quarta-feira, 25 de maio de 2016

[coluna] FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS: peças-chave

FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS.
Coluna.





Por LOPES, Marianna.
Carioca, 23.
Escritora.
Era uma vez...
Uma jovem solitária que conheceu um rapaz num avião. Os dois de trancaram no banheiro minúsculo para um sexo selvagem.

Fim.

O problema de algumas histórias é que fazem as coisas se tornarem muito banais. Por incrível que pareça, o banal é mais atraente no mundo real do que na literatura. O leitor não busca o que vê no dia-a-dia, mas versões daquilo que vê e que não pode ver. É o que torna a coisa interessante. Poder enxergar nas entrelinhas a verdadeira essência da história e ter atenção a detalhes e nem tão detalhes assim que ainda não havia parado para pensar. Esse, talvez, seja o maior desafio para o escritor. Não tornar a literatura banal e ao mesmo tempo não mastigar uma história a ponto de torná-la um tanto longa e cansativa. Daquelas que você termina por muita persistência ou abandona no meio do caminho sem pestanejar. Identificar-se com a história e poder transformar aquela situação em algo que se possa imaginar faz parte também do modo como se interpreta o que se lê. Mas a escrita é o caminho e se não for bem construído, deixa uma série de lacunas ao longo do percurso. Por isso, ter afinidade (leiam afinidade como "e preciso fazer") com a literatura. Ler quadrinhos, romances, autoajuda... O que quer que você leia te dá a possibilidade de criar, variar, desenvolver, pensar. Uma boa história não se faz com pouca leitura ou sem leitura alguma. Então decidi listar aqui, elementos que considero importantes para quem quer escrever e não sabe por onde começar:
- Leia muito, assim você terá uma boa escrita do ponto de vista estético
- Decida o tema ou os temas que você vai abordar e pesquise sobre eles detalhadamente
- Trace personagens que poderia ajudar a desenvolver o tema
- Não mastigue a história. Se você não sabe o que escrever ou não tem mais o que escrever, termine a história ou dê um tempo para as coisas fluírem. Encher linguiça nos capítulos, dar a volta ao mundo para chegar a um ponto, principalmente se for de maneira aleatória, só vai tornar a leitura pesada e afastar o leitor.
- Também não precisa ir direto ao ponto radicalmente.
O grande tesão em ler a história erótica e todo aquele quê que te faz perceber que o sexo começa muito antes dos "finalmente". Perceber que a cada olhar, seu corpo reage e o quanto é um desperdício não dar atenção a cada sensação que começa na ponta os pés e termina na ponta da língua. Explodindo num orgasmo longo e delicioso. Saber degustar uma boa leitura está muito além de ser um ótimo conhecedor do sexo. Se você não tem a mente aberta para compreender a leitura porque acha idiota ou que sabe de tudo, de nada adianta ler e ficar falando besteira por aí. O preconceito e a soberba são pecados terríveis. Enquanto a luxúria é o menor dos seus problemas.
Adiciono a lista de coisas relevantes a um livro:
- nas passagens sexuais (pornográficas ou eróticas), procure colocar algo particular do personagem. Pode ser uma sensação até mesmo comum, mas melhor explorada, ou alguma novidade. Algo que não seja tão encontrado por aí, como as mulheres que jorram o gozo. Sim, não apenas os homens tem aquele "jato" que querem jorrar aqui e ali. Nos lugares que mais gostam na parceira ou no parceiro, um pouco em cada canto.
- os detalhes são importantes, mas de mais carinho aos detalhes das sensações. Não basta escorrer a lágrima, mas o que ela significa quando escorre ou não.

Até a próxima quarta.
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