quarta-feira, 10 de agosto de 2016

[COLUNA: Fio Dental, Cigarros e Tragos]: Literatura Erótica para quê?





FIO DENTAL, CIGARROS E TRAGOS
Coluna.

Por LOPES, Marianna
Carioca, 23
Escritora 

Por que escrever Literatura Erótica


A sociedade arcaica não via com bons olhos a expressão dos sentimentos. Mulheres tinham de se submeter as vontades do marido, obedecer sem questionar e ser temente a Deus. Não podia escrever cartas de amor, ler ou ser poetisa. Profissão? Dona de casa/esposa. O homem tinha necessidades que não compartilhava com a mulher. Ai de quem saísse do eixo. Sofria violência ou ia para o convento - na versão mais romântica da história. Tantas histórias surgiram a partir desta visão machista do mundo que colocaram à prova as verdadeiras intenções e sentimentos das mulheres. Narravam a luta de casais apaixonados para ficarem juntos contra a vontade dos pais e dos valores impostos pelos outros. Uma divorciada não era bem vista, uma filha que não acompanhasse sempre os pais e acatasse a todas as decisões tinha sido mal criada pela. Mas alguns personagens surgiram ao longos dos estilos literários para quebrar, ou tentar, o tabu em relação, principalmente, as mulheres. No que dizia respeito não apenas aos relacionamentos amorosos, mas as questões ligados à cidadania. Mas sem duvidas o erótico foi a grande explosão. Por que escrever num estilo tão chocante? Porque as pessoas não estão mais acostumadas com a verdade. Por conta da intolerância ou até mesmo da criação, as pessoas se calaram ou deixaram para depois questões primordiais humanas. Sexo é tão importante como parte da construção humana quanto qualquer outro assunto. Mas a Literatura Erótica foi uma porta importantíssima para falar às claras sobre não apenas sexo como submissão, obediência, castidade, valores familiares. Quanto mais aberto e chocante é o assunto, mais portas se abrem para discussões além das sexuais. O que antes era Realismo e Naturalismo, agora é despudorado, sexual, explosivo. Não é apenas o suor e o odor, mas o sal da pele, a língua sentindo o sabor. O não costume, a não coragem de falar abertamente sobre determinados assuntos ganhou uma porta-voz, a Literatura Erótica. Encorajadora e escrachada. O pornô, o erótico levantam questões e enredam vontades mais primitivas e deixam claro que você pode ser você e os demais devem te respeitar como é. Estar bem resolvido sexualmente é um dos principais passos para ser um indivíduo ciente de que não se deve julgar os demais por seus gostos, manias. Não gostar de chocolate, mas gostar de azul é questão de gosto. Mas daí a dizer que quem não gosta de chocolate não presta é preconceito. A Literatura Erótica também nos deixou abertos a debater os velhos pré-conceitos sobre ter relações com pessoas do mesmo sexo, coisa que é tão questionada e rotulada. Para que tantas tarjas e/ou rótulos? Usar de sua liberdade de expressão para ser sincero, inclusive consigo, evita uma série de pequenos e grandes problemas. Tantas relações são comprometidas por falta de diálogo, incoerência, inverdades, mentiras, joguinhos. É tão simples admitir, falar sem ser grosseiro. O grande choque do erótico e do pornô está em deixar transparecer tudo aquilo que mascaramos de alguma maneira quando saímos de casa para encarar o mundo do lado de fora.

Até a próxima quarta.
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3 comentários:

  1. Uau! Que texto Maravilhoso!! Estou impressionada! Parabéns, escreve muito bem ❤
    Jardim de Palavras

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir

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