segunda-feira, 27 de junho de 2016

[Enflorar literário] Crônica: O QUE APRENDI COM AS BORBOLETAS




Hoje pensando na vida, no que fiz dela e o que ela fez de mim; parei para notar o porquê me sinto tão semelhante às borboletas... E qual o encantamento existe em seu revoar.
Olhei para dentro de mim e me fiz perguntas a fim de encontrar uma razão para minhas escolhas, e identifiquei que realmente somos muito parecidas!
Passei a vida toda rastejando as margens de mim, buscando nas simples folhas secas, um porto... Algo que preenchesse o vazio da solidão e a dor de lentamente buscar caminhos, que não me tiram do chão!
Hoje percebo que o mal não vinha do rastejar; mas sim, do medo que eu permiti me anular durante anos...
Resisti a fortes ventos, chuvas, ao sol escaldante, e prevaleci até o dia que a revolução começou em mim:  A MINHA METAMORFOSE!
Enclausurada queria desesperadamente me libertar... voar... Ir alto! Ter a possibilidade de ir para qualquer lugar... Ganhar o mundo! Nem se quer imaginava o quanto doeria.
E assim voam os meus pensamentos, ao fitar meus olhos em uma borboleta que pousou num canto da  minha parede. Compreendi que nunca busquei de fato ser livre; queria apenas ter asas para encontrar um lugar melhor para chamar de lar!
Lutei e passei  por tantas dores (emocionais e físicas) para conseguir um abrigo... Para exibir minhas cores. Quanta tolice! A borboleta apenas segue seu ciclo. Mesmo após tanto penar, ela docemente aceita viver sua plenitude. Mesmo que por pouco tempo; ainda sim realiza seu show em silêncio e sem aplausos, pois nada vale mais do que asas!
Perceber que ser livre requer de nós o preço da responsabilidade da escolha e também por muitas vezes peso da solidão. Isso me fez ver, que querer ser borboleta mostra o quanto sou corajosa.
Rompendo o meu casulo, fazendo o que tenho que fazer (seguindo o ciclo da vida) apesar do medo existente no “não saber” o que me espera do lado de fora, por dentro vou florescendo, na ânsia de me conhecer e me abrigar.
Por tanto, decido voar! Encarar a solidão que viver na ânsia de que minha dor seja apenas uma sonolenta borboleta; pois voar impetuosamente pelo arco-íris é o meu mais ardente querer.


Mariane Helena
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