domingo, 29 de maio de 2016

[Súmula de Domingo] Saudades – Ana Cristina


Um dia sentindo saudades de mim, de casa, de família, de filha, de um milhão de coisas que trouxeram ao meu espírito um sentimento de acolhimento, de ninho, de proteção, de infância e desprendimento, neste dia, pus tanto sentimento nas palavras, que elas acabaram se deitando sozinhas na folha solitária de papel. Porque saudade é gostosa de sentir. Porque saudade é aquele doce que guardamos para comer depois, naquela hora em que não tem ninguém olhando, porque queremos comer sozinhos. Porque este momentinho nos dá tanto prazer. Porque saudades são pedacinhos de coisinhas tão bobinhas, às vezes tão insignificantes hoje, que rimos e choramos pela importância dada, por termos sido tão inocentes, por termos sido tão felizes. Posso dizer que saudade é um remédio, um medicamentozinho da alma, como se ela não soubesse viver nem ao menos sobreviver sem este ingrediente tão doce.
O “Sinto Saudades”, mexeu comigo, mexeu com tantas pessoas, mexeu em bauzinhos, remexeu nos seus coraçõezinhos.
Parte da minha felicidade é essa, é saber que alguns se regozijam, assim como eu, com coisinhas tão inhas, que riem à toa, às vezes e depois também, lembrando do episódio.
Hoje eu lhe dou saudades. É o que tenho para hoje, saudades.
Recordemos que ao abrir as janelas das casas, ouvíamos gritos e risadas de crianças disputando o domínio de uma bola de futebol, muitas vezes era uma bola de supermercado, dessas que se vendem em gôndolas abarrotadas de multicoloridas redondas, mas que vinham recheadinhas de felicidades. Recordemos que o Natal era uma data tão importante, como era importante, por ene e vários motivos, os religiosos, os comerciais e o principal deles para uma criança, era o motivo de ganhar presentes, com muitos esses e que Deus nos olhasse lá de cima, mas que o nosso interesse era esse, lá isso era. Recordemos que nas escolas aprendíamos sobre a pátria, sobre nossa casa mãe e a louvávamos e a adorávamos, mas que infelizmente a bandeira foi deslizando no mastro até rastejar-se e nadar em correntezas de lama, devastando cidades inteiras.
Eu tenho saudades.
Às vezes elas doem, pois sei que ficarão apenas nos anais do meu pensamento.
Se você tiver saudades de alguma coisa gostosa, está vendo aquela arvorezinha lá longe, está vendo aquela pedra lá em cima, está vendo aquele gramado, ali naquela curva, está vendo aquele edifício bem alto com vistas para o horizonte? Faça isso, faça qualquer coisa, vá para qualquer lugar, mas vá, vá viver sua lembrança, ela será o alento da sua alma.
Ana@Cristina.
Para descontrair, “ Chega de Saudades”

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