domingo, 24 de abril de 2016

[Súmula de Domingo] – Aprenda as Fórmulas e os Códigos – Ana Cristina.



Outro dia eu escrevi sobre os meus pecados capitais, claro que se assim foram classificados, eles se multiplicaram ao longo da minha existência. Se ontem tivesse sido o meu último dia (21) então eu teria praticado 19824 pecados, pois eu nasci e ao nascer eu rasguei o véu da inocência, já que fiz uso da malícia avisando ao mundo da minha chegada, então eu chorei e chorando percebi que ao meu redor era eu o centro das atenções, sendo assim, eu chorei, chorei para quase tudo na vida. Depois me ensinaram que menina, princesa não chora, é feio, oras bolas,  essa é a ação mais atuante na vida dessas criaturas, chorar, ao menos nos ensinam isso nos contos de fadas e todas elas são lidíssimas. Percebi que para ter a atenção voltada para mim eu teria que ser extraordinária, então eu escrevia poemas, desenhava as letras exaustivamente até que ficassem “lindas”, tentei desenhar personagens de quadrinhos, fiz alguns, mas eles ficaram em algum cantinho juntamente com as lágrimas porque aprendi com os filmes que sozinha eu poderia chorar todas as lágrimas do mundo e ninguém iria me perguntar nada, afinal não tem importância alguma da mesma forma que este texto ficará vagando em alguma página qualquer e ninguém irá ler.
Hoje quero falar sobre as dádivas, essas que todos nós recebemos ao nascer e temos que conviver por toda a vida. As minhas são poucas, nasci com a face bonitinha, embora o meu olhar no espelho me dissesse outra coisa. Minha inteligência, foi esmagada mediante os elogios exagerados e tolos, ela se intimidou. Mediante tais circunstancias meu cantinho já inundava de lágrimas e ele sozinho depositava um grande volume de pecados.
Quando você se vê em um determinado instante da sua vida diante da entrada do túnel ou da “passagem desta para melhor” ou ainda mediante a morte, quando acontecer este momento e você tiver a chance de voltar deste breve momento, verá que de imediato é implantado em sua alma o sentimento de impotência, de nada. Eu passei por ele, foi ontem, quando o dia estava tão organizado, tão perfeito. Eu estava feliz e isso me bastou para dividi-lo com alguém. Foi o que fiz, compartilhei minha felicidade, aliás esta, estava de férias havia um tempo. Como nada nesta vida é por acaso, agora sei disso, tive um dia feliz e este se enovelou noite adentro, até o momento em que passei mal, tive um choque anafilático, ao menos acho que foi isso, pois não sei dize-lo com certeza, só posso descrever os sintomas, como são bem desagradáveis só vou dizer que em toda a minha vida nunca havia sentido algo parecido, era uma dor no abdome descomunal, isso se deu após a ingestão de um medicamento por mim bem conhecido e ingerido ao longo dos anos, um relaxante muscular. Como tudo comigo e em mim as ações e reações são imediatas, não poderia ser diferente com ele. Este quase tirou-me deste mundo, desta dimensão. Confesso que eu, mãe de três filhos, partos normais, mulher, nunca havia sentido algo parecido, se alguém aí é entendido no assunto é só dizer, o que sei é que eram dores de esmagamento, sensação de desmaio, as mãos se viraram para dentro com os dedos endurecidos, foi uma questão de segundos, eu fui e voltei. O mal-estar foi passando, tomei um banho bem quentinho e fui deitar, dormi. Bem, estou aqui, mas tenho certeza de que o companheiro marido, não, este não dormiu, tenho certeza, também sendo ele como é sentiu medo de me perder, mas eu não, estava dormindo. Aliás se eu pudesse escolher seria dessa forma que gostaria de encerrar minha dívida com a existência, dormindo.
Como hoje eu vim falar sobre as dádivas, vou te contar um segredinho: anjos existem. Você não irá identifica-los no ato, no imediato. Eu levei um tempo para isso, embora eu tenha duvidado dele, da sua real intenção. O fato é que eu já tenho o meu. O meu anjo leva o nome de Antonio Silva, deve ser um disfarce. Ele chegou de mansinho, e teve paciência comigo, eu sei o quanto sou difícil. Então o que esse anjinho fez na minha vida? Me tirou do ostracismo, isso mesmo estava eu no isolamento de mim mesma, operando as tarefas rotineiras sem recebimento ao menos eu não o via. Ele me descortinou, acho até que me despiu, arrancou a carapaça, então pude me ver como sou.
Há uma dádiva em mim.
Hoje canto, verso, falo, digo alto e em bom som.
Ultimamente ele segurou a minha mão e me fez sentar em cadeira em frente ao microfone, o nervosismo só foi inicial, agora sob suas asas, solto minha voz aos quatro cantos do mundo.
Sabe qual é o segredo para manter as dádivas?  Aprenda as fórmulas, os códigos, nada mais.
Ana@Cristina.

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