terça-feira, 25 de julho de 2017

[Faroeste News] DIA INTERNACIONAL DA MULHER NEGRA

EVENTO: Oficina de turbantes: Sou Linda!

"Somos herdeiras de mulheres que construíram a própria força"





No dia instituído como dia da mulher negra, rolou aqui na minha cidade (São José dos Campos) Uma oficina de turbantes. Que muito além de revelar as mulheres dicas de beleza, foi um evento informativo de empoderamento em regaste das origens da mulher negra; sua beleza raíz!

Ministrada pela querida Shirlene do projeto Amigas Black em parceria com a secretaria de igualdade racial de são josé dos campos, nesta terça, contou com a participação de inúmeras mulheres.


A intenção do projeto "Amigas Black - Sou linda" é incentivar as MULHERES a resgatar a sua identidade valorizar sua beleza interior. Amar-se, apreciar-se e aceitar a si mesmas. Dando-lhes a oportunidade de agir, pensar e exprimir opiniões de maneira confiante; o que automaticamente irá transparecer exteriormente.

"Resgatar a identidade é abraçar aquilo que Deus diz que eu Sou."
(Shirlene)



Mas não parou por ai! teve literatura também! Como representante da literatura da cidade,  principalmente por ser uma das únicas escritoras negras da cidade. Fui convidada pela mesma secretaria para fazer parte do evento, contar um pouca da minha história , do meu livro... E foi maravilhoso! olha eu aqui em baixo cheia de orgulho por ser MULHER NEGRA.


E aproveitando a magia desse evento, e tudo que ele representa, vamos falar um pouco sobre esse dia e porque ele existe.O dia 25 de julho marca o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha. No Brasil, o dia também é em homenagem à Tereza de Benguela, líder quilombola que se tornou rainha, resistindo bravamente à escravidão por duas décadas. Esse ano, a data traz à tona a luta da mulher contra o feminicídio, as reformas que destroem os direitos do povo brasileiro, principalmente, das mulheres negras e por reparações à comunidade negra.

“Essa data é importante porque chama a reflexão para a situação de setores mais explorados e oprimidos da sociedade, que é a mulher negra Latino-Americana e Caribenha, e para os indicadores sociais, econômicos, políticos, que denunciam essa condição da mulher na sociedade brasileira”,

a data possibilita também resgatar a história da mulher negra no Brasil. “É um histórico de luta e resistência, como no período colonial, em que mulheres enfrentaram o escravismo, dirigindo insurreições, fazendo parte da direção dos quilombos, como é o caso da Tereza de Benguela. E esse resgate é importante, pois a mulher negra chefia famílias e garante o sustento familiar”

Ou seja, MAIS QUE MERECIDA HOMENAGEM!




Mariane Helena



Segue mais algumas fotos








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domingo, 23 de julho de 2017

[Súmula de Domingo] Vende-se um País – Ana Cristina da Costa

Até quando iremos tratar os nossos problemas dessa maneira “está tudo sobre o controle?” 
Mascarar o “controle” das facções criminosas como a guerra entre elas mesmas e ignorar que estamos sendo exterminados? 
Que a cada dia ouvimos notícias da morte de pessoas em seus locais de trabalho, ou andando nas ruas apenas porque elas sabem do seu direito de ir e vir e porque sabem, em igual proporção, da obrigação do ESTADO em promover a SEGURANÇA, e socializar os meliantes quando presos por ele, ao contrário, de socá-los em caixas obscuras da sub-humanidade. Não que eles sejam os principais responsáveis, mas são eles os detentores das varinhas de condão.

São tantos os questionamentos sem as respostas plausíveis.

Enquanto alguns segmentos governamentais nos remetem frases medíocres, acreditando que engolimos ou nos demos por satisfeitos, o PAÍS vai sendo vendido para outros lemas e outras estrelas.

ORDEM E PROGRESSO, a primeira palavra já se encontra despencada em vasto verde da flâmula; pois o verde das matas arrancadas, ganharam a cor cinza salpicada de manchas vermelho/sangue, a segunda tenta embrenhar-se aos poucos trazendo à luz dos nossos olhos infantis bugigangas importadas e máscaras de avanço científico dormindo no atraso de 10 anos, fato impensável no século em que estamos inseridos, onde não há mais barreiras a serem ultrapassadas quanto ao atravessar continentes em questão de milésimos de segundos, a não ser que isso lhes seja conveniente, enquanto isso nós engolimos a propaganda do homem à lua. Mas claro que é conveniente que continuemos tapados, e eu aqui me fazendo de inocente como a um recém-nascido.

Continuamos joguetes dessa política arcaica, retrógrada e imunda.

Continuamos cegos, surdos e mudos, pois não sabemos falar nem ao menos pronunciar palavras de ORDEM E PROGRESSO a nosso favor, mas sabemos cantar M&M porque a propaganda é forte e nos remete goela abaixo e eu duvido que tenha em qualquer uma das emissoras de TV aberta brasileira uma sobre a literatura nacional e ou incentivando o seu povo a visitar estantes e bibliotecas, aliás, esses dois nomes já pousam nos anais dos dicionários, eu duvido.

Vende-se um PAÍS, ele já vem mobiliado com praias e rios descuidados, abarrotados de lixo, pois seus habitantes jogam em qualquer canto sua deseducação e a administração fecha os olhos a tudo para que seu salário esteja na conta no final do mês; ele vem também recheado de crianças que deixaram de sê-las, pois não há parques em áreas públicas, seguras, onde ela possa correr e brincar e se não podem pagar, elas penetram num mundo retangular, alimentam o seu mundo imaginário ficando à mercê do lixo cibernético e os pais sem saída se deixam, em igual proporção, serem seduzidos pelas telas brilhantes e acomodam os filhos por debaixo das asas; este país vem também inebriado de GENTE, gente que quer somente sobreviver em paz; gente que quer cinema, teatro, dança; que quer seus filhos correndo e rindo e se queixando de dor nas pernas por terem corrido o dia todo, gente que quer dormir suas horas tranquilas por saberem que lá fora o ESTADO está cuidando de sua ida ao trabalho, dos hospitais quando necessário e das escolas formadoras de opiniões.

Vende-se um PAÍS, não é uma propaganda lá muito inteligente o que queremos é, AMA-SE UM PAÍS, pois ele é tudo o mais que sempre quisemos.

Somos dele, nascemos nele, falamos dele em nossa língua. Façamos uso de seu solo para caminharmos à frente e quebrarmos as barreiras dos atrasos, este sim é o PAÍS QUE QUEREMOS.

NÃO, NÃO VENDEMOS O NOSSO PAÍS.

Ana Cristina da Costa
Imagem extraída do Pinterest.

Indicação de filmes sobre o Brasil:
https://www.terra.com.br/noticias/brasil/da-escravidao-a-ditadura-10-filmes-para-entender-o-brasil,6c5e2982ec3bc410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html





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sexta-feira, 21 de julho de 2017

[Biografias Reais] Escritor Lino Guedes


Voz para a negritude


 Negro preto cor da noite, 
nunca te esqueças do açoite que cruciou tua raça
 em nome dela somente faze 
com que a nossa gente um dia gente se faça!.
(Lino Guedes) 


Os versos aqui citados são do poeta negro brasileiro Lino Guedes, morto no dia 4 de março de 1951. Nascido em Socorro, SP, em 24 de junho de 1897, Lino de Pinto Guedes foi primeiro poeta negro brasileiro do século XX que assumiu em suas obras, uma postura cristã, simples e convencional a todos os mortais. 

Lino Guedes foi o primeiro poeta negro que neste século, como escritor, se aceitou negro e publicou as “conseqüências”. Poeta que, logo após a morte de Lima Barreto, em 1922, dava a lume o seu “Canto do Cisne Negro” (1926), tornando-se, com isso – como exigem alguns – o iniciador da “negritude” no Brasil. E é sobre ele que, no fogo do entusiasmo, um seu companheiro de jornalismo, o mulato Judas Isgorogota, em 1929, profetizava, pela Gazeta: “Nenhum poeta negro das Américas jamais se igualará a Lino Guedes, neste aspecto de sua arte e de seu pensamento, calmo, simples, puto, cristão. 

Aqui não há revoltas nem anseios impossíveis; – há compreensão humana dos dramas humanos, sentida e propagada através de uma poesia que fala diretamente àqueles que vão encontrar nela o bálsamo salvador da simplicidade, da bondade… (…) Esta poesia tem uma função social que nem todos percebem, mas que eu sinto, e isto me basta”. De todos os poetas negros que passaram pela Imprensa Negra nas primeiras décadas do século, é o único que fez alguma fortuna literária. Tanto que em 1954, três anos após sua morte, anunciava-se uma edição completa de suas obras, compreendendo vários gêneros literários: poesia, conto, romance, ensaio, biografia, etc.

João da Cruz e Souza ainda vivia no Rio de Janeiro e havia terminado de escrever “Evocações e Faróis”, quando em Socorro (SP), no dia 24 de junho de 1897, nascia Lino de Pinto Guedes, mais comumente chamado Lino Guedes ou, como pseudônimo literário, Laly. Os pais de Lino foram os ex-escravos José Pinto Guedes e Benedita Eugênia Guedes. Foi criado em Campinas, onde se diplomou pela Escola Normal “Antônio Álvares” e ainda jovem iniciou carreira de jornalista no Diário do Povo e no Correio Popular, daquela cidade. 

Trabalhou após no Jornal do Comércio, n`O Combate, no A Razão, no São Paulo – Jornal, Correio de Campinas, Correio Paulistano e no Diário de São Paulo, onde por muitos anos chefiou a Revisão. Teve também atuação na Imprensa Negra, sendo redator-chefe de Getulino, na década de 20. Em 1924, acompanhava-o na direção desse jornal o contista de Malungo, Gervásio Morais, que o secretariava. 

Lino Guedes teve boas relações de amizade com escritores respeitados em São Paulo. E recebeu comentários, com elogios, de nomes como Coelho Neto, João Ribeiro – o autor do clássico “O Folclore” (estudos de literatura popular); de Silveira Bueno. Mas nem sempre foi apreciado na coletividade negra paulistana. Apesar de fazer do negro tema de seus versos, é acusado às vezes de certo escapismo no que dizia respeito à luta social do elemento afro-brasileiro. No entanto isso, no caso deste comentário, não é o mais importante.




Fonte: Site Palmares
Mariane Helena
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quarta-feira, 19 de julho de 2017

[4ª Poética] Estrela Cadente - Diego Sant'Anna



Quando o sol adormece
Uma chama abraça meu coração.
Enquanto a lua me aquece.
Sombras caminham em minha direção

As árvores permanecem em seus postos.
Corujas guardam os sonhos da floresta.
Vagalumes transitam em caminhos opostos.
As estrelas fazem festa.

Ainda açoitado pelas sombras aleatórias.
Caminho em direção a estrela mais brilhante.
Sou tocado por velhas memórias.
Abduzido dentro de mim mesmo por um instante.

Mergulhando em meu próprio oceano profundamente.
Coletando sorrisos de outrora.
Sou como uma estrela cadente.
Que sorrindo risca o céu e vai embora.

Diego Sant’Anna

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domingo, 16 de julho de 2017

[Súmula de Domingo] Uma Troca – Ana Cristina da Costa


Hoje quer lhe propor uma brincadeira, por um abraço seu eu quero um conto mais bonito, assim nós dois ganhamos em igual proporção, eu te dou o meu calor de amigo te deixando feliz e tu me dás momentos alegres, que tal?
Essa brincadeira ilustra uma moeda de troca, não houve pagamento em espécie, mas uma troca de coisas interessantes a ambos, mesmo nos dias atuais, onde o capitalismo, o consumismo por coisas desnecessárias nos seduzem a todo instante, ainda vemos em alguns segmentos tal prática. Assim era feito na antiguidade, havia troca de coisas nem sempre de igual valor monetário, mas de acordo com suas necessidades e interesse. As trocas eram feitas entre os comerciantes de uma mesma comunidade somente. Com os bons tempos e ventos, sobravam alimentos e produtos em estoque, foi aí que expandiram a outros povos, criando os portos para que a mercadoria pudesse chegar a terras longínquas.
Há de se pensar que em 2017 onde se fala tanto em tecnologia, onde se vê robôs realizando operações, onde a mão do médico não toca no paciente e o problema é resolvido por luzes infra, e mãos mecânicas, onde os sexos podem ser trocados num mesmo corpo e este seguir em frente com suas nuances desejadas, onde as cirurgias plásticas, num mesmo país que abriga milhões de pessoas com fome e nas ruas, são campeãs, pensemos que não há barreiras para o comércio, mero engano ainda existe em muitos países restrições a produtos.
Comemoremos hoje as trocas, as compras e principalmente o discernimento de consumir o estritamente necessário, o desperdício, claro faz com que haja mais ofertas, mas também produz mais lixo e não queremos um ambiente sujo e poluído, não é mesmo?
Tenham todos um domingo de muito amor com a família!!!!!
Ana Cristina da Costa.

http://cultura.culturamix.com/curiosidades/a-historia-do-comercio

“Hoje se comemora o dia do comerciante surgiu a partir da criação da Lei nº 2.048, de 26 de outubro de 1953, que homenageia o nascimento de José Maria da Silva Lisboa, mais conhecido por Visconde de Cairu, o Patrono do Comércio Brasileiro.
O Visconde de Cairu foi o responsável pela criação das primeiras leis que beneficiariam o comércio brasileiro, que antes era totalmente dependente de Portugal.
Uma das suas principais ações foi aconselhar o rei português D. João VI a assinar a Carta Régia, em 28 de janeiro de 1808, abrindo os portos brasileiros ao comércio exterior.”

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quinta-feira, 13 de julho de 2017

[Biografias Reais] Julia Lopes de Almeida

Uma mulher que a pátria desconhece!




"Por isto: o que não quero é escrever meramente; não penso em deliciar o leitor escorrendo-lhe n’alma o mel do sentimento, nem em dar-lhe comoções de espanto e de imprevisto. Pouco me importo de florir a frase, fazê-la cantante ou rude, recortá-la a buril ou golpeá-la a machado; o que quero é achar um engaste novo onde encrave as minhas idéias, seguras e claras como diamantes: o que quero é criar todo meu livro, pensamento e forma, fazê-lo fora desta arte de escrever já tão banalizada, onde me embaraço com raiva de não saber nada de melhor. (...) Quero escrever um livro novo, arrancado do meu sangue e do meu sonho, vivo, palpitante, com todos os retalhos de céu e de inferno que sinto dentro de mim; livro rebelde sem adulações, digno de um homem."

( Júlia Lopes de Almeida)

Há muitos escritores esquecidos na nossa literatura. Com a história de Júlia quero iniciar uma série de biografias reais de escritores e nunca ouvimos falar, mas que construíram com muita dificuldade a nossa literatura,e tiveram um papel primordial na literatura que conhecemos hoje.

E porque começar pela Julia. Por ser um mulher! Podemos até pensar que foi porque não eram comum escritores mulheres naquela época, afinal, quais escritoras do séc. XVIII e XIX que nós conhecemos? Se não conhecemos é mais provável que seja porque a História se esqueceu de contar do que por uma carência de talento e nomes entre as mulheres. Júlia, por exemplo, escreveu romances e peças de teatro além de livros infantis, fazendo muito sucesso na sua própria época.

Mas o que pouca gente sabe é que no grupo de escritores e intelectuais que se mobilizaram para criar a ABL, uma outra grande figura da Literatura Nacional daquele tempo ficou de fora por um pequeno detalhe, e não foi a língua, foi a saia.

Julia ficou de fora desse “panteão” por causa desse pequeno detalhe, era mulher.Ou seja o preconceito da época calou por décadas o talento dessa grande mulher! Júlia teve uma carreira de escritora e jornalista de mais de 40 anos. Ela defendia a educação feminina, o divórcio e a abolição da escravatura. Já preocupada com a questão do cuidado, ela defendia também a instalação de creches, naquela época. É, Júlia, ainda estamos  tentando... Se é difícil hoje imagina no século XIX? 

Vamos falar um pouco mais sobre ela: Júlia Valentina da Silveira Lopes de Almeida (Rio de Janeiro RJ 1862 - idem 1934). Contista, romancista, cronista, teatróloga. Ainda na infância, transfere-se com a família para Campinas, São Paulo. Inicia seu trabalho na imprensa aos 19 anos, em A Gazeta de Campinas, numa época em que a participação da mulher na vida intelectual é rara e incomum. Três anos depois, em 1884, começa a escrever também para o jornal carioca O País, numa colaboração que dura mais de três décadas. Mas é em Lisboa, para onde se muda em 1886, que se lança como escritora. Com sua irmã Adelina, publica Contos Infantis, em 1887. No ano seguinte, casa-se com o poeta e jornalista português Filinto de Almeida (1857 - 1945) e publica os contos de Traços e Iluminuras. 

De volta ao Brasil, em 1888, logo publica seu primeiro romance, Memórias de Marta, que sai em folhetins em O País. Sua atividade em jornais e revistas - Jornal do Commercio, A Semana, Ilustração Brasileira, Tribuna Liberal - é incessante, escrevendo sobre temas candentes, apoiando a abolição e a república. Uma das primeiras romancistas brasileiras, sua produção literária é prolífica e abrange vários gêneros: conto, peça teatral, crônica e literatura infanto-juvenil. Seu estilo é marcado pela influência do realismo e do naturalismo francês, especialmente pelos contos de Guy de Maupassant (1850 - 1893) e romances de Émile Zola (1840 - 1902). 

A cidade do Rio de Janeiro, capital federal, em período de turbulência política e econômica, é o cenário mais amplo de suas ficções assim como o ambiente privado das famílias burguesas serve às tramas e à construção de seus personagens, é o caso do romance A Falência, lançado em 1901 - para muitos a sua obra mais importante. Júlia ainda obtém destaque no Brasil e no exterior em conferências e palestras sobre temas nacionais e sobre a mulher brasileira; participa ativamente de sociedades femininas no Rio de Janeiro. 

Reconhecida em sua atividade literária por seus pares contemporâneos, escreve também obras mais esperadas por uma mulher de sua época, como O Livro das Noivas e Maternidade, que alcançam grande sucesso de público, tanto quanto seus romances. Está entre os intelectuais que participam do planejamento e da criação da Academia Brasileira de Letras - ABL, da qual seu marido é fundador e ocupante da cadeira número 3 - no entanto, por ser mulher, é impedida de ingressar na instituição. Entre 1913 e 1918 volta a viver em Portugal, e publica suas primeiras peças teatrais e um livro infantil com seu filho Afonso Lopes de Almeida. Na década seguinte, muda-se para Paris, onde alguns de seus textos são traduzidos e publicados.



Mariane Helena
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quarta-feira, 12 de julho de 2017

[4ª poética] Quase que acreditei - Fundação Casa


 Eu Tive Um Sonho
 Sonhei Que O Mundo
  Nao Tinha Morte
  Fome Nem Dinheiro
  Não Tinha Gente
  Com Inveja Do Patrimonio  Alheio
  Tudo Era Feliz, Violencia?
  Era Algo Deselegante Nessa Metropole
  Falar Palavrão Era Algo Medonho
  E Mas Essa N]Ão É A Nossa Realidade....


   PSEUDÔNIMO: L.D

 FUNDAÇÃO  CASA OSASCO I




POETA SÓCIO-EDUCANDO: Agora, na quarta poética também teremos uma vertente social. Serão aqui apresentadas poesias de adolescentes internos na FUNDAÇÃO CASA de  Osasco I-SP. Como o adolescente esta em medida sócio educativa temos que preservar o direito de imagem dele devido a tutela estar com Estado, não podendo ser revelada a autoria(Espero que compreendam). 
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domingo, 9 de julho de 2017

[Súmula de Domingo] Agasalho – Ana Cristina da Costa

Aqueçam-se com cobertores felpudos, com suas meias de lã, suas luvas de pelica e com suas botas de couro ¾.

Deite-se em camas cobertas com suas colchas em matelassê, cubram seus corpos com os pijamas mais grossos não se esquecendo das cabeças, nelas ponham toucas tricotadas com as mais puras lãs.

Pousem em ambientes aquecidos por lareiras ou ar condicionados, de quebra peçam pratos requintados de louça abarcando uma bela sopa de inverno. E em canecas de igual material que venham os líquidos quentes, leites ferventes acobertando os chocolates puros e ou os destilados finos e ou os fermentados caros, que eles aqueçam até a alma, será?

Do que adianta ter todo este aparato a nos aquecermos se não temos o ingrediente mais importante a nos aquecer a alma, os pensamentos, os momentos e este ser chamado de amor? De que adianta deitarmos em cama quente de fibras se não temos o calor do corpo do outro? De que adianta mil casacos se não temos o calor de um abraço?

Neste inverno as propagandas aquecem as chamadas para a doação de agasalhos e alimentos, façam, mudem-se de um estado a outro, façam a primeira ação doando-se ao outro e isso sim aquecerá sua alma.

Todos os anos saem as estimativas de mortes causadas pela exposição direta ao frio, outras tantas por doenças causadas em consequência dele. Segundo estudos, o frio mata 20 vezes mais pessoas do que o calor.

Não estamos preparados para as mudanças climáticas bruscas e drásticas, então convivemos todos os anos com os mesmos problemas. A falta de alimentação é um agravante também, com a alta dos preços e a estagnação nos salários sem contar com o desemprego, contribui para a fome, deixando vulnerável o corpo que precisa de calor provindo dos alimentos.

Mais e mais há um aumento de voluntários que saem nas noites distribuindo sopas e roupas aos moradores de rua, sem contar com os segmentos religiosos que intensificam as campanhas inclusive enviando para outras partes do país suas contribuições.

Sabemos que toda ação requer continuidade, então vamos mexam-se, juntem-se aos solidários e façamos um mundo aquecido de calor humano.

Não se esqueçam também que ficar parados só piora a situação então mexam-se, façam caminhadas e corridas e em casa a faxina é o melhor dos remédios além de esquentar ainda distrai a atenção do frio.

O coração tem necessidades que a carne desconhece, ele quer amor e carinho e são esses que amenizam a falta do agasalho, pensem nisso.
Um domingo cheio de amor a todos vocês, beijão!!!!

Fonte de pesquisa; https://climatologiageografica.com/frio-ou-calor-afinal-o-que-mata-mais/
https://trilhaserumos.com.br/dicas-roteiros/dicas_de_uso/consideracoes-sobre-o-frio/
Indicação de filme: A Tempestade do Século https://www.youtube.com/watch?v=I0OFJuqILa8
Site da imagem: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2015/06/evento-reune-roupas-para-moradores-de-rua-neste-sabado-em-porto-alegre.html
Unidades de atendimento do governo: http://mds.gov.br/assuntos/assistencia-social/unidades-de-atendimento





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quarta-feira, 5 de julho de 2017

[4ª Poética] O amor - Oliver Oliveira

ah o amor !!!
Ah, o amor é pura essência
Suave em sua transparência
Lúdico em sua expressão
Maiúsculo na manifestação
Visceral no comportamento
Vital para o sentimento
Complemento na paixão
Selvagem na declaração
Inesperado na atração
Repentino e surpreendente
Na felicidade nunca ausente
No desejo benevolente
É simplesmente fatal
Em sua arte final
Do objeto amado
E tão desenhado...
Quem não sabe amar,
Fica sempre a desejar,
Alguém que no seu sonho venha se ajustar...
Amplexos e osculos ..

OLIVER OLIVEIRA

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segunda-feira, 3 de julho de 2017

[Resposta 42] RG, por favor - Bruno Leal

  Suas características aos olhos de quem vê, aos seus e de quem rotula são definidas por você, por suas convivências e pelas influências que
somos submetidos todos os dias. Mas o que é mais intrigante é como nossa visão para as coisas podem ser completamente diferentes de absolutamente
todos a nossa volta. Vou dar o meu exemplo:
    Eu gosto de futebol e muitos outros esportes, heavy metal, ciências e história. Mas meu jeito de gostar de futebol é diferente da maioria
dos brasileiros. Sou um cara que merece ser excluído porque torço pela Argentina em vez do Brasil, por razões diversas que nem sei quais são.
Eu nunca, nunca torci pelo Brasil. Uma vez, gritei como louco numa vitória patética do Brasil contra a Coreia do norte por 2x1 (no jogo
seguinte dos norte-coreanos, eles tomariam um sonoro 7x0 de Portugal, seleção mais fraca que o Brasil) porque resolvi tentar negar minha
teimosia, meu jeito de querer ser diferente, e a injustiça que via em saber que todos estavam torcendo para a seleção canarinho enquanto os
outros países não tinham nenhuma torcida (como eles poderiam ser tão maus? Não acredito que simplesmente ignoravam as outras seleções como se
não fossem nada). Bom, eu tentei, e meus delírios aos gritos de gol jamais tinham sido tão falsos. Dois minutos de garganta limpa
desperdiçados. Desde aquele dia, prometi a mim mesmo que nunca mais faria aquilo. E segui a minha vida, abandonando a música pop para o funk
e eletrônica, depois sendo influenciado por um primo nerd e inteligente (logo, deveria ouvir o mesmo tipo de música que ele) passei para o rock
e o heavy metal, onde permaneço até hoje, mas sem o medo de ser descoberto ouvindo "o grave bater", "Construção", "roda viva" e
"malandramente".
Fui me alterando, graças a maturidade e a outras influências. Hoje, torço pelo Barcelona, gosto de assistir a NBA, curto
muito mais a cultura norte-americana, mas também acho legal as competições dos carnavais Brasil a fora, as composições de Chico Buarque
(nada de Vinicius de Moraes. Chato demais!!!) e comer arroz, feijão e carne no almoço e o básico pão francês (que na verdade é português) com
mortadela (embutido dos deuses!).
    Além de tudo isso, porém, construo coisas só minhas como o desejo de salvar o mundo, esse negócio de "gostar de ciências e história" e me
interessar por política fora das redes sociais, uma maluquice sem tamanho. Mas é o
que vou levar pra sempre, junto com a teimosia que irrita minha melhor amiga. Agora: por quê? Não faço ideia. É só minha identidade. Foi
influenciada por algo ou alguém? Com certeza. Mas a visão é minha, e só minha. O que isso tem haver com a resposta fundamental? As diferentes
interpretações fazem experimentos diferentes. Logo, a resposta fica mais
acessível.
E você, qual sua identidade própria fora do nacionalismo, dos amigos e
influências familiares?
Por falar em nacionalismo: HAPPY birthday UNITED STATES OF
AMÉRICA! E até a próxima!

                Dizem que 42 é a resposta para tudo, porém isso é difícil de assimilar. Mas como a Terra é o único planeta capaz de entender as perguntas e respostas, vamos cumprir nosso dever.
                Por que 42? Vamos tentar descobrir todas as primeiras segundas-feiras de cada Mês.
                Até a próxima questão fundamental!
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domingo, 2 de julho de 2017

[Resenha] Atlas do Impossível de Edmar Monteiro Filho



            Os 15 contos do livro Atlas do impossível (Penalux, 2017), de Edmar Monteiro Filho, conduzem o leitor não a um caminho retilíneo e plano, mas por ruas curvilíneas e íngremes, perfazendo uma geometria de dificuldades, com figuras que se desdobram num virtuosismo profundo em que o leitor não tem possibilidade de escolha, uma vez que a narrativa revela múltiplos enfoques, mostrando o plurivocalismo e as camadas de um livro em expansão até o infinito. Para tal intento, o autor utilizou como referência 15 gravuras do formidável Escher, iniciando cada conto com uma ilustração do artista holandês. O título de cada conto é homônimo a cada gravura de Escher, já revelando uma estratégia temática de Edmar Monteiro Filho, a simulação e seu estranhamento a partir de cada narrativa. Outra homenagem prestada por Edmar no seu livro excepcional é a referência ao escritor argentino Borges que num dos contos deste livro é personagem da narrativa, valendo-se o autor brasileiro da temática borgeana também para estruturar a espinha dorsal de seus textos juntamente com Escher, demonstrando a riqueza que se bifurca neste livro, unindo as influências das artes plásticas e da literatura, nos revelando os diálogos entre Escher e Borges.
            No catálogo do CCBB “O mundo mágico de Escher”, do curador Pieter Tjabbes, este já vislumbrava o paralelo entre os dois célebres artistas:  “...ambos abordam temáticas com filosofia (e seus desdobramentos matemáticos), infinidade e metafísica, em narrativas fantásticas onde figuram os “delírios do racional” expressos em labirintos lógicos e jogos de espelhos”. Edmar capta esta íntima relação entre ambos e produz um livro fantástico, trabalhando com a exploração dos efeitos do jogo de espelhos, como o papel do que se intenciona ou deseja com o que se afasta ou repele, que podemos ver no conto “Dia e noite”: “Observo o espelho prestes a quebrar-se...” A fragilidade do espelho aqui que pode se espatifar desnuda este espelhamento fragmentado que acaba levando ao oposto da imagem que se quer construir, ou seja, aquilo que reluz pode mostrar o seu lado mais sombrio. O paradoxo doença/cura nos leva à imagem do pharmakós que traz a cura mais também um veneno, que é a serpente enroscada em cada beleza. Como escapar de um caminho que pode levar à libertação, mas que traz inserida a ruína para estes personagens doentes que vivem nas ruas neste conto emblemático?
            Há espelhos cortados, partes de um espelho formando o todo. O narrador joga com a inteligência do leitor o tempo todo, como se a própria narrativa fosse um espelho a ser refletido pelo leitor inteligente que deve juntar as peças deste puzzle enigmático. O livro de Edmar não percorre as linhas de uma narrativa fácil, é denso em seu poder de autorreflexão que se espelha no conhecimento de um receptor perspicaz. No conto “Predestinação”, temos esta urdidura máxima em que o narrador não poupa sua rica e admirável imaginação nos labirintos em múltiplos caminhos e ângulos. O conto nos faz recordar da origem da palavra “texto” que vem do latim textus, que significa “tecido”. Como não perceber que este conto é uma trama em que as várias linhas se chocam e se unem para formar um todo em seu sentido lógico e coerente? O conto nos dá a chave que tem que ser aberta pelos olhos iluminados do leitor atento. O narrador desafia a todo tempo o leitor como vemos em Machado de Assis.
            Em “Convexo e côncavo”, a mensagem encontrada num origami do bonsai nos direciona para esta fragilidade tênue que se encontra na vida de nosso dia a dia: “A vida é frágil”, fazendo-nos lembrar da notável frase de Guimarães Rosa “Viver é muito perigoso”. Entre a fragilidade e o perigo, a vida carrega o peso desta medida que as personagens complexas e profundas deste maravilhoso contista nos revelam. A camada lisa do espelho é propensa ao arranhão, à rasura, à fratura. Os contos deste livro são intensos em demonstrar as peripécias da vida com suas realidades e irrealidades, com sua nudez e sonho. As personagens destes contos são andarilhos de um labirinto frágil que não lhes dá uma resposta satisfatória. O autor se pauta nas questões, nas interrogações que se encontram no lado ainda não visto do espelho, como em “Espelho mágico”, em que a foto deixada na mesinha da sala é o motivo para a narrativa e para as digressões do narrador/personagem, que se confundem.
            São constantes as interferências do narrador, revelando a intensa maestria no próprio ato da narrativa e da leitura, que equaciona o conto como produto de um acontecimento, de uma presentificação, de um aqui-agora. Clarice Lispector era mestra em nos mostrar a partir de suas narrativas o “instante-já”, o tempo do agora, como proposto pela professora Carina Lessa. O conto “Três mundos”, de Edmar é impactante e revela a outra face do espelho literário, a meta-narrativa, com a autorreflexão sobre seu próprio processo de escrita. O narrador que é personagem, que busca afirmar uma verdade ficcional, onde realidade e ficção se mesclam, a memória e esquecimento se alternam, produzindo um conto de fôlego em que o contista mostra seu pleno domínio sobre esta arte difícil do conto que para muitos é o texto em prosa da literatura mais complexo de se elaborar, pois é necessária a medida certa, o ponto essencial.
            Deleuze já apontava em Diferença e repetição que “...a mais exata repetição, a mais rigorosa repetição, tem, como correlato, o máximo de diferença”. Podemos perceber esta afirmação principalmente em dois contos de Edmar, “Fita de möbius” e “Mãos desenhando”. No primeiro, temos o “déja vu” da personagem e partes da narrativa são repetidas em espiral, revelando a dobra deleuziana que através da repetição produz uma diferença. O espelho mais uma vez aparece aqui, sendo uma metáfora recorrente nos contos de Edmar: “...esse tempo de onde meu rosto olhou-me do espelho, em que cada passo e cada gesto é a repetição de um enredo do qual conheço apenas o terrível desfecho.” No outro conto em que temos Borges como personagem, temos o estudante da faculdade de Buenos Aires Barros que faz uma entrevista com o célebre escritor argentino e na bela narrativa, temos um conto do universitário Barros dentro deste conto, aproximando ainda mais Escher e Borges, pois aquele aproveitava o espelhamento das formas geométricas, utilizando uma mesma imagem de forma diferenciada. Aqui o conto “Pierre Menard, autor de Quixote” de Borges do livro Ficções (1944) é também aproveitado a partir deste espelhamento. O uso dos nomes Borges e Barros não é gratuito para se falar do tema do simulacro. Assim, admiravelmente, temos um duplo jogo de espelhos. Edmar se utiliza do conto de Borges para fundamentar seu próprio e autêntico processo de escrita, pois apesar de se valer do artista plástico holandês e do escritor argentino, o contista brasileiro por ora aqui estudado é de uma originalidade surpreendente. Dialoga com grandes gênios, mas revela também sua intensa genialidade em construir contos tão elaborados e complexos em sua tessitura literária. Temos uma obra ricamente ficcional que conhece todo o processo da confecção de um verdadeiro conto sem deixar nada a dever aos grandes nomes da literatura.
            Edmar Monteiro Filho produziu um belíssimo livro de contos em que ele monta um jogo de puzzle enigmático com os grandes artistas, com sua própria narrativa, com as personagens, com a escrita, com as artes plásticas, com o leitor; produzindo um tapete imaginário e real em que os desenhos geométricos se multiplicam em caminhos da escrita, fazendo de sua obra um mosaico de experiências variadas em que a autenticidade ganha voos altíssimos, costurando as linhas tênues entre a vida e a morte, entre o que se consagra, se realiza ou se fracassa na vida de personagens que deixarão o seu canto mais profundo em várias partes do mundo. O domínio do verbo em Edmar é complexo, profundo e infinito como nos espelhos de Escher e na biblioteca de Borges.

Alexandra Vieira de Almeida

“Atlas do impossível”, contos. Autor: Edmar Monteiro Filho. Editora Penalux, 264 págs., R$ 45,00, 2017.
E-mail: vendas@editorapenalux.com.br
Site: www.editorapenalux.com.br

Alexandra Vieira de Almeida é Doutora em Literatura Comparada pela UERJ. Também é poeta, contista, cronista, crítica literária e ensaísta. Publicou os primeiros livros de poemas em 2011, pela editora Multifoco: “40 poemas” e “Painel”. “Oferta” é seu terceiro livro de poemas, pela editora Scortecci. Ganhou alguns prêmios literários. Publica suas poesias em revistas, jornais e alternativos por todo o Brasil. Em 2016 publicou o livro “Dormindo no Verbo”, pela Editora Penalux.


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quinta-feira, 29 de junho de 2017

[Biografias Reais] Conceição Evaristo


Conceição Evaristo nasceu em 29 de dezembro de 1946 numa favela da zona sul de Belo Horizonte, Minas Gerais. Filha de uma lavadeira que, assim como Carolina Maria de Jesus, matinha um diário onde anotava as dificuldades de um cotidiano sofrido, Conceição cresceu rodeada por palavras. Teve que conciliar os estudos com o trabalho como empregada doméstica, até concluir o curso Normal, em 1971, já aos 25 anos.

Segunda de nove irmãos, a escritora, que completou 70 anos em novembro (2016), diz que na infância não viveu a pobreza, mas a própria miséria na favela do Pendura Saia, encravada no alto da Avenida Afonso Pena, área nobre de Belo Horizonte. Ali, da mãe e das tias, ouviu muitas histórias e inventou outras. A ficção era indispensável à sobrevivência, uma forma de sublimar a realidade. Essa experiência é o alimento da sua escrita ou, como ela afirma, da sua “escrevivência”.

Uma das principais expoentes da literatura Brasileira e Afro-brasileira atualmente, Conceição Evaristo tornou-se também uma escritora negra de projeção internacional, com livros traduzidos em outros idiomas. Publicou seu primeiro poema em 1990, no décimo terceiro volume dos Cadernos Negros, editado pelo grupo Quilombhoje, de São Paulo. Desde então, publicou diversos poemas e contos nos Cadernos, além de uma coletânea de poemas e dois romances.

A poeta traz em sua literatura profundas reflexões acerca das questões de raça e de gênero, com o objetivo claro de revelar a desigualdade velada em nossa sociedade, de recuperar uma memória sofrida da população afro-brasileira em toda sua riqueza e sua potencialidade de ação. É Uma mulher que tem cuidado de abrir espaços para outras mulheres negras se apresentarem no mundo da literatura.

Mulher, negra, de origem pobre. É desse lugar que Conceição fala, que Conceição escreveu e escreve seus livros. Da sua estreia em 2003 com “Ponciá vicêncio” (Ed. Maza), lançado nos Estados Unidos, na França e em breve no México, a “Olhos d’água” (Pallas), vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Contos em 2015. Até chegar a “Histórias de leves enganos e parecenças”, reunião de contos recém-lançada que marca também a estreia da Editora Malê. Em todos os seus trabalhos estão presentes a crítica social e a religiosidade, que ela prefere chamar de ancestralidade. O mistério e o encantamento são os fios que ligam os contos de “Histórias de leves enganos...”.

Eu sempre tenho dito que a minha condição de mulher negra marca a minha escrita, de forma consciente inclusive. Faço opção por esses temas, por escrever dessa forma. Isso me marca como cidadã e me marca como escritora também — diz Conceição. — Nos textos do livro novo eu trago toda uma memória ancestral, que já estava presente em “Ponciá vicêncio”.



Mariane Helena
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quarta-feira, 28 de junho de 2017

[4ª Poética] Uma nova receita de café - Couto Ponte


Esquente a água
Coloque duas colheres de café
Coloque que água e adoce
Esquente seu amor num abraço
Duas colheres de contradição
Isso tem que ter precisão
Pouco mais, pouco menos 
Pode vira uma baita confusão
A água talvez demore a esquentar 
Mais quando estive pronta
Talvez nem precise adoçar
O amor está pronto pra você
Se degustar


COUTO PONTE


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quinta-feira, 22 de junho de 2017

[Biografias Reais] Escritor João Antonio

Um marginal premiado



Ganhador de dois prêmios Jabuti ( Revelação de autor e melhor livro de contos), pouco se fala sobre João Antônio Ferreira Filho, o jornalista e escritor brasileiro conhecido apenas como João Antônio.Mesmo que seus livros tenham sido ganhadores de diversos prêmios e imediatamente reconhecidos pela crítica, o grande público acabou por nunca dar a devida atenção a esse autor e, 17 anos depois de sua morte pouca gente se lembra da importância fundamental que ele exerceu no cenário da literatura brasileira.

O próprio João Antônio, inclusive, confessou algumas vezes que não se sentia à vontade encarnando o papel de escritor notável, como se pode ver, por exemplo, em um trecho da entrevista concedida à Gazeta Esportiva, em 1965.“Honestamente, sem pose, os prêmios não estão me dizendo nada. Um sentimento de falência, certo nojo pela condição dos homens e até mesmo ternura, às vezes; quase pena”.
É que sua postura diante da vida sempre foi muito coerente com os temas presentes em seus livros: se quase todos os seus contos colocaram em destaque os personagens deixados de lado pela sociedade – marginais, malandros, operários, moradores da periferia das grandes cidades –, João Antônio também escolheu viver uma vida próxima à da marginalidade, desapegando-se das coisas ao seu redor para se dedicar integralmente à literatura.
Assim, com 15 livros publicados, dois prêmios Jabuti, além de outros prêmios importantes, ele nunca aceitou participar de cerimônias ou se vincular a grupos literários, e aceitava apenas convites de escolas e universidades, por causa de sua identificação com os professores.
Longe do protocolo, recolheu-se à vida simples de quem prefere os restaurantes populares, os bares, as mesas de sinuca – afinal, eram esses os ambientes nos quais a matéria-prima de sua escrita se revelava.
E escrever, como João Antônio sempre afirmou, não é apenas produzir livros: “É necessário que o escritor arregace as mangas e saia a campo”; “só se pode fazer arte se for com pele, vísceras, arrebentando o interior” (esses e outros depoimentos se encontram nas diversas entrevistas dadas pelo escritor a jornais e revistas).
Seu primeiro livro, Malagueta, Perus e Bacanaço, cuja última edição pela Cosac&Naify traz um prefácio bastante esclarecedor de Antonio Candido, tornou-se o mais conhecido do autor, e tem uma história interna que antecede a sua publicação.
Quando um incêndio consumiu a casa da família de João Antônio, em 1960, levando os originais da obra juntamente com todos os outros bens, o escritor não se deu por vencido e passou algum tempo reescrevendo de memória todos os contos, na Biblioteca Municipal Mário de Andrade.
Foi então somente em 1963 que o livro foi publicado, e muito bem recebido pela crítica – tornou-se o primeiro livro estreante a ganhar dois prêmios Jabuti, um de revelação de autor e outro de melhor livro de contos.
Não à toa: basta começar a ler os contos que integram o livro para dar-se conta da qualidade e do caráter único do que se tem em mãos. Sua “prosa dura” é caracterizada por Antonio Candido como “reduzida às frases mínimas, rejeitando qualquer ‘elegância’ e, por isso mesmo, adequada para representar a força da vida” – é uma linguagem que nos aproxima da oralidade; um texto que parece ter brotado espontaneamente em meio às ruas e avenidas da cidade de São Paulo, mas que é fruto de um trabalho extremamente cuidadoso sobre o ritmo e a estrutura das falas.
As descrições, tanto dos personagens quanto dos cenários, nos fazem lembrar de uma cidade que sempre vemos, que conhecemos, mas que, no entanto, costumamos ignorar, levados pelos compromissos do dia a dia: os botecos sujos de esquina com suas mesas de bilhar, as quebradas escuras na madrugada, os mendigos esquecidos nas calçadas, as prostitutas e os cafetões do Largo do Anhangabaú.
É a partir de situações que colocam em cena a realidade de quem sofre para conseguir o que comer dia após dia, de personagens sem nenhuma idealização, que João Antônio desperta no leitor a descoberta de um mundo que faz parte de seu cotidiano de cidade grande, mas que ele insiste em negar ou tentar encobrir.
Dividido em três partes (“Contos Gerais”, “Caserna” e “Sinuca”), o livro tem contos longos e curtos, alguns mais pesados e outros mais leves.
O último e maior de todos, conto título do livro, Malagueta, Perus e Bacanaço, foi reconhecido por Candido como um dos mais altos da literatura contemporânea, “pela força da escrita, o peso humano e a coragem de mostrar as entranhas da cidade”, e originou o filme de 1976 O Jogo da Vida, dirigido por Maurice Capovilla e incluindo Lima Duarte no elenco.
Com uma linguagem ao mesmo tempo simples e sofisticada, João Antônio consegue usar gírias e palavrões em construções gramaticais complexas; seu olhar preciso revela o avesso daquilo que a televisão costuma mostrar, e nos coloca junto do que procuramos evitar.
No texto de apresentação 
a Malagueta, Perus 
e Bacanaço, João Antônio 
diz que “qualquer boteco é lugar para escrever quando se carrega 
a gana de transmitir”. Discuta com os alunos a importância dessa frase para o tipo de literatura feita pelo autor, considerando o trabalho 
de dessacralização da linguagem 
e dos personagens.
É bom lembrar que isso não significa banalização da escrita, já que é a partir 
de cenários como os botecos 
que o autor desenvolve textos visivelmente trabalhados, 
com ritmo particular 
e forte carga poética.


Mariane Helena
Fonte: Site Carta Educação
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

[4ª Poética] Mistério na roça - Atex C. Azevedo


  Existe um som que amedronta
  No caminho escuro da roça,  
  È um som que o mais forte não afronta,
  Que assovia por riba da choça. 

  Ecoa agil na ribanceira,
  Adentra o canavial silencioso. 
  No taboal parece fazer brincadeira,
  Sobre os ninhos passa malicioso.

 No tronco oco muda de som,
 Mais adiante revolve a palha,
 Esse é o misterioso som
 Da lágrima que o vento espalha.


 ATEX C. AZEVEDO
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quinta-feira, 15 de junho de 2017

[Biografias Reais] Luiz Gama

Luiz Gama: A poesia que não se escondeu!




"[...]Eu bem sei que sou qual grilo
De maçante e mau estilo;
E que os homens poderosos
Desta arenga receosos
Hão de chamar-me — tarelo,
Bode, negro, Mongibelo;
Porém eu que não me abalo,
Vou tangendo o meu badalo
Com repique impertinente,
Pondo a trote muita gente.
Se negro sou, ou sou bode."

(Trecho do poema: “Quem sou eu?” - LUIZ GAMA)





O primeiro grande líder negro na nossa literatura! Em meados de 1850 já lutava pela exaltação seu povo. Ele é um dos poucos escritores que não foram "esbranquiçados" pela a literatura ao longo dos tempos; e um dos muitos esquecidos pela mesma. 

Sua negritude estava presente na sua visão de mundo, e nas suas idealizações! Teve destaque como escritor, jornalista e jurista, porém foi grande como abolicionista.

Baiano, Gama nasceu em 1830, filho de um português e uma negra livre. Apesar de nascer livre aos 10 anos foi vendido pelo pai para pagar uma dívida. Ou seja, além de conhecer a escravidão pelos olhos de sua mãe, também viveu escravizado por sete anos. Após conseguir a sua libertação, em 1869, ao lado de Rui Barbosa, fundou o jornal Radical Paulistano.

Sua coragem também o ultrajou. Por ser negro foi impedido de cursar a faculdade de Direito. Porém, não desistiu!  Frequentou ás aulas como ouvinte e o conhecimento adquirido permitiu que atuasse na defesa jurídica de negros escravos. Como rábula Gama livrou mais de 500 pessoas dos grilhões escravistas. 


Como escritor, a sua poesia se destaca por ir de contra o lirismo abordado na época e principalmente pela forma em que ostentava seu ideal a favor da cultura. Publicou suas sátiras com o pseudônimo de Getulino. Seu livro, foi publicado em 1859, livro este que possui um dos seus mais conhecidos poemas denominado “Quem sou eu?” popularmente  chamado de “Bodarrada”, nome este que vem da palavra “bode” que na gíria da época significava mulato, negro.  

Através de seus versos e de sua luta, se fez um real representante da literatura negra no Brasil, um exaltador de sua etnia. Que ao contrário de muitos, que escondiam a origem negra, ele corajosamente a engrandecia com grande eloquência e personalidade.


Mariane Helena

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