quarta-feira, 15 de junho de 2016

[Diversidade Literária] "O Pintor da Vida Moderna" (Charles Baudelaire) - Marivalda Paticcié

III
O artista, homem do mundo, homem das multidões e criança.


Quero falar hoje de um homem singular, originalidade poderosa e tão decidida que se basta a si própria e não busca sequer aprovação de outrem. Enamorado pela multidão e pelo incógnito, C.G. leva a originalidade ás arraias da modéstia. Ainda recentemente, quando soube que eu me propunha fazer uma apreciação de seu espírito e talento, suplicou-me, de uma maneira muito imperiosa, que seu nome fosse suprimido e que só falasse das obras como obras de um anônimo.
G. é velho. Comenta-se que Jean- Jacques começou a escrever aos quarenta e dois anos, foi talvez por essa idade que G, obcecado por todas as imagens que lhe povoavam o cérebro, teve a audácia de espargir tintas e cores sobre uma folha branca, para dizer a verdade ele desenhava como um bárbaro, como uma criança, irritando-se contra a imperícia de seus dedos e a desobediência de seu instrumento.
G. que descobriu sozinho todos os pequenos truques do ofício e , sem receber conselhos, realizou sua própria formação, tornou-se um admirável mestre à sua maneira, conservando da simplicidade inicial apenas o necessário para acrescentar às suas mais faculdades um toque desconcertante.
G., que é, por temperamento, apaixonado por viagens e muito cosmopolita, quando finalmente o conheci, logo vi que não se tratava precisamente de um artista, mas antes de um homem do mundo.

  • cosmopolita: tendência a conviver com outras línguas, outras pessoas.
  • artista: isto é, especialista, homem subordinado à sua palheta como o servo à gleba.
  • homem do mundo: homem do mundo inteiro, homem que compreende o mundo e as razões misteriosas e legítimas de todos os seus costumes.
G. não gosta de ser chamado artista, não teria alguma razão? Ele se interessa pelo mundo inteiro; quer saber, compreender, apreciar tudo o que acontece em nosso esferóide.

  •  G, prefere ser chamado homem do mundo, não é aquele sujeito fechado as coisas do mundo.
  •  Homem do mundo: não é retórico, ou seja, ele á aberto a conhecer o mundo que o cerca.
  • Artista: retórico, fechado ao conhecimento, ao mundo que o cerca.
  • Moderno: curiosidade
Assim, para entrar na compreensão de G., anotem imediatamente o seguinte: a curiosidade pode ser
considerada o ponto de partida de seu gênio.
Imagine-se um artista que estivesse sempre, espiritualmente, em estado de convalescença e se terá a chave do caráter de G.Ora, a convalescença é como uma volta à infância, o convalescente goza no mais alto grau como a criança, da faculdade de se interessar intensamente pelas coisas, mesmo por aquelas que aparentemente se mostram as mais triviais. Mas o gênio é somente a infância redescoberta sem limites; a infância agora dotada, para expressar-se, de órgãos viris e do espírito analítico que lhe permitem ordenar a soma de materiais involuntariamente acumulada,
G., como um eterno convalescente: para completar sua intelecção, considere-o também como um homem-criança, como um homem dominado a cada minuto pelo gênio da infância, ou seja, um gênio para o qual nenhum aspecto da vida é indiferente.

 
  • poeta tem essa semelhança com a criança, desejo de ver, de experimentar as coisas.  
  •  criança: ver + experimentar.
* Esta III parte de O Pintor da Vida Moderna (Charles Baudelaire), ele tem como estudo o artista Contant Guy.
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