quarta-feira, 30 de novembro de 2016

{Biografias reais] Machado de Assis

O negro tão famoso como um branco!

https://1.bp.blogspot.com/-hYnerzUCLrI/WDh3gUtZAuI/AAAAAAAAAxA/SPRg2fi3t1IVAVob_7Ufy7MRxxMji6SXQCLcB/s320/caixa-machado-de-assis-negro.jpg

"(...) Assim são as páginas da vida,
como dizia meu filho quando fazia versos,
e acrescentava que as páginas vão
passando umas sobre as outras,
esquecidas apenas lidas."
(Machado de Assis)

Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, Carioca, nasceu em meados do século XIX.

Pobre, negro e epilético. Nessas condições, completamente adversas, Machado de Assis, ainda em vida, se tornou um dos mais célebres brasileiros de todos os tempos, tendo sido fundador e o primeiro presidente da então renomada Academia Brasileira de Letras e sendo reconhecido como o maior escritor do país.

Crescendo no Morro do Livramento, o pai de Machado era pintor de paredes e sua mãe lavadeira. Seus avós paternos foram escravos alforriados. Conseguiu iniciar sua carreira literária graças ao “apadrinhamento” de Manuel Antônio de Almeida – autor do célebre “Memórias de um Sargento de Milícias” – quando trabalhava como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional. Fez carreira como funcionário público, em uma época em que a ascensão se dava por indicação direta da família real: em 1867 foi indicado por D. Pedro II como diretor-assistente do Diário Oficial, e pouco depois como assistente de diretor. Em 1888 recebe do Imperador uma condecoração oficial da Ordem da Rosa. Tendo sido indicado a concorrer ao cargo de deputado pelo Partido Liberal, Machado prefere retirar sua candidatura para não comprometer sua carreira.

Com esses pequenos apontamentos biográficos sobre o autor visualizamos qual era sua a posição social: um burocrata do Estado, que ascendeu socialmente de forma surpreendente graças ao seu talento e, também, graças ao apadrinhamento de figuras importantes da classe dominante, constando entre elas ninguém menos do que D. Pedro II, Imperador do Brasil. Esse fato é determinante para a ausência da temática da escravidão e do negro da obra de Machado em sua primeira fase.

Até porque, alguém interessado em galgar degraus de uma posição social humilde rumo à inclusão entre a intelectualidade da classe dominante – ainda mais alguém negro – certamente não era conveniente tocar em um tema tão polêmico. E foi o que Machado fez. Paralelamente, se deu o processo de “embranquecimento” do autor. Hoje mesmo raramente encontramos alguma referência à cor de Machado que não o classifique como “mulato”, termo que deriva da palavra “mula”, designando a mestiçagem, (o próprio, não gostava de ser classificado assim).

 Sua imagem foi tão destorcida ao longo dos anos, que recentemente, estampando um comercial da Caixa Econômica Federal, Machado de Assis foi representado por um Ator branco. Devido a repercussão negativa frente a comunidade Negra, o comercial foi substituído protagonizando agora um ator negro.

Mariane Helena


Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Seguidores

Google+ Followers

Instagram

Parceiro

QG dos Blogueiros

Versos da alma

Anuncie

Anuncie

SnapChat

SnapChat

Facebook

Youtube

Feature Post

Versos da alma

Versos da alma

Google+ Badge

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Follow by Email

Postagem em destaque

[Súmula de domingo] - JOGOS DA MASSA – Ana Cristina

Copyright © Faroeste Literário - entrevistas, cursos, resenhas e muito mais | Powered by Blogger
Design by SimpleWpThemes | Blogger Theme by NewBloggerThemes.com