domingo, 16 de agosto de 2015

[Súmula de Domingo] Por Ana Cristina - Para que servem as horas?

  Desculpem-me se mais uma vez venho com o discurso de ética, mas é que o assunto é extenso como já havia dito no artigo passado, mas é que à medida que sou incomodada preciso externar.

Bem o discurso de hoje quer saber onde foi que me perdi? Acho que fiquei muito tempo na clausura que não vi os valores se perdendo, eles escorregaram em ribanceira numa velocidade frenética e neste interim eu estava no hospital como acompanhante da minha mãe. Um hospital de Nome na capital do país, não convém dizer o nome, infelizmente é irrelevante dizê-lo, pois precisaria de uma boa reforma para que as coisas entrassem nos eixos, então ficará na incógnita, bem ela estava lá não pelo SUS e sim pelo Plano de Saúde Bradesco, hoje considerado um dos melhores, por sua ampla aceitabilidade em clinicas e hospitais particulares. Então eu inocente afastada por um longo período deste ambiente hospitalar por não gostar, por não precisar, aguardava ansiosa pelo almoço da minha mãe uma senhora dos seus oitenta e poucos anos, hipertensa, inchada por conta da ingestão de Corticoides recebendo como lanche da manhã suco de caixinha, enfim, estava eu às 11:30horas aguardando a refeição da minha mãe, que não veio neste horário, nem no subsequente, 12:30horas, foi quando eu liguei na enfermaria e perguntei sobre o almoço que por sinal estava fora de hora. Meus leitores foi então que fiquei perplexa e tive a nítida afirmação de que eu estava fora do contexto, com a resposta eu fiquei tão atônita que não tive reação, apenas me encolhi na indignação reclamei comigo mesma e bestialmente aguardei o tão aguardado que chegou à 13:00horas. Tive o ímpeto sim de reclamar, mas acho isso tão fora do contexto, eu acompanhante de uma pessoa que inspira cuidados, vou brigar, reclamar, acho que as coisas têm que funcionar, bem eu errei, mas digo que fiquei paralisada. A última vez que estive internada foi em 2004, três dias após o falecimento do meu pai, fiquei com tanto medo, achando que eu seria a próxima para partir desta para melhor, fui operada da vesícula, felizmente correu tudo bem, quando voltei da cirurgia pude chorar pelo meu pai e por mim. Claro que de 2004 para 2015 há uma longa data, mas naquele ano eu ainda pude almoçar às 11:30horas, pois era considerada uma paciente, inspirando cuidados e um dos mais importantes ficando atrás das medicações, era a refeição, pois aprendi que um paciente precisa comer e fazer suas necessidades fisiológicas do contrário não recebe alta médica e depois de resolverem nossa dor num hospital o próximo desejo é ir para casa. Há só um detalhe, fiz minha cirurgia em um hospital público, eu não tinha convenio, nem dinheiro para pagar uma internação no Hospital da capital, ainda bem. Até hoje não sei o que me deu para que eu não tomasse uma atitude naquele momento, acho que estou perplexa até agora, a enfermeira me disse: - Não tem hora para o almoço.
Ana Cristina
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Um comentário:

  1. A ética como assunto corriqueiro nas crônicas, infelizmente não é maçante. Só preciso dizer que gostaria de falar que em nosso país todas as regras são respeitadas e que mudança haja apenas para melhora. Precisamos respirar um pouco de alívio, sentindo o peso que trazemos no peito verde e amarelo, mas só um leve peso, o de uma barra de 100g de chocolate por exemplo, seríamos só prazer.

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