quarta-feira, 17 de agosto de 2016

[COLUNA: Fio Dental, Cigarros e Tragos]: É pecado entrar pela porta dos fundos





Fio Dental, Cigarros e Tragos
Coluna.

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23
Escritora

É pecado entrar pela porta dos fundos 


"Eu me sentia como um animal. E animais não conhecem o pecado"

É certo de que alguns dos maiores personagens da Literatura são do gênero erótico. Marcaram pela sua irreverência, sua total falta de pudores e a sinceridade pouco encontrada no mundo atual. As pessoas estão tão acostumadas com o que faz mal e com as máscaras que tudo é pecado, ilegal, imoral e/ou engorda. Ser sincero virou sinônimo de grosseria, não saber ouvir "não" virou moda e se meter na vida dos outros é o esporte favorito das pessoas. Apontar o dedo e dizer o que pode e o que não pode no sexo também.
Já assistiram ao filme "qual é o seu número?" com o Chris Evans e a esposa do Chris Pratt? Não? O filme é o ótimo também pela bunda do Chris Evans, mas para nos alertar de como às vezes nós cobramos coisas de nós mesmo só pelo que adquirimos de pessoas com as quais convivemos. Ficamos com vergonha de sermos nós mesmos porque achamos que a vida dos outros é melhor do que a nossa e que é preciso ser/ter aquilo que todo mundo tem/é para sermos felizes.
"Sexo oral é nojento", "Anal não pode", "69 é coisa de adolescente", "Fantasias? Fetiches? Você precisa de um psicólogo". Às vezes penso que o verdadeiro pecado é dar ouvidos aos outros.
A libertação do erotismo e até mesmo o pornográfico pretendem libertar e mostrar o quanto o sexo está interligado a outras questões cruciais da nossa vida. Não estou me referindo ao fato de fazer sexo todo dia, mas saber o que quer e o que não quer com ou sem sexo.
O animalesco e o primitivo fazem parte de nós. Não é pecado ser livre para experimentar e fazer as suas próprias escolhas. Um cu bem comido pode ser o que falta para o seu dia ficar completo. Ficou chocado? Por quê? Viu como as palavras tem poder?
É disso que se trata a literatura erótica, fazer-nos despir esse medo de dizer as palavras que queremos dizer quando queremos dizer e aceitarmos os nossos instintos sacanas e primitivos, que são tão essenciais e parte de nós como qualquer outra coisa.
Não existe pecado em ser humano. O real pecado é se perder de si mesmo. Inúmeros personagens da literatura só descobrem os verdadeiros sabores da vida quando se soltam das amarras, das regras.
Por isso o gênero está tão popular ultimamente e talvez por isso que as pessoas estejam tão assustadas. Essa liberdade faz parte da evolução. A leitura, a identidade, se identificar com as histórias e aprender a interpretar cada uma, inclusive as fantasias, é o "pecado" que faltava pra sairmos daquela vida estagnada e acomodada com o que é confortável, palpável e aceitável.
Talvez começar com Marques de Sade possa ser chocante demais. Que tal ler "Sem vergonha" da Julianna Costa? Ou então entender  a complexidade de certos relacionamentos através de Megan Maxwell. Essa é a proposta principal das obras dela. Aceitarmos as chatices de quem somos, como vivemos e ainda assim nos permitir nos redescobrir, nos reinventar e acreditar que mesmo que tenhamos manias e defeitos, os sabores e os gozos da vida podem e devem nos tornar pessoas melhores a cada dia sem perdermos nossa essência. Desprender-se do comum e se afastar da própria imagem, dar uma olhada pela janela do lado de fora. Assim escreve Christina Laurem com tantos cretinos, playboys irresistíveis. Ou até mesmo as aventuras despudoradas dos personagens de Danilo Barbosa.
O cardápio é extenso. Aprecie sem moderação.

Até a próxima quarta.
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2 comentários:

  1. Caramba estou tão... bom, tão incrivelmente chocada pela escrita perfeita, fiquei prendida do inicio ao fim no texto. Quando comecei a ler livros eróticos me via inumeras vezes ficando corada e olhando para os lados, me perguntava "Só eu que li isso? Como pode escrever isso?" Tinha medo ou vergonha de que me pegassem lendo livros desse gênero, e agora já estou acostumada e tenho que admitir sou ótima em escrever cenas Hot haha e esse gênero é o meu preferido. Acho que algumas pessoas só estão acostumadas a fecharem os olhos para esse gênero.
    Jardim de Palavras

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  2. A gente tende a se ater muito ao pensamento do próximo. Quando a gente aprender que certas coisas são simplesmente humanas e que não temos que interferir na vida do outro, a coisa flui. Sexo, falar sobre sexo, comer, beber, dormir... São coisas naturais. Desde que não imponham a vontade sobre a sua, se cada um tomar conta do seu cada um, todo mundo vive feliz para sempre no final.

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