sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

[A vida por Ana Rapha] Brincando de Deus

E chegou a sexta-feira, dia de texto da Ana Rapha!! Então vamos lá, refletir um pouquinho sobre a nossa sociedade!! Boa leitura!! ;)

            Há pessoas que estão sempre brincando de Deus. Resolvem mandar e desmandar por puro prazer, apenas para mostrar quem está no comando. A humildade passa longe. As letras maiúsculas e as frases
imperativas imperam no seu vocabulário.
            Outro dia eu estava numa padaria, ou melhor, numa panificadora como chamam aqui em Curitiba, dessas cheias de guloseimas, que dá vontade de morar lá para poder se empapuçar de tantas gostosuras. Um horror para o colesterol e para o diabetes! Pois bem, uma das funcionárias estava mandando a outra reorganizar a vitrine de doces. O que havia de errado? Nada. Era uma vitrine normal, bem limpinha, com os doces de festa tão apetitosos a convidar os clientes a comprá-los. Entretanto, essa moça tão simpática queria que a bandeja de doces fosse organizada de acordo com um esquema que ela mesma criou. Chegou a planejar em um papel, o qual estava em suas mãos enquanto falava com a colega, apontando cada item anotado. “Vem um brigadeiro, depois um beijinho, por fim um dois amores, sempre intercalando”, dizia ela como se tivesse descoberto a América.
            Enquanto a moça dos cabelos dourados cacheados, sem touca na cabeça ou luvas nas mãos, brincava de Deus, dando mandos e desmandos a sua colega, a fila do pão só aumentava. Somente uma menina atendendo enquanto as outras duas cuidavam desse assunto de máxima urgência. Quanta eficiência! A competência, nos dias de hoje, é raridade. Reinam os egos. Preferível mandar a atender bem os clientes.
            Se fosse só esse caso da panificadora, tudo bem! Mas é uma pandemia que se alastrou por todos os lugares. Outro dia foi no banco, a bancária experiente, mulher de meia idade, ensinava de forma ditatorial a bancária novinha recém-chegada. O que ela ensinava? O serviço? Suas funções? Como atender os clientes? Nada disso. Algo muito mais importante. A organização dos papéis em sua mesa. O local em que cada tipo de papel deveria ficar. Burocracia sem limites. Organização exacerbada. Só fica a pergunta: para que tudo isso?
                  Hoje nem fico mais abismada com a importância das coisas em nossa sociedade. Esse é o lugar em que vivo, faz inveja ao antigo Olimpo, afinal, aqui há muitos deuses a caminhar pelas ruas.

Quer saber mais sobre Ana Rapha Nunes?
Visite a minha página: www.facebook.com/escritoraanarapha
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