantar a taça da intemperável animalidade.

Movidos pelo ódio, pela ganância e a cega ambição de serem os melhores e intitularem-se os Certos, é que saem por aí promovendo assassinatos em massa e cada vez mais cinematográficos, pois são eles para que todos vejam.
A olhos vistos, sem pavor nem tremor nas mãos, apenas a determinação de entrar para história e alcançar o reino encantado de Deus é que os atores da tragédia, vão consumindo as vidas.
Eles usam bombas em si mesmos, explodem as pessoas e os lugares, porque mediante este ato heroico, ele terá o seu lugar marcado e comprado, ao lado de Deus. É o ápice do individualismo. Acreditam que Deus o todo bondade, os acolherá após o aniquilamento.
Ele é bom, Deus é bom, e por sê-lo, creio eu, nos dá a liberdade de ação o tão famoso livre arbítrio, mas nos dá a consciência para que ela seja o juiz, ele falhando, temos o povo que fará a interpretação que mais lhe convier. Somos humanos e ao mesmo tempo em que almejamos o bem-estar, também desejamos a morte de outros pelo simples fato de termos sido contrariados.
As batalhas permanecem e elas são pelos mesmos motivos de outrora, que o centro do umbigo seja ele o marco, o ponto forte, o melhor e o certo, porque tudo que estiver fora dele será exterminado e ou escravizado.
Continuamos animais, só não nos definimos em nenhuma espécie, pois todos os outros são organizados, obedientes aos seus chefes e matam pela necessidade de saciar a fome, também fazemos isso, somos também predadores, matamos, vacas, bois e uma infinidades de outros seres vivos para nos alimentarmos e neste quesito não nos diferenciamos, mas o que foge à regra é a ação desordenada de alguns para saírem matando os afins na intenção de saciar outras faltas, já que nos intitulados RACIONAIS. Não nos demos conta disso, precisamos nos domesticar, mudar os hábitos que não nos cabem mais para que possamos sobreviver num planeta melhor.
Sejamos, pois um pouco São, para que a humanidade conquiste o seu posto de animal superior.
Ana Cristina da Costa
Imagem extraída do Google.
Indicação de filmes sobre Deus.

https://www.youtube.com/watch?v=2dqZ-tRFHBw
https://www.youtube.com/watch?v=p1J8aI9UAvY
https://www.youtube.com/watch?v=qv9QPWS5nfk









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quinta-feira, 1 de junho de 2017

[Biografias Reais] Jorge Amado

Muito amado!


                                                                                                                                                                                                                                       Não sou religioso (...) mas tenho assistido a muita mágica, sou supersticioso e acredito em milagres, 
a vida é feita de acontecimentos comuns e de milagres.
                                                                                                                                                                 ( Jorge Amado)                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                      Jorge Leal Amado de Faria  foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Integrou os quadros da intelectualidade comunista brasileira desde o final da primeira metade do século XX - ideologia presente em várias obras, como a retratação dos moradores do trapiche baiano em Capitães da Areia, de 1937.

           Jorge é o autor mais adaptado do cinema, do teatro e da televisão. Verdadeiros sucessos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, Tenda dos Milagres, Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Tereza Batista Cansada de Guerra, foram criações suas. A obra literária de Jorge Amado – 49 livros, ao todo – também já foi tema de escolas de samba por todo o País. Seus livros foram traduzidos em 80 países, em 49 idiomas, bem como em braille e em fitas gravadas para cegos.                   

             Recebeu os prêmios Jabuti e Machado de Assis. Seus livros foram traduzidos para quase todas as línguas. Foi Membro da Academia Brasileira de Letra, ocupando a cadeira de nº 23. Iniciou sua carreira de escritor com obras de cunho regionalista e de denúncia social. Passou por várias fases até chegar na fase voltada para crônica de costumes. Politicamente comprometido com ideias socialistas foi preso duas vezes, uma em 1936 e outra em 1937. Exilado, viveu em Buenos Aires, França, Praga e em vários outros países com democracias populares. Voltou para o Brasil em 1952.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                           Jorge Amado afastou-se, em 1955, da militância política, sem, no entanto, deixar os quadros do Partido Comunista. Dedicou-se, a partir de então, inteiramente à literatura. Foi eleito, em 6 de abril de 1961, para a cadeira de número 23, da Academia Brasileira de Letras, que tem por patrono José de Alencar e por primeiro ocupante Machado de Assis.

                    A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba em várias partes do Brasil. Seus livros foram traduzidos para 49 idiomas, existindo também exemplares em braile e em formato de audiolivro.

               Jorge Amado morreu em Salvador, no dia 6 de agosto de 2001. Foi cremado conforme seu desejo, e suas cinzas foram enterradas no jardim de sua residência na Rua Alagoinhas, no dia em que completaria 89 anos.                                                                                                                                                                                                                     



                                                                                                                                                                 Mariane Helena                                                                                                                                                                                                                               
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quarta-feira, 31 de maio de 2017

[4ª Poética] Mulher vaidosa - Fundação Casa


Mulher vaidosa 
dos pés a cabeça
Linda como a lua 
Rainha ,princesa 
Menina mulher 
que me causa adrenalina
Nas noites ela me anima
Levantando minha auto estima 
Mulher que alcança meu coração com uma lança
Aumentando minhas esperanças 
Me fazendo  voltar a ser criança


PSEUDÔNIMO: E.L






POETA SÓCIO-EDUCANDO: Agora, na quarta poética também teremos uma vertente social. Serão aqui apresentadas poesias de adolescentes internos na FUNDAÇÃO CASA de Lorena-SP. Como o adolescente esta em medida sócio educativa temos que preservar o direito de imagem dele devido a tutela estar com Estado, não podendo ser revelada a autoria(Espero que compreendam). 


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sábado, 27 de maio de 2017

[Orações A Saturno] Meu Nome Vilma - Edhson J. Brandão


Meu Nome Vilma

Edhson J. Brandão

eu lhe faria um doce agrado se aqui me estivesse mas de poeira que hoje sou e de lembrança que em você, estou, restam-se então as delícias do meu tempo que já foi. carregue então as flores em aventais para que eu me sinta próxima a você e depois deposite-as no mais calmo abraço e veja que as mãos, hoje suas, estão quentes como outrora. eu me tinha, perdão, não sabia. mas deixo, precioso o meu colo entre os meios de cada dia.

 *

Quem sabe dos mundos, reza. Pedaço de vela afoita acendida próxima aos pés de santa. Aparecida. De fé é feita a fuga para um sofrimento que não se nega. Tênue. Ele se dissipa entre as veias e cada músculo grita um murmúrio apagado porque corpo é denúncia. Vê então que mesmo a procissão postergada até os pés de Maria foi remédio pouco para o ataque que lhe depreciara.
É mulher na cama. Quarenta e dois. Cabelos crespos no corte curto da moda em fim de anos noventa. Vida muita, vida pouca. Logo mais se acaba aquilo que tanto se deseja. Ninguém deseja morrer para ver o que se têm. Como se sofre? Tosses, dores, café e manjericão. Os santos não fogem porque estão presos nas armaduras de gesso. Rezam as crianças noutro quarto, ajoelhadas e crentes, com o terço na mão. O livrinho verde conduz o culto. Eles querem, precisam, clamam. Não sabem se pedem o que pedem. Cura e libertação custam caro e muitas das vezes não surgem como desejamos. Então venha. Clamam às rainhas. Nossa Senhora das Dores. Rogam. Um benzimento infante. Qual poder tem as crianças diante dos espíritos santos? Passam boleta por boleta. Santíssimo rosário em contas de plástico. Lembrança de Aparecida. Elas rezam.
Os adultos na cozinha enquanto a enferma dorme ensaiam o luto adiado, logo mais terão compromisso. Olheiras, pires, bijuterias, moletom e meia-calça. Não há roupa certa para a ocasião. Uma delas chora escondida. Chora internamente. As lágrimas surgem por detrás do globo ocular e queimam os vasos sanguíneos até as narinas, passando pelas papilas para soar o salgado gosto da derrota e tomam as tranqueias para expelirem-se em gás pelos pulmões.
Então a gente se reveza, amanhã venho depois das três porque termino as coisas até meio-dia, deixo o almoço pra janta pronta, passo no banco e venho. Você precisa descansar, Gordo.
Tudo bem. Eu não vou negar, Mima. Eu realmente preciso descansar mas aguento o tranco até amanhã. Uma tarde de sono em casa, lugar que não volto há quinze dias, e depois pego umas roupas limpas e volto aqui. Então fico pronto pra mais uns dias. Muito obrigado, vocês tem ajudado muito.
Que isso, a gente é família. Estamos pra se ajudar. Deixa eu lavar essa louça.
Cadê os meninos?
No quarto, rezando.

Que bonitinhos, Gordo pensou. As crianças possuem a capacidade única de se envolver nas situações mais difíceis e não se deixarem derrubar pelas fomes dessa vida. Ele, a Mima, Clóvis e Marta mal conseguem o tempo para a igreja. A reza é na cabeça o tempo todo, mas praticar o que precisa... nada disso vem.[...]

*  *

Orações A Saturno é o templo da linguagem pragmática sem a moral do mundo que o perturba. É um alento. Algo que eclode. Não sei. Um out de si no tempo da palavra. É sábado, todo sábado. São rezas para deus-palavra. E isso é tudo apenas quando há - nada. 
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quinta-feira, 25 de maio de 2017

[Biografias Reais] Escritor Rubem Fonseca

         RUBEM FONSECA: VIOLENTO, ERÓTICO E, SOBRETUDO, SOLITÁRIO


José Rubem Fonseca (Juiz de Fora, 11 de maio de 1925) é um contista, romancista, ensaísta e roteirista brasileiro. Considerado um dos maiores ficcionistas em atividade no Brasil. Ganhou vários prêmios, entre eles a Coruja de Ouro, o Kikito do Festival de Gramado, o Prêmio Jabuti e o Prêmio Camões. Ele precisou publicar dois ou três livros para ser consagrado como um dos mais originais prosadores brasileiros contemporâneos. Com suas narrativas velozes e sofisticadamente cosmopolitas, cheias de violência, erotismo, irreverência e construídas em estilo contido, reinventou entre nós uma literatura noir (refere-se ao gênero policial, com bastante suspense e mistério), ao mesmo tempo clássica e pop, brutalista e sutil.

Rubem Fonseca inaugurou uma nova corrente na literatura brasileira contemporânea que ficou conhecida, em 1975 através de Alfredo Bosi, como brutalista. Em seus contos e romances utiliza-se de uma maneira de narrar na qual destacam-se personagens que são ao mesmo tempo narradores. Várias das suas histórias (em especial, os romances) são apresentadas sob a estrutura de uma narrativa policial com fortes elementos de oralidade. O fato de ter atuado como advogado, aprendido medicina legal, bem como ter sido comissário de polícia, nos anos 50 no subúrbio do Rio de Janeiro teria contribuído para o escritor compor histórias do submundo dentro dessa linguagem direta. Muito provavelmente devido a isso, vários dos personagens principais em sua obra são (ou foram) delegados, inspetores, detetives particulares, advogados criminalistas, ou, ainda, escritores.


É formado em Direito, tendo exercido várias atividades antes de dedicar-se inteiramente à literatura. Ele Estudou Direito na Universidade do Brasil, hoje Universidade do Rio de Janeiro. Entrou para a polícia como comissário do Distrito Policial de São Cristóvão. Trabalhou pouco tempo nas ruas. Era um policial de gabinete, cuidava dos serviços de relações públicas da corporação.

Em 1953, foi escolhido para se aperfeiçoar nos Estados Unidos. Durante esse período fez mestrado em Administração na New York University. Regressou ao Brasil em 1954. Argumentista e roteirista de filmes, exerceu essas atividades paralelamente ao trabalho na Light do Rio de Janeiro. Em 1958 foi exonerado da polícia e se dedicou integralmente à literatura.

Rubem Fonseca marcou a literatura nacional com suas narrativas que retratam a vida na metrópole. Com uma brutalidade ao contar as situações de violência, o autor coloca os temas policiais no foco das suas histórias, sem receio ao falar de criminosos, prostitutas ou outros sujeitos que vivem à margem da sociedade tradicional.

Como trabalhou na política, o escritor acrescenta características muito realistas às obras. Utilizando, inclusive, situações pessoais e dos colegas para compôr os romances. Com isso, a oralidade é bem presente nos textos de Rubem Fonseca.

Esse ano o escritor completa 92 anos!



Mariane Helena.

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quarta-feira, 24 de maio de 2017

[4ª Poética] Falta um! - Mariane Helena


FALTA UM!

Um pedaço,
Um gesto,
Um pedido,
Um abraço.

Um carinho,
Um laço,
Um cartão,
Um beijinho.

Um afeto,
Um desejo,
Um coração,
Um aperto.

Um só...
Um único...
Um amor...
E assim... resta um!

MARIANE HELENA
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domingo, 21 de maio de 2017

[Súmula de Domingo] O Nosso Mundo!!! – Ana Cristina da Costa

 
Sobre o que falaremos?
- Sobre nós!
Sobre como estão as coisas em nosso país?
- Só há uma resposta plausível, há uma desordem, um caos.
Há uma desconfiança, uma incerteza e ou uma insegurança em vários segmentos.
Somos conectados com o mundo e ao mesmo tempo tão fora dele.

Certo que, a passos lentos, esbarrando em impostos altíssimos e exigências descabidas, os projetos persistem, nos proporcionando tecnologia de ponta, mas tem alguma coisa fora do lugar, é como atirar pérolas aos porcos.

Temos Iphones de última geração passeando em estradas sem asfaltamento, em ruas empinhadas de carros, pois não existem alargamentos, eles passeiam em avenidas sem calçadas e rampas de acessibilidade, eles entram em hospitais cujos médicos se recusam a exercer o próprio ofício, pois não há material básico de uso diário, não há luvas, não há medicamentos, não há quartos suficientes, não há respeito para como o profissional nem ao menos com a população que comprou o seu aparelho caríssimo, mérito do seu suor no trabalho.

Temos Uber um aplicativo, uma nova maneira de locomoção mais rápida para viagens curtas, os carros são novos, nos comunicamos através do satélite, ele é o nosso condutor, é uma relação muda, limpa, clara e econômica, mas os carros passeiam em ruas...... como já disse anteriormente, há uma desproporção.

Há uma desordem.

Falei dia desses sobre como tratamos o nosso alimento em estradas desencapadas e abertas em lugares inapropriados, mas vejo que esse desenquadramento não diz respeito só a elas, mas a nós que caminhamos para frente numa estrada sem fim, sem bifurcação, ou sombra alguma. Não há refresco ou antídoto para todo esse veneno derramado sobre nossas cabeças.

Então falaremos sobre o que?

Sobre como resolveremos nossas vidas ignorando tudo à volta, acordando cedo e servindo aos compromissos, afinal somos nós os honestos e os pobres trabalhadores desta nação, eles os políticos que roubam são meras criaturas de outro mundo, avessos a todas as regras e éticas impostas e nos veem como extraterrestres.

Quem poderá nos salvar?

Não há mais Chapolin Colorado, então isso faz de nós, criaturas desamparadas, soltas em um deserto infestado de cobras.

O povo clama por justiça, por impeachment, por escolas equipadas e seguras, por unidades de saúde funcionando e tratando o humano como tal. Clamam por tantas coisas.

Hoje clamemos ao menos por um dia perfeito, que seja com chuva, que seja com muito sol e calor, mas que seja encharcado de amor!!!

Ana Cristina da Costa.
Imagem extraída do Google.





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