quinta-feira, 11 de agosto de 2016

[Biografias Reais] A história de Maria Firmina de Jesus

Mesmo sem poder, Ela pode!




Ah! se pudesse!... mas muda
Sou, por lei, que me impõe Deus!
Essa frase maga encerra,
Resume os afetos meus;
Exprime o gozo dos anjos,
Extremos puros dos céus.

(Maria Firmina dos Reis)



Negra, nordestina, pobre, bastarda, mulher. Tudo isso em um Brasil escravocrata no século XIX. Ainda assim, com os mais louváveis méritos, Maria Firmina dos Reis se estabeleceu como uma das escritoras mais admiráveis de toda a literatura brasileira.

Muito jovem, aos 22 anos, dedicou-se ao magistério, uma das poucas atividades trabalhistas “designadas” às mulheres de sua época. Paralelamente às atividades como professora, Maria Firmina possui participação constante na imprensa local, publicando diversas poesias, crônicas e contos.

Em 1859, aos 34 anos, publica o romance Úrsula, uma de suas obras mais marcantes. Úrsula é tido por diversos historiadores não apenas como o primeiro romance abolicionista brasileiro, mas também como o primeiro romance da literatura afro-brasileira.

Úrsula possui temática forte, uma reivindicação pela primeira vez “interna”, proveniente de uma afro-brasileira indignada com a sua condição de negra e mulher diante a uma sociedade patriarcal e escravocrata. Não apenas como um passatempo literário inocente, conforme os romances dedicados à leitura feminina por muito tempo, Úrsula vai além de uma simples história de amor impossível com final feliz. É em si, incontestavelmente, um grito, uma denúncia aos absurdos impostos pela sociedade ao negro e a mulher no Brasil oitocentista.

Provavelmente ciente das dificuldades que encontraria ao publicar tal obra, Maria Firmina adotou medidas preventivas ao tratar de sua própria obra. Úrsula não foi publicado sob o nome de Maria Firmina dos Reis e sim sob o pseudônimo “Uma Maranhense”.

Já na introdução, a autora afirma que “pouco vale este romance, porque escrito por uma mulher, e mulher brasileira, de educação acanhada e sem o trato e conversação dos homens ilustrados.” Por trás da modéstia da autora, sincera ou não, pode-se observar a subserviência necessária à mulher ao publicar um livro, ou seja, o exercício de uma atividade comum apenas entre homens brancos, ricos e com acesso a educação europeia.

Anos depois, após se aposentar na década de 1880, a escritora ainda fundaria a primeira escola mista e gratuita do Estado. Maria Firmina voltara às salas de aula, mas a escola teve que ser fechada na época por causa do escândalo causado no povoado de Maçaricó, devido ao fato da escola “misturar” meninos e meninas. Sempre lutando pela educação e melhores condições aos negros e as mulheres, ela ainda seria responsável pela composição do Hino da Abolição da Escravatura.




Mariane Helena
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