quinta-feira, 25 de agosto de 2016

[Biografias Reais] A história de Cruz e Souza

MINHA ALVA ALMA NEGRA!


“Nada há que me domine e que me vença
Quando a minha alma, mudamente, acorda...
Ela rebenta em flor, ela transborda
Nos alvoroços da emoção imensa.”
Cruz e Sousa

Cruz e Sousa foi com toda certeza o maior poeta de todos os tempos da literatura brasileira. Seus versos ultrapassaram séculos, corações, tendências... Percussor do simbolismo, fincou raiz como sendo um dos únicos escritores eminentes de pura raça negra na literatura do nosso país. Filhos de escravos recebeu da tutela e uma educação refinada de seu ex-senhor, o marechal Guilherme Xavier de Sousa. De que adotou o nome Sousa.

Cruz e Sousa é até hoje, conhecido por sua obsessão pela cor branca. Estudiosos ainda especulam sobre o fato da excessiva citação da cor branca ser uma forma de exacerbar o desejo de “ser branco”. Com certeza, o simples fato de um negro! Totalmente negro! Se tornar um marco numa das fases mais emblemáticas da nossa literatura, vencer todas as portas fechadas, ser um poeta reconhecido pelo brilho de suas palavras, deveria no mínimo detestar ser o que é, e usas versos para dizer como é ruim “ser negro”.

Isso foi um absurdo instalado em meados de 1900, mas até hoje é muito vivo em quaisquer figuras negras em ascensão, a “piadinha”, o “burburinho” de que: com certeza se fosse loira... Se fosse europeu... Estampa mais uma frustrada tentativa de ofuscar talentos ultrapassam a fronteira da cor, do berço, do intelecto.

  Cruz e Sousa, também é acusado de ter-se omitido quanto a questões referentes à condição negra. Mesmo tendo sido filho de escravos e recebido a alcunha de "Cisne Negro", o poeta João da Cruz e Sousa também não conseguiu escapar das acusações de indiferença pela causa abolicionista. A acusação, porém, não procede, pois, apesar de a poesia social não fazer parte do projeto poético do Simbolismo nem de seu projeto particular, o autor, em alguns poemas, retratou metaforicamente a condição do escravo. Cruz e Sousa militou, sim, contra a escravidão. Tanto da forma mais corriqueira, fundando jornais e proferindo palestras por exemplo, participando, curiosamente, da campanha antiescravagista promovida pela sociedade carnavalesca Diabo a quatro, quanto nos seus textos abolicionistas, demonstrando desgosto com a condução do movimento pela família imperial.

Quando Cruz e Sousa diz "brancura", é preciso recorrer aos mais altos significados desta palavra, muito além da cor em si.
Ou seja, A palavra fala por si! Não precisamos reascender discussões, não precisamos organizar argumentos... A história de luta e sobrevivÊncia de João da Cruz e de milhares de outros Silvas... Antonios... Marias... deixa claro que:

”Ninguém nunca calara, o latente verso da alma, que dorme nos braços da cega esperança. (Mariane Helena)”




Mariane Helena


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