quinta-feira, 23 de junho de 2016

[Diversidade Literária] Ficções de Interlúdio- Heterônimos de Fernando Pessoa- Os Outros Eus- Marivalda Paticcié

 Ficções de Interlúdio 

Heterônimos de Fernando Pessoa- Os Outros Eus



Textos de Reflexão: Texto I

O que Fernando Pessoa escreve pertence a duas categorias de obras, a que podemos chamar ortônimas e heterônimas. Não se poderá dizer que são anônimas e pseudônimas, por que deveras o não são. A obra pseudônima é do autor em sua pessoa, salvo no nome que assina, a heterônima é do autor fora de sua pessoa, é uma das individualidade completa fabricada por ele, como seriam os dizeres de qualquer personagem de qualquer drama seu.
As obras heterônimas de Fernando Pessoa são feitas por, até agora, três nomes de gente (Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos) Estas individualidades devem ser consideradas como distintas da do autor delas. Forma cada uma uma espécie de drama, e todas elas juntas formam outro drama. Alberto Caeiro, que se tem por nascido em 1889 e morto em 1915, escreveu poemas com uma, e determinada, orientação. Teve por discípulos oriundos, como tais, de diversos aspectos dessa orientação, aos outros dois: Ricardo Reis, que se considera nascido em 1887, e que isolou naquela obra, esterilizando o lado intelectual e pagão de Álvaro de Campos, nascido em 1890, que se isolou o lado por assim dizer e emotivo, a que chamou "sensacionalista", e que ligando-o a influências diversas, em que predomina ainda abaixo da de Caeiro, a de Walt Whitman produziu diversas complicações em geral de índole escandalosa e  irritante, sobretudo para Fernando Pessoa, que em todo caso não tem remédio, senão faze-las e publicá-las, por mais que delas discorde. As obras desses três poetas, formam, como se disse, um conjunto dramático e que está devidamente estudada a entreação intelectual das personalidades, assim como as suas próprias relações pessoais. 
Tudo isto constará de biografias a fazer, acompanhadas, quando se publiquem, de horóscopos e, talvez, de fotografias. É um drama em gente, em vez de atos.

"Criei em mim várias personalidades. Crio personalidades constantemente, cada sonho meu é imediatamente, logo ao aparecer sonhado, encarnado numa outra pessoa que passa a sonhá-lo e eu não" (Fernando Pessoa)

(PESSOA, Fenando. Fernando Pessoa  multimédia CD- ROM. Lisboa: Teto Editora -Casa Fernando Pessoa. 1997)
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