domingo, 1 de maio de 2016

[Biografias Reais] A história de Lima Barreto

ENLOUQUECENDO A NOBRE LÍNGUA!

Não é só a morte que iguala a gente.
O crime, a doença e A LOUCURA TAMBÉM acabam
com as diferenças que a gente inventa.”

Lima Barreto


Considerado um dos mais importantes da Literatura brasileira, Lima Barreto extrapola os limites literários! Ele foi um dos poucos de nossa Literatura a combater o preconceito racial e a discriminação social do negro. Filho de família humilde, perdeu a mãe, a professora primária Amália Augusta, aos seis anos; e em virtude da doença mental que acometia o pai, Lima Barreto precisou abandonar a faculdade para sustentar a família, madrasta e irmãos.

Como Machado de Assis, ele também era negro, provindo das classes subalternas da sociedade carioca. Como Machado, ele se tornaria cronista da cidade do Rio de Janeiro. Como Machado, também teve que conviver com a instabilidade psíquica, escrevendo no limite tênue que existe entre loucura e razão; usando a “loucura raiz” para sanar a sociedade doentiamente “normal”.

A LOUCURA ESTAVA A SOLTA! Mas levou, Machado de Assis e Lima Barreto para caminhos diferentes.  Machado de Assis escrevia para a elite do país; Lima Barreto, sempre manteve uma atitude de não pertencer à nata da sociedade, mas sim ao círculo dos autores formadores da opinião pública e do estilo literário. Podendo-se dizer que ele foi o pai da literatura marginal!

Oscilando constantemente entre problemas com o alcoolismo e distúrbios mentais, Lima Barreto deixou uma obra literária digna de leitura e admiração.
Mesmo severamente criticado por escritores contemporâneos por seu estilo despojado e coloquial, que acabou influenciando os escritores modernistas.
Também queria que a sua literatura fosse militante. Escrever tinha finalidade de criticar o mundo para despertar alternativas renovadoras dos costumes e de práticas que, na sociedade, privilegiavam apenas certas pessoas... grupos.

Lima Barreto denunciou também a artificialidade lingüística presente na literatura brasileira, se tornando assim o antipurismo. Falava, em sua obra, contra o poder do dinheiro, da posição social, da palavra rebuscada, da falta de simplicidade, das regras rígidas diferentes da forma usada normalmente.
Em síntese, ele defendia o emprego do português do Brasil e recusava-se a empregar a linguagem e o modelo purista, uma vez que via a “linguagem apurada como índice de um poder constituído”, era totalmente contra a palavra que segrega, que limita o acesso de todos.


Orgulhoso de sua origem modesta e da ascendência de seus avós, antigos escravos, seu objetivo era expressar “os sofrimentos e sonhos do povo”, compreendendo sua vida e obra como um “contínuo protesto contra toda e qualquer injustiça”. E Nunca foi levado a sério... Usavam sua loucura como desculpa para não aceitar os ideais de um bêbado, com comportamento inadequado para um escritor em 1919.

Era uma voz que clamava pela identidade brasileira. Sua voz, entretanto, não foi ouvida àquela época e seu trabalho só foi realmente reconhecido anos depois de sua morte. Mesmo assim, pode-se dizer que sua escrita colaborou para a construção de um novo pensamento lingüístico e literário no Brasil. Pode-se afirmar que Lima Barreto foi o precursor do movimento modernista, o qual rompe de vez com o conservadorismo na literatura, nas artes e na utilização da língua.

Ou seja, lutar pela igualdade e acesso livre de todos, REALMENTE ERA (É) UMA LOUCURA!






Mariane Helena.
Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Seguidores

Google+ Followers

Instagram

Parceiro

QG dos Blogueiros

Versos da alma

Anuncie

Anuncie

SnapChat

SnapChat

Facebook

Youtube

Feature Post

Versos da alma

Versos da alma

Google+ Badge

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Follow by Email

Postagem em destaque

[Súmula de domingo] - JOGOS DA MASSA – Ana Cristina

Copyright © Faroeste Literário - entrevistas, cursos, resenhas e muito mais | Powered by Blogger
Design by SimpleWpThemes | Blogger Theme by NewBloggerThemes.com