quarta-feira, 4 de maio de 2016

[Coluna] Fio Dental, Cigarros e Tragos - Bukoliana



Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.

BUKOLIANA.



A coluna de hoje é especial.

Esta semana é aniversário da Julianna Costa, autora brasileira de Recife, PE, que escreveu “23 noites de prazer”, livro que foi um dos pilares da série de “Fio Dental, Cigarros e Tragos”, cuja autora é essa que vos fala toda quarta. Tive o prazer de conhecer a Ju na última Bienal do Rio e a acompanho sempre através das redes sociais. Posso dizer que, no início, não dava muito por ela. A gente tem preconceitos. Todo mundo tem. O bom é poder superá-los, como eu superei.
A obra da Julianna foi uma das primeiras de literatura erótica que li. Já escrevia contos eróticos há alguns anos, mas nunca tinha parado para ler nada do gênero. Por incrível que pareça. E, “de repente, não mais que de repente”, comecei a perceber que muito do nosso cotidiano sexual diário estava lá.
Eles são gente como a gente.
Quem escreve dentro deste universo não é um depravado – ainda que existam os perturbados de plantão, como o velho Bukowski, -, mas alguém um tanto comum. Com gostos, vontades e fome como eu e você. Feito de carne e osso. Negar-se ao deleite é passar por essa vida padecendo no Paraíso.
Se você parar para reparar, tudo é sexual: desde aquele prédio – mesmo que não seja cilíndrico, mas que seria uma nova sugestão de formato para vibrador – até as formas mais naturais das árvores que crescem ao nosso redor. A própria selvageria é sexual. Vivemos numa intensa selva. Inclusive de pedras e concreto. Repleta de pensamentos ocultos vontades e verdades secretas (cá já estou citando Walcyr).
Mas hoje, Meus amigos, quero dedicar esta coluna à Julianna pelo seu aniversário esta semana (sexta). Mas você deve estar se perguntando: “por que Bukoliana?”.
Um livro passa por vários processos no decorrer de sua escrita. Comigo não seria diferente. A série, que tem início com “Sugar”, nasceu de antigos contos eróticos meus. De uma época em que eu nem fazia ideia do que era sexo ou literatura. E minha sábia mãe me pediu para amadurecer antes de publicar algo do gênero.
O tempo foi passando, eu me formei na faculdade, perdi a virgindade, conheci a camisinha e a pílula anticoncepcional. Os beijos inesquecíveis, os nem tão bons assim. Aqueles que te deixam molhada, aqueles que você sente que o cara está pronto para te rasgar ao meio. Senti dor, senti prazer. Senti prazer na dor. Conheci os BDSM. Entrei para o BDSM. Mergulhei no BDSM. Conheci “50 tons de cinza”. Se arrependimento matasse...
Então fui apresentada a Charles Bukowski e a Julianna Costa. Também a Portia da Costa, Vina Jackson e Megan Maxwell. Além dos perdidos na noite que achamos por aí entre um fuxico e outro.
Nas conversas de bar, nas mudanças, no amadurecimento, na maneira desbocada e realista de ser... Nasceu “Fio Dental, Cigarros e Tragos”. Tendo como referências principais, especialmente, Julianna e Bukowski.
Por que não unir estes dois?
A cada linha de Bukowski, sinto como se eu estivesse escrevendo através de outra pessoa. A identidade com um autor é um forma gostosa de fazer literatura tanto na escrita quanto na leitura. E o que dizer que Julianna? A bela, recata e “do lar” de Recife que me reportou a um sonho antigo que eu tinha com um homem sem rosto? No livro “23 noites de prazer”, a personagem principal tem sonhos com um homem misterioso que a levam a viver grandes aventuras sexuais. Mostrando que não há perigo em ousar e se divertir. Ah, e ninguém precisa ficar sabendo. Pode ser um segredo sujo entre mim e você ou entre você e outra pessoa. Ou pessoas. Cada experiência que se vive, cada troca, cada beijo, cada gota de suor... Te transporta através de sensações e percepções que só mesmo se deixar levar pelo lado primitivo de cada um de nós pode te proporcionar.
São escritores, gente como a gente, como a Julianna, que escreve histórias sobre pessoas comuns, desejos comuns, vontades comuns que nos aproximam da literatura. Que nos fazem amar cada página. Se você não gosta de ler, procure lê-la e tantos outros como ela. Brasileiros, sim! Gente da melhor qualidade. Literatura da melhor forma e qualidade.
Poder ver que não há nada de errado em não estar bem, entender que nem tudo o que você sente é motivo para zen sentir o mais errado dos seres, nem todo pensamento é para ser exposto, nem toda opinião é para ser dada, abrir portas para vozes que se sentem só... Estas são algumas das funções mais nobres e especiais da literatura.
E ler Julianna é mais que 23 noites de prazer.

Ela também é autora de “4 semanas de prazer”, “Sem Vergonha”, “O pescador de sereias” (Wattpad), além de muitos outros contos.
Entrem na página do Facebook e no site para conhecer mais sobre ela.

Até a próxima quarta.

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3 comentários:

  1. Adorei sua coluna, Marianna!!! Continue nos elucidando sobre esse tema ainda cheio de preconceitos!!! Parabéns e sucesso sempre!!! Fátima Lopes.

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  2. Adorei sua coluna, Marianna!!! Continue nos elucidando sobre esse tema ainda cheio de preconceitos!!! Parabéns e sucesso sempre!!! Fátima Lopes.

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