quinta-feira, 4 de agosto de 2016

[Biografias Reais] A história de Cora Coralina

O QUE SE ESCONDI POR DE TRÁS DAS PEDRAS



“[...] Entre pedras que me esmagavam
Levantei a pedra rude dos meus versos.”
Cora Coralina


Cora coralina era totalmente a frente do seu tempo, escritora de alma e doceira de profissão. Rejeitada mas indomada! Oscilava entre frágil velhinha para vereadora formadora de opinião, mobilizava multidões com seu jeito bravio e renitente. Não precisou de escola para ser dominadora das palavras e percussora da sabedoria da terra.

Ana Lins dos Guimarães Peixoto Bretas, esse era seu nome! Passou a ser Cora Coralina em 1903 quando começou a publicar seus versos no jornal de poemas femininos "A Rosa”. Ficou conhecida muitos anos depois como poetisa e contista após ser elogiada por Carlos Drummond de Andrade. Por isso que a maioria de nós tem na memória a imagem de uma velhinha, e por um grande equivoco imaginamos que ela começou a escrever já idosa.

Cora Coralina nasceu na cidade de Goiás, no dia 20 de agosto de 1889. Doceira de ofício, o exerceu até os últimos dias de sua vida. Mas desde muito jovem Cora já escrevia em secreto! Quando passou a publicar seus textos e viu que ganhou o gosto popular, revelou ser a verdadeira autora o que ninguém acreditou.

Aninha era renegada pela família, pois seu nascimento não trouxe a cura para a doença de sua mãe (como era a cresça da época, o casal que tivesse algum tipo de doença, se tivesse um filho, a doença vinha sobre o filho e o pai ou a mãe estaria curado) saiu da escola no segundo ano para ser alfabetizada por sua mãe, não se casou “na época certa”... Ou seja a ovelha negra da família.

 Em 1911, Fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas, com quem teve seis filhos. Foi convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas é impedida pelo seu marido.

Só lançou seu primeiro livro, em 1965, aos 76 anos, "O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais". Em 1976, é lançado o livro "Meu Livro de Cordel" pela editora Goiana. Mas o interesse do grande público é despertado graças aos elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 1980.

(TRECHO POEMA – MINHA CIDADE)

Eu sou o caule 
dessas trepadeiras sem classe, 
nascidas na frincha das pedras: 
Bravias. 
Renitentes. 
Indomáveis. 
Cortadas. 
Maltratadas. 
Pisadas. 
E renascendo. 

Eu sou a dureza desses morros, 
revestidos, 
enflorados, 
lascados a machado, 
lanhados, lacerados. 
Queimados pelo fogo. 
Pastados. 
Calcinados 
e renascidos. 
Minha vida, 
meus sentidos, 
minha estética, 
todas as virações 
de minha sensibilidade de mulher, 
têm, aqui, suas raízes. 

Eu sou a menina feia 
da ponte da Lapa. 
Eu sou Aninha. 




Mariane Helena.

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