quarta-feira, 8 de junho de 2016

FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS [coluna]: A mulher na literatura erótica

FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS.
Coluna.


Por LOPES, Marianna
Carioca, 23.
Escritora.


A mulher na Literatura Erótica

“Não sou malvada. Fui desenhada assim”

- Uma cilada para Roger Rabbit

Jessica Rabbit, do filme “Uma cilada para Roger Rabbit” (gosto muito), disse a frase acima. E eu quero usá-la para introduzir o assunto que vamos tratar hoje. Quantas “meninas malvadas” você conhece? Quer dizer, quantas “meninas malvadas” você REALMENTE conhece? Será que ela não foi simplesmente desenhada por você?
O que Vina Jackson, Portia da Costa, Megan Maxwell, E L James tem em comum? Além de serem mulheres, são escritoras dentro do universo erótico. Como elas, muitas outras, como Julianna Costa e eu, brasileiras, estão inseridas neste tipo de Literatura. Mas existe uma característica que nos une mais forte do que ser simplesmente do sexo oposto ao masculino: todas nós somos ou já fomos putas.
Se a gente não falasse palavrão, não conversasse abertamente sobre sexo, não lesse “essas safadezas” e, principalmente, não escrevesse pornografia ou erotismo seríamos bem vistas. Seríamos levadas a sério, respeitadas.
Em minha primeira coluna, fiz questão de frisar a seguinte coisa: TODO MUNDO TRANSA. Se falássemos mais sobre o assunto, de forma não banal, se procurássemos menos a perfeição, se não ríssemos das virgens, se não forçássemos a barrar... as relações humanas seriam muito mais respeitosas. Seríamos bem resolvidos quanto ao que somos, queremos, fazemos e teríamos, a partir desse assunto, uma visão de que ninguém precisa provar NADA para os outros para “ser aceito”, “ser legal”, “ser alguém que merece respeito”.
Nas histórias que li, escritas por mulheres ou não, foi ótimo perceber que estamos abandonando o velho padrão da loira maravilhosa que dá um chute no ego da "Betty, a feia" e fica como galã. Posso ver pelos pubianos, cabelo sem escova, olhos castanhos, estrias, flacidez. A aproximação do leitor para com este tipo de literatura não se dá, em todas as vezes, pela perfeição dos personagens - que são muito distantes do real. Mas do fato de serem histéricos, lunáticos, psicóticos, maníaco, depressivos - como todo bom ser humano dotado de defeitos, qualidades. Até mesmo o tal dos "50 tons de cinza", que relata a relação perturbadora de Ana e Christian Grey. A grande verdade é que há submissão doentia. Há quem acredite no tipo de amor capaz de mudar até a pior das pessoas. Sendo assim, a leitura torna-se mais proveitosa.
Por incrível que pareça, essa sensibilidade para a visão tanto feminina quanto a tão esperada mudança masculina por amor, não é um padrão de escritoras. Muitos homens escrevem tão bem os sentimentos de uma mulher que fico me perguntando se acaso ele não foi uma mulher em outra vida ou esconde algum lado (não sendo mal interpretada).
Essa evolução dos personagens e da valorização de uma mulher que pode ter vários lados sem ter sua imagem denegrida por valores ultrapassados e deturpados da sociedade deveria sair das páginas e tomar a consciência das pessoas do mundo real.
É sempre bom lembrar que você não é obrigado a ler “essas safadezas”, mas se você, principalmente, faz, não deve ficar por aí apontando o dedo para quem decidiu falar sobre o assunto. Alguns autores/autoras tratam de histórias bem realistas sobre pessoas tão imperfeitas quanto eu e você. A fim, essencialmente, de fazer entender que você não é o único que tem defeitos, anseios, manias. É muito comum ser inseguro, não saber se é a hora certa de transar etc.
E é mais comum ainda ser julgada por ser mulher e gostar do erotismo, do pornô. Não é só o homem que “tem necessidades”. A mulher não é apenas um objeto. O maior problema da sociedade parte do princípio de que julgam a maioria das coisas pelo gênero. Mas se esquecem de que, antes de tudo, somos humanos. Enquanto não tivermos noção de humanidade e dignidade, jamais entenderemos o que é que o outro sente ao ser subestimado à visão do outro. Limitado à opinião.
Desenhar uma mulher ao seu modo não faz dela aquilo que você pensa. E ninguém é responsável por suas expectativas além de você mesmo. Mas confundir realidade com fantasia é uma questão grave, que precisa de tratamento psicológico.
Mandar mensagens, puxar assunto, ter uma abordagem um tanto inapropriada, inconveniente e babaca porque a fulana escreveu “boceta” só deixa claro o quanto a sociedade ainda é atravancada no quesito evolução. Nota zero em harmonia e menos dez em conjunto.

Desenhe o que você quiser desenhar. Tenha a opinião que você quiser ter. Mas jamais chegue a uma conclusão apenas baseada em conceitos feitos a partir de suposições. Achar que azul é mais bonito que amarelo é opinião. Chamar uma mulher de puta porque escreve literatura erótica é preconceito. E é assim que se começa a levar toda a tal da “evolução” para o ralo.

Até a próxima quarta.
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