domingo, 21 de agosto de 2016

O fim das Olimpíadas Rio 2016 - Bruno Leal

Tudo que é bom, dura pouco, principalmente as Olimpíadas, que a gente fica esperando quatro anos para acontecerem novamente. Talvez seja por isso que seja algo tão especial. Mas por mim, elas durariam para sempre. Não por causa dos esportes, nem para aumentar o rendimento do Comitê Olímpico nacional e internacional, mas sim pela calma e alegria que se arrastam pelo mundo. A gente "foge" das notícias ruins, de todos os problemas que assombram essa humanidade, e só sobra o espírito esportivo, a união e a alegria. Claro, com alguns acontecimentos lamentáveis, típicos de brasileiro, principalmente se tratando de torcida, como na final do salto com vara, nos comentários feitos contra Fabiana Murer e Joanna Maranhão e tantas outras coisas que nos deixam sem saber o que fazer ou falar.
Mas agora, quero falar das coisas boas, dos pontos altos e de todas as nossas tristezas e alegrias.

Michael Phelps, a lenda se foi. Como foi bom ver ele aqui, em território brasileiro. Muito provavelmente em sua última olimpíada, ele conquistou mais cinco ouros e se despediu das piscinas. Após as provas, a comemoração dele com a família representa tudo o que ele sofreu, tudo o que ele passou, e tudo o que ele representou não só para a natação, mas para o esporte em si. Um dos momentos mais marcantes da Olimpíada foi ele pegando o pequeno Boomer, de apenas dois meses de idade, e tirando a foto com suas medalhas de ouro. E foram várias fotos! Apesar de Boomer não estar entendendo absolutamente nada do que acontecia naquele momento, um dia ele irá entender o que o mundo inteiro sentiu.
Tivemos também Usain Bolt, que ganhou mais três ouros, levou a galera à loucura e conquistou o tricampeonato em tudo o que disputou: 100M rasos, 200M rasos e 4x100M rasos. Ele mandou raio, foi pra galera, fez tudo o que caracteriza a grande lenda chamada Usain Bolt. Como o Brasil sentirá falta desse momento! Outra lenda se despedindo em solo brasileiro... Não é pra qualquer país!
E quem aí gritou junto com uma medalha de ouro no judô? Grande Rafaela Silva! Provando ao mundo do que é capaz, provando aos críticos do que ela é capaz e levando o Brasil ao delírio. Da Cidade de Deus para o mundo, a judoca ganhou a medalha de ouro e o carinho de grande parte dos brasileiros, após uma campanha irrepreensível. Confesso que quase chorei no momento das entrevistas, em que ela disse que tinha acabado de provar para todos que diziam que ela não conseguiria e que ela era uma vergonha para a família dela e para o Brasil.
Acredita que isso seja o suficiente? Pode parar então! Porque tem mais! A torcida brasileira é show! Desde "eu acredito!" para Deandre Jordan conseguir acertar um lance livre na carreira dele, até "ooooo... zika!" para a goleira Hope Solo. Há aqueles que disseram que os gritos de "eu acredito!" nos momentos de apoiar os brasileiros em disputa no momento só dava azar... Não tiro a razão dessas pessoas! mas isso faz parte do espetáculo. E os argentinos invadindo o complexo Olímpico de tênis, a Arena Carioca 1 e fazendo aquela festa com sua seleção de basquetebol e com Juan Martin Delpotro, vice-campeão olímpico de tênis? O que acharam desse momento? E os gritos de "Wh, vai morrer!" nas lutas de boxe? Tenho certeza de que teve muita gente que não gostou. Mas ninguém disse para o ser humano se profissionalizar em boxe e vir para o Brasil, porque a torcida não perdoa.
Destaque para a belíssima organização nas partidas de vôlei, que rolaram no Maracanãzinho. Um show! a FIV (Federação Internacional de Voleibol) fez um ótimo trabalho para atrair o público, que curtiu todas as partidas de vôlei com toda a emoção que tinham direito.
O parque Olímpico esteve lindo, cheio de espetáculos e com a galera curtindo, às vezes nem sabendo o que, mas entrando na festa. Isso também é Olimpíada!

Bom, acho que foi uma boa mistura. Desde os atletas que disputaram, até organização e gritos de torcida. Mas agora vou passar os grandes destaques:

Atletas:


  • Destaque feminino individual: Simone Biles.
  • Destaque masculino individual: Michael Phelps.
  • Destaque feminino coletivo: Seleção norte-americana de basquete.
  • Destaque masculino coletivo: Seleção brasileira de vôlei.
  • Decepção masculino coletivo: seleção brasileira de basquete.
  • Decepção feminino coletivo: seleção brasileira de handebol.
  • Momento eufórico: Ouro de Rafaela Silva.
  • Momento superação: Ouro de Rafaela Silva.
  • Momento mais emocionante da Olimpíada: Argentina 111x107 Brasil, quarta rodada do torneio masculino de basquete, com direito a virada histórica, duas prorrogações e Nocioni com 37 pontos.
  • Momento lamentável: Locht e suas "gracinhas" no Rio de Janeiro.
  • Momento triste: Eliminação do futebol feminino.
  • Momento marcante: Phelps no pódio segurando o filho Boomer para a foto.
  • Momento marcante II: Serginho chorando após o ouro no vôlei.
  • Momento Torcida Brasileira: "oooooo, o campeão voooltou! O campeão voltou! O campeão voltou!" para a seleção brasileira masculina de vôlei.
  • Momento "zoação" da Olimpíada: "ooooooooo... Zika!" nem preciso falar para quem.



Sim, como pudemos ver, tivemos tudo isso e mais um pouco nessa olimpíada tão incrível. Eu discordo dessas perguntinhas como: "foi melhor que a de Londres?" "foi melhor que a da China?" não. Foi a Olimpíada do Rio de Janeiro. Cada uma é única, nunca vão se repetir as mesmas maravilhas nem as mesmas tristezas. Por isso que cada uma fica marcada nos livros esportivos, nos recordes, nos livros de história e na mente dos que viveram e viram, seja pela televisão ou ao vivo, o grande espetáculo que nos foi proporcionado, apesar de toda a desconfiança de terrorismo e infraestrutura. Infelizmente, a estrutura deixou a desejar, mas um grande saldo foi tirado pelo Brasil na alegria, emoção e organização.
Parabéns aos medalhistas, principalmente os brasileiros, que sabemos que não possuem muito apoio por aqui, e parabéns para as lendas do esporte que se despediram e para a torcida brasileira, que fez um grande show.

Nota: 

O Brasil não cumpriu a meta de 24 medalhas estabelecida pelo COB.
Foram 19 medalhas, sendo 7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes. Apesar de boas campanhas em alguns esportes, outros precisam melhorar. Agora é torcer para que o COB invista mais nesses atletas, que o Brasil acompanhe mais e que nossos comandantes levem a sério o esporte.



Bruno Leal, atualmente cursando o segundo ano do Ensino Médio. Apaixonado por esportes, estudos de ciências e história, entre outros temas.
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Siga: @brunoleal_2000.
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2 comentários:

  1. Para quem já praticou esportes, como eu, é sempre emocionante lembrar a vibração da torcida dos jogos. Infelizmente fui tirada das quadras por um problema nos joelhos. Mas sinto muita vontade de voltar a jogar. Acho que precisamos de mais incentivo ao esporte, a cultura, ao que realmente é relevante para a sociedade. A gente só vê roubalheira e outras notícias ruins. Tem dias que parece que o sangue vai escorre das telas de tanta matança, desrespeito. Concordo com vc quando diz que a calmaria deveria ficar. Apesar das coisas que infelizmente ainda fazem parte da cultura mundial (porque isso não é nível de Brasil apenas), o preconceito (não falo das vaias porque isso parece que isso só tem aqui porque já viajei há muitos lugares e não tem isso). Preconceito com as classes, as cores. Um bobagem total porque o que você tem não define o que e quem você é. E isso é algo que o mundo precisa aprender. Que certas questões são humanas e não de cor, gênero, classe social. Mas focando nas coisas nos, parece que o mundo fica mais colorido quando a gente se reúne e faz a festa para torcer, vai aos jogos e parece que eles podem definir o futuro da paz mundial até com os jogos e as medalhas. Ver a emoção de cada atleta com as medalhas. As perdas e as vitórias. Alguns se despediram e deixaram legados que vão ser perpetuados pela galera que está descobrindo a emoção do esporte. Gostei muito do seu texto.
    Parabéns.
    Até Tokio.

    ResponderExcluir
  2. Bruno, gostei como listou os eventos ou melhor o termômetro das emoções e como exaltou o esporte de um modo geral. Sou colunista aqui e por duas vezes demonstrei minha indignação quanto ao evento e seus megalomaníacos gastos. Eu sou brasileira e você o é então somos sabedores das intempéries e barbáries com que tratam o povo , mas devo admitir e ontem o fiz , me curvei mediante o brilho amarelo da vitória. Porque o fiz? Minha reverência foi para o povo e sempre será. Uma delícia o seu texto. Parabéns.

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