domingo, 13 de março de 2016

[Súmula de Domingo] - Era uma menina – Ana Cristina.


A menina ainda jovem saiu com sua amiga numa pequena aventura.  Alugaram um carro e saíram pela estrada sem rumo só para se alegrarem uma da companhia da outra. Apesar de passarem a maior parte do dia juntas ainda assim não achavam o tempo suficiente. A felicidade estampada nos rostos, toda segurança na vida e nos sonhos assim confabulavam despretensiosamente sobre seus momentos, cada degrau sonhado era compartilhado, construído, desconstruído a partir da opinião da outra, acrescentado a fim de molda–lo, ao bel prazer da opinião amigável.
Aos olhos de quem via invejável era o viver das duas meninas, até que no decorrer da estrada onde o destino havia marcado o encontro com o infortúnio, naquele exato instante quando as duas pensaram pertencerem a um país cujos soldados deveriam honra–lo mais profundamente, ante os regulamentos impostos e exaustivos exercícios militares, muito mais que as duas belezas em busca de alimento para os seus sonhos, aconteceu o inesperado, naquele momento o carro quebrando na beira da estrada o mais comum em se ver e não era ele o desgosto marcado pelo destino, antes o fosse, pois todo carro que se preze tem em seu interior ao menos um macaco, um estepe e mesmo que as duas moças não tivessem preparo, mesmo assim e ainda assim, este não era o maior infortúnio naquele instante, e sim a presença de um bando de compatriotas afoitos e ansiosos, saídos do mato avançando em direção às presas sem ao menos questionar suas nacionalidades, fosse esse o elemento que as livrasse do ofício atroz, estariam elas salvas, mas afinal o que um animal sabe de nacionalidade? O que sabe sobre pertencer ou não a uma instancia ou até mesmo jurar por ela? A ele importa o alimento, o abrigo, a satisfação primordial e irracional dos seus mais primitivos instintos. Embora fossem esses animais treinados a esta distinção.
Então naquele instante e naquele dia ficaram na estrada jogados pelo caminho aos destroços, dois sonhos. Começaram naquele dia também duas sentenças...... elas foram abatidas com quem abate uma ave em tempos de guerra, cada parte aproveitada, nem mesmo os cabelos foram poupados, como quem depena.
Ao ver sua amiga se esvaindo em sangue, a outra orou a Deus, e pediu encarecidamente se ele poderia levá-la naquele momento, orou, orou, orou e nunca antes em sua vida sentiu que minutos tornaram–se intermináveis. A amiga se foi, a outra também de certa forma, morreu. Seu sorriso, morreu sua alegria e ânsia de viver também, até que um dia ela ou os pedaços que sobraram, conheceu um homem tão machucado pela vida e por uma explosão, que sua visão havia sido afetada. Ele precisando de cuidados, ela enfermeira cuidou de suas feridas e o homem tratou da sua tristeza.
Sem visão este homem tocou uma a uma das cicatrizes na pele desta mulher sobrevivida que queria da vida apenas sonhos.  Encontrou–a no meio dos destroços de sim mesma. Assustada com a renovação dos sentimentos, tão assustada com a boa sensação, ela numa noite tranquila após quase ter–lhe dito algo parecido com amor, ela se foi, deixou para trás mais uma vez uma outra vida.
Um dia este homem já refeito dos seus despedaçados infortúnios, foi em busca daquela mulher tão especial que se intitulou não ser digna de felicidade.
Então ele resolveu que a sua tristeza não era maior que a dor dela.
Ele a reencontrou e a amou.
Por: Ana Cristina.
A Vida Secreta das Palavras




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