quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

[Retrospectiva 2015] Entrevista com Márcio Benjamin

Essa entrevista foi publicada no dia 31/10/2015.

 

  Olá pessoal, após muitos pedidos em nosso facebook, trazemos neste dia de Halloween uma entrevista exclusiva com o escritor Márcio Benjamin.

 Ele é o autor do livro "Maldito Sertão", que contem diversos contos de terror, o conto "O lago" que foi publicado aqui em nosso blog este mês, faz parte deste livro também. Para lê-lo, basta clicar aqui.


Confira a entrevista abaixo:


Conte-nos um pouco sobre o seu livro "Maldito Sertão".

R: Bem o Maldito Sertão é o meu primeiro livro solo, foi lançado em 2012 e está na sua segunda edição. O livro é uma obra de terror, que procura lançar um olhar macabro sobre as nossas lendas folclóricas mais conhecidas, trazer um pouco de volta aos leitores de hoje o sabor das histórias que eram contadas pelos nossos avós. Gosto de brincar dizendo que é um livro de lendas rurais, em contraponto às lendas urbanas.


Com o decorrer da leitura, é possivel notar o uso do folclore de uma forma bem medonha. Como é pegar algo que muitas vezes fez/faz parte da infância das pessoas, e transformar em algo assustador?

R: É um grande prazer, no fim das contas, porque na verdade estamos trazendo de volta essas lendas, essas histórias, e ao final descobrimos que nunca foram esquecidas, pois ainda estão encantando tanto os adultos que relembram sua infância, bem como os jovens leitores de hoje, que estão se encantado, e o mais importante, estão se reconhecendo nas histórias, se sentindo representados, seja pela localização delas, seja pela linguagem, que, por decisão minha, é bastante oralizada, por assim dizer. Só lendo pra entender.


Com apenas uma busca rápida pelo nome do seu livro na internet, podemos notar a ótima crítica que ele vem tendo. Como é para você, ver toda essa receptividade do público?

R: Meu Deus, é um prazer e uma honra saber que tem tanta gente interessada no livro, porque pra mim ele é um filho quase, e saber que as pessoas falam bem do seu filho é uma coisa louca. Gente que eu não conheço que eu nunca vi, de repente acaba tendo um carinho, uma identificação contigo por conta do teu trabalho é a gratificação mais linda que um escritor pode ter. Outro ponto incrível é que o livro já foi enviado bem dizer pra todo o Brasil e as pessoas estão compreendendo toda a história e curtindo. Digo isso porque fiquei um pouco receoso pela linguagem, mas estou vendo que não está havendo essa barreira, o que me deixa tranquilo e satisfeito.

Por que escolheu o terror como estilo de escrita?

R: Eu sou um fã inveterado do terror faz séculos (risos). Desde criança esse tipo de história sempre me pegou direto pelo coração. Comecei com os filmes e depois pela escrita. A beleza do terror é que você ganha pelos dois lados, tanto você se surpreende com uma boa história cheia de reviravoltas, quanto você se assusta pelo clima criado. Da mesma forma o, terror é cheio de simbolismos e permite você criticar ou entrar em contato com vários temas espinhosos, utilizando representações, e criticando o que quiser. E de certa forma, ao contrário do que dizem, ao meu ver, o terror é bastante real sim, pois apresenta situações surreais aos personagens e não há opção para eles a não ser encarar, enfrentar, não há essa coisa de que “vai ficar tudo bem”, “vai dar tudo certo”, ele te joga na realidade e diz se vira! (risos). E a vida, pra mim, é assim, né não? (risos)


Qual é o lado mais difícil de escrever esse estilo?

R: O preconceito, sem dúvida. Não só o de algumas pessoas, mas principalmente o do próprio escritor, o que é o pior! O escritor de terror nunca deve se envergonhar do seu trabalho, pois ele tem muito valor. Essa baboseira de que terror é sub-literatura infelizmente ainda existe e deve ser combatida.


Quais são seus livros favoritos?

R: Danou-se! (risos) Rapaz, são tantos...mas vamos lá. Creio que obviamente a grande referência pra o meu trabalho é o grande Stephen King, especialmente com o seu Cemitério e Sombras da Noite, que são pra mim eternas referências de romance e contos. Mas também gosto de muita coisa fora do gênero, o que considero essencial para o escritor conhecer a sua função. Sou apaixonado pelo Cem anos de solidão (García-Marquez), O jogo da amarelinha e Histórias de Cronópios e de Famas (Júlio Cortázar), Contos de Amor Rasgados e Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento (Marina Colasanti), Morangos Mofados (Caio Fernando Abreu), Entrevista Com o Vampiro (Anne Rice), O Velho e o Mar (Hemigway)...dentre vários outros (risos). Da mesma forma existem escritores fabulosos no Brasil que devem urgentemente ser (mais) conhecidos, como Camila Fernandes (Reino das Névoas), Eric Novello (Exorcismo, amores e uma dose de blues), Felipe Castilho, com sua trilogia que também trabalha com o folclore, dentre outros. Sem falar nos sucessos já consolidados de Draccon, Vianco, Spohr e Montes. Ou seja, o terror é uma boa!



Se você pudesse viver a vida de um dos personagens dos livros que já leu, qual escolheria e por quê?

R: Olha, sinceramente nenhum! (risos). Minhas histórias são bem assustadoras e confesso que sou meio carrasco com os coitados! Prefiro ficar desse lado da tela! (risos)



Quais são seus próximos projetos?

R: Estão desenhando o Maldito Sertão, em 2016 teremos o danado em forma de quadrinhos, sendo desenvoldio por um coletivo de desenhistas irreais daqui chamando K-Ótica, que já fizeram um trabalho antológico sobre a obra do Lovecraft  com outra graphic novel chamada “Lovenomicon”.  Já tô aqui num pé e noutro!  Da mesma forma, estamos desenvolvendo um projeto do livro para o cinema também! E já deixei na editora o original do próximo livro, que se chamará Fome e será a história de uma cidade quase deserta do nordeste, acometida por uma espécie de apocalipse zumbi. Vai ter de tudo que se espera de uma história assim e o que não se espera, mas deveria esperar (risos), mulheres fortes, negros, críticas sociais e religiões de matriz africana mencionadas com respeito e de forma bem peculiar! Vocês não perdem por esperar!


Geralmente os autores costumam ter algum tipo de "ritual" para escrever, alguns só escrevem ouvindo músicas, bebendo chá, outros só escrevem de madrugada e etc. Você tem algum?

R: Na verdade não. Apenas anoto o que pode vir a ser uma boa história e desenvolvo em casa, sozinho, no silêncio. Escrevo o grosso da história e vou burilando depois.


Há algo que você queira dizer ou acrescentar nesta entrevista?

R: Só queria agradecer o espaço e convidar todos a conhecerem o livro e estimular o apoio a literatura nacional! A melhor forma de estimular o seu artista preferido e viabilizando a sua obra. Assim, já sabe, entrando em livrarias, dê uma chance à literatura nacional, duvido que você se arrependa!



 Márcio, muito obrigado por conversar conosco, deixamos as portas do nosso blog abertas e ficamos a sua disposição sempre que precisar.
 Lhe desejamos todo o sucesso do mundo e esperamos que esse seja apenas o início de uma grande carreira.

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