quarta-feira, 28 de setembro de 2016

[Biografias Reais] Manuel Bandeira

Apaixonadamente poeta


Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

— Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples!

(Manuel Bandeira)

Manuel Carneiro de Souza Bandeira Filho (Recife, 19 de abril de 1886 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968) foi um poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro.

Considera-se que Bandeira faça parte da geração de 1922 da literatura moderna brasileira, sendo seu poema Os Sapos o abre-alas da Semana de Arte Moderna de 1922. Juntamente com escritores como João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freyre, Clarice Lispector e Joaquim Nabuco, entre outros, representa o melhor da produção literária do estado de Pernambuco.

 Manuel Bandeira é o referencial da poesia Moderna Brasileira, daí sua importância. Uma pessoa que falou em seus versos a linguagem do povo, os temas que a população gostava de ler. É o dia a dia e as preocupações de todos nós que são retratados em seus poemas. Mesmo fazendo parte do Modernismo, Bandeira não perdera a sensibilidade, dando uns toques de leves, românticos, enriquecendo a sua poesia. Ele é o modernista das circunstâncias simples, elementares, em que precisam ser precisas e suficientes, como as matérias indecomponíveis: “Assim eu quereria o meu último poema / Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais” (“O último poema”, Libertinagem). 

Manuel costumava se gabar de um suposto encontro com Machado de Assis, aos dez anos de idade, numa viagem de trem. Dizia ter puxado conversa: "O senhor gosta de Camões?". Na ocasião, Bandeira teria recitado uma oitava de "Os Lusíadas", que Machado de Assis não lembrava. Na velhice, confessou que tinha inventado essa história para impressionar os amigos.

Acometido pela tuberculose, escreveu o poema "Pneumotórax". Trata-se de uma pequena narrativa poética em terceira pessoa que representa uma consulta médica.
Manuel Bandeira teve um tio que foi advogado, professor de Direito e membro da Academia Brasileira de Letras.

Manuel Bandeira se considerava um poeta ruim e um cronista de província. Ele também ficou conhecido por traduzir para o português as obras de Brecht, Shakespeare e Schiller.

A obra do pernambucano Manuel Bandeira é permeada de erotismo. Em seus poemas surgem nomes de mulheres como Tereza ou Esmeralda e um desejo latente por figuras femininas mais genéricas, como as moças dos anúncios do sabonete Araxá. A relação da poesia amorosa com a vida pessoal do autor, no entanto, sempre foi obscura para a maior parte de seus leitores. Nisso, o pernambucano era diferente de Vinícius de Moraes, cujos sonetos – sobre amores que eram infinitos enquanto duravam – foram obviamente inspirados em seus nove casamentos. Ou de Carlos Drummond de Andrade, que depois dos 50 anos produziu poemas eróticos ousadíssimos, inspirados numa amante que o acompanhou até o final da vida.

Bandeira transmitia a imagem de homem solitário, frágil e convalescente de uma tuberculose contraída na juventude. Morreu aos 82 anos sem nunca ter se casado. Só os amigos próximos tomaram conhecimento de sua conturbada vida sentimental. Ela foi recheada de aventuras, o que ajuda a explicar uma poesia tão sensual. Durante uma parte da vida, Bandeira amou três mulheres ao mesmo tempo, embora não vivesse com nenhuma delas: a holandesa Frédy Blank, que era casada, a pernambucana Dulce Pontes, que também escrevia poesia, e a mineira Maria de Lourdes de Souza, filha de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Como Bandeira era elegante e discreto, suas mulheres conviviam de forma harmoniosa.

O Último Poema

Assim eu quereria meu último poema
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.
(Manuel Bandeira)

Manuel Bandeira foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério de São João Batista, no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro.



Mariane Helena.
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