sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

{A vida por Ana Rapha} Indigna ação

Olá, estamos de volta das férias!! E pra começar o ano, uma crônica que nos faz refletir sobre o machismo em nossa sociedade. É pura indigna ação!

Indigna ação

          Indignação é o que eu sinto ao abrir as páginas dos jornais e ver meninas de 12, 13, 14 anos, morrerem por vergonha, por terem sido enganadas, vítimas do machismo que continua a bater a nossa porta diariamente.
            Eles pedem nudes como prova de amor, de confiança. Elas cedem e são condenadas por toda a sociedade, passam de vítimas a algozes. Por que o homem que espalha as fotos íntimas de uma mulher não é condenado nem ridicularizado pela sociedade? É ele quem quebra o pacto da confiança, da intimidade. É ele quem humilha, quem abusa e mostra o seu lado mais vil.
            Laura, Ana, Rita, Mariana, Carla, Amanda, qualquer nome ela pode ter.  Na mais tenra idade, aprendem o que é a dor. São marcadas como gados, pelo resto de suas vidas. Pagam por confiar naqueles que amavam...
            São elas as condenadas, as meninas. Por que se expor? Mulher precisa se resguardar. Homem é assim mesmo. Como assim? Não faz sentido aceitar a falta de caráter, não faz sentido tolerar o ato infame, não faz sentido!
            Outro dia, no funeral de uma amiga adolescente, Margot, a menina de 13 anos, melhor amiga da vítima, precisava desabafar, as palavras foram mais fortes do que as lágrimas: Até quando vamos punir nossas meninas pelos erros dos outros? Ela estava errada? Sim, errou por ingenuidade, confiou em que não deveria. Mas quantas vezes não fazemos isso em nossas vidas? Como saber em quem confiar? Será que a vítima pode ser mais culpada do que o criminoso? Aqui não estamos enterrando apenas a  minha amiga, mas a esperança de um mundo melhor. Pois, precisamos de um mundo mais justo, em que as pessoas tenham caráter. Não devia ser ela a se envergonhar de sua foto exposta na Internet, mas ele de não ter tido caráter, de ter usado do sentimento de uma menina para ridicularizar, humilhar. Ele tem que se envergonhar de sua atitude. Mas a sociedade puniu apenas ela, o lado mais fraco dessa história. Isso é uma indigna ação!
            O discurso da pequena menina choca, assusta, faz pensar. A mulher tem que se envergonhar, se sentir culpada, frustrada, pois os homens podem fazer o que quiserem, afinal, a culpa sempre será delas. É isso mesmo? Em que mundo vivemos? Precisamos deixar de enterrar nossas meninas e enterrar valores que não cabem mais, valores que trazem dor, ódio, repulsa. Está na hora de parar de dizer que é assim mesmo. O conformismo impera, o machismo domina, a vida acaba. Chega! É preciso lembrar que caráter independe de sexo, etnia ou religião, ou se tem ou não se tem.

Gostou da crônica? Quer saber mais sobre a autora? 
Acesse: www.facebook.com/escritoraanarapha

           




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