quinta-feira, 28 de julho de 2016

[Diversidade Literária] Conceito de Literatura (Biblioteca Murilo Mendes- JF) Marivalda Paticcié

Conceito de Literatura

Parte III

O problema, exposto até o momento de modo sumário, entra a complicar-se quando o focalizarmos doutro prisma, ou seja, tendo em vista o meio, o instrumento de que se valem para exprimir as formas de conhecimento. Comecemos por entender que a expressão do conhecimento, ou melhor, a expressão da "imagem" mental que resulta da co-relação entre sujeito e objeto, é sempre um esforço de representação. Noutros termos, quando o sujeito cognoscente apreende o conteúdo do objeto cognoscível e transfere-o para sua consciência, é possível dizer que o ato de conhecer se efetivou, mas incompletamente. Para que o conhecimento seja completo, o sujeito precisa representá-lo, "projetá-lo" fora de sua esfera mental, com isso permitindo que outros sujeitos possam verificar que o conhecimento se deu e usufruir dele sem necessitar recorrer diretamente ao objeto. Pois bem, essas representações ou projeções recebem o nome de signos (ou símbolos), isto é, de sinais indicativos da relação gnoseológica entre o sujeito e o objeto. Ora, os signos podem ser, quanto à forma, palavras e não- palavras (som, volume, movimento, espaço, número, grafismos [triângulos, vetores, etc.]). E quanto à valência, podem ser: univalentes ou unívocos, isto é, contém um só sentido, uma só denotação, um só valor, e polivalentes ou polívocos,, isto é, com vários sentidos, várias denotações e vários valores. Podiam ainda ser divididos em signos denotativos e signos conotativos: os primeiros englobam as palavras contidas nos dicionários, isto é, possuidoras de sentidos precisos e limitados. Assim, o vocábulo "cão" designa uma animal mamífero, de quatro patas, etc. Os signos conotativos são aqueles dotados de sentidos vários, em consequência das implicações e associações decorrentes do contexto em que se inserem. Assim, no conhecido verso drummondiano, "No meio do caminho tinha uma pedra", as palavras "caminho" e "pedra" encerram múltiplo significado, ou conotação.
Desse modo, quanto aos signos, vale dizer, quanto aos instrumentos de expressão empregados, as formas de conhecimento podem ser classificadas como se segue:
Ciências: que empregam signos univalentes, portanto, universais, sejam palavras, sejam grafismos. Assim, os cientistas representam uma "evidência" do seguinte modo: 2+2=4; ou fazem uso de palavras para enunciar um postulado: "O quadrado da hipotenusa é igual a soma dos quadrados dos catetos" ( Teorema de Pitágoras). Observe-se que a "tradução" do teorema para qualquer outra língua não lhe alteraria o conteúdo nem a lógica vocabular em que está expresso (pois admitir uma alteração nesse campo seria admitir uma alteração no conteúdo). 
Filosofias: que procuram usar signos univalentes, isto é, signos de conteúdos universais e únicos, em virtude de sua base racionalista e abstratizante; e, via de regra, empregam palavras.
Religiões: que também procuram empregar signos univalentes, de conteúdos universais e únicos, mas diferem das Filosofias por sua linguagem de caráter metafórico, o que por vezes atenua a univocidade dos signos; empregam palavras e mesmo não-palavras, caso entendamos a liturgia como uma soma de signos.
Artes: que empregam signos polivalentes, quanto ao seu valor, e palavras e não-palavras, quanto à forma. Assim, teríamos que cada arte se caracteriza pelo uso, um tipo de signo, a saber:
som-Música
cor-Pintura
movimento-Coreografia
volume-Escultura
espaço vazio-Arquitetura
palavra-Literatura

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