quarta-feira, 5 de agosto de 2015

4ª Poética - Autor Bruno Félix


• De Coração •

Talvez eu seja um poeta assim, à moda antiga.
Gosto de rimas, whisky, sonetos, um bom vinho.
Durmo mal, como bem, acordo cedo quando convém.
Tenho a poesia como uma boa inimiga
Não entro em briga, mas muitas vezes brigo sozinho.

Escrevo quando triste.
Feliz, escrevo também.
Às vezes o faço ferido.
Às vezes por ferir alguém.
Às vezes, poeta fingido.
Às vezes fugido do além.
Um tapa no pé do ouvido
Carícias, momento zen.

Sigo assim, à moda antiga: obrigado, passo bem.
Da velha escola só não quero a tuberculose.
Quero morrer assim, à moda antiga: do coração.
E a conversa no velório vai seguir mais ou menos assim:
Foi infarto do miocárdio? Ele tinha hipertensão?

Não.

Parece que foi um verso obstruído
Por um acúmulo de poesia no peito
Diz que uma estrofe deu defeito
Morreu com o bom coração partido.

(Bruno Félix – Autor do livro “O Busto de Adão e Outras Poesias”)
Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Seguidores

Google+ Followers

Instagram

Parceiro

QG dos Blogueiros

Anuncie

Anuncie

SnapChat

SnapChat

Facebook

Youtube

Feature Post

Google+ Badge

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Follow by Email

Postagem em destaque

[Biografias Reais] Escritor José Saramago

Copyright © Faroeste Literário - entrevistas, cursos, resenhas e muito mais | Powered by Blogger
Design by SimpleWpThemes | Blogger Theme by NewBloggerThemes.com