quarta-feira, 11 de maio de 2016

FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS [coluna]: TARJA PRETA

Fio Dental, Cigarros e Tragos.
coluna.





Tarja preta.
Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.

Toda vez que escrevo o cabeçalho da coluna me sinto entrando numa sala de bate-papo usando pseudônimos. “Carioca 23”, “novinha 17”, “gatinha 18 diz: oi gatinho, quer tc?”. A gente faz cada coisa quando ninguém está olhando.
Não sou nem um pouco a favor da banalização dos segredos. Acho um tanto saudável mantermos o que fazemos entre quatro paredes, na frente da televisão, na frente do computador para nós mesmos. Se contar, é o mínimo possível. Sem muitos detalhes e sem querem aumentar o tamanho do pau ou inflar o ego, como muitos homens e mulheres fazem.
É da natureza humana dramatizar as coisas. E entendam “dramatizar” como aumentar tudo, pois “drama”, na literatura, é aquele texto escrito para ser encenado. A gente tende a aumentar as dores, principalmente. Fazer o quê? Tem gente que faz questão de nadar na merda já que está ali mesmo. Vive quase um romance. Uma relação de amor e ódio. Quando não fica sentindo pena de si mesmo.
Mas focando mais no assunto de hoje, quero perguntar o que você faz quando não tem ninguém por perto? Quem é você longe dos olhos de quem te conhece só quando o sol brilha e estão todos andando para lá e para cá lá fora? Na calada da noite, quando todos os gatos são pardos, você é o que você deixa que os outros vejam?
Essa tarja preta que colocamos em nós mesmos e nos outros é o que nos faz querer desvendar os mistérios das pessoas pelas quais nos interessamos. Afinal, se soubéssemos de tudo, qual seria a graça de estabelecer relações? Precisamos viver e nos jogar na vida para sentir os diversos sabores que podemos encontrar. Há pessoas com sabor de chocolate, mas com uma pitada e meia de pimenta que faz você virar a cabeça. Mas há quem libere muita pimenta, mas seja um verdadeiro limão. Difícil de lidar. Um saco.
Mas o que me incomoda mesmo é essa nudez incubada e exposição que fazemos das pessoas para desviarmos de nossas próprias imperfeições. Isso vai desde apenas mostrar somente o nu da mulher nos filmes até ficar chamando o cara de gay porque ele não quis te comer ou a mulher de vadia porque ela tem muitos parceiros.
Ficar censurando os outros para quê? Principalmente quando você “entrou para a lista” também. Se vamos ficar nus, fiquemos todos nus. Mostremos tudo sem julgamentos.
Por isso a literatura erótica é tão chocante. Essa auto-censura e censura que fazemos uns aos outros é revelada sem pudores em palavras chulas, baixas. Mostramo-nos como somos: primitivos. A evolução se dá apenas no que diz respeito ao figurino daquilo que se quer ver. Basta mostrarmo-nos como somos e todo mundo surta. Se vai evoluir, evolua de tudo. Entenda que nem todos são iguais, todos temos necessidades, todos transamos e todos vamos para o céu ou inferno. Não importa como você é, o que você é, como você vive. Desde que entenda que há uma linha que divide os limites de ser quem você é e do outro não ser do mesmo jeito.
Quando pararmos de colocar aquela tarja preta em cima das partes íntimas, da boca, dos olhos... vamos para frente. Sem ter medo de entrar pela porta dos fundos de vez em quando.


Até a próxima quarta.
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Um comentário:

  1. Fabuloso Mari! Vamos tirar as tarjas pretas e colocar um toque de canela, qual tal!? Bjs sua fofa Clariceana.

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