domingo, 4 de dezembro de 2016

Homenagem ao Escritor Ferreira Gullar

Ferreira Gullar


"Meu corpo de 1,70m que é meu tamanho no mundo 
meu corpo feito de água 
e cinza
que me faz olhar Andrômeda, Sírius, Mercúrio 
e me sentir misturado 
a toda essa massa de hidrogênio e hélio 
que se desintegra e reintegra
sem se saber pra quê"

(Poema sujo - Ferreira Gullar)


Nesse dia singular, data de morte de um dos maiores escritores contemporâneos do país, o FAROESTE, faz aqui uma justa homenagem citando um pouco da vida desse grande imortal de nossa literatura, infelizmente desconhecido de muitos.

Ferreira Gullarpseudônimo de José Ribamar Ferreira , nascido em São Luís em 10 de setembro de 1930, e falecido no Rio de Janeiro, hoje, dia 4 de dezembro de 2016.

Foi um escritorpoetacrítico de artebiógrafo, tradutor, memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do neoconcretismo. Imortal da Academia Brasileira de Letras, sendo postulante da cadeira 37 da , na vaga deixada por Ivan Junqueira, em 2014.

Sobre o pseudônimo, o poeta declarou o seguinte: "Gullar é um dos sobrenomes de minha mãe, o nome dela é Alzira Ribeiro Goulart, e Ferreira é o sobrenome da família, eu então me chamo José Ribamar Ferreira; mas como todo mundo no Maranhão é Ribamar, eu decidi mudar meu nome e fiz isso, usei o Ferreira que é do meu pai e o Gullar que é de minha mãe, só que eu mudei a grafia porque o Gullar de minha mãe é o Goulart francês; é um nome inventado, como a vida é inventada eu inventei o meu nome"

Ferreira Gullar foi militante do Partido Comunista Brasileiro e, exilado pela ditadura militar, viveu na União Soviética, na Argentina e Chile. Ele comentou que bacharelou em subversão em Moscou durante o seu exílio, mas que atualmente devido a uma maior reflexão, experiência de vida, e de observar as coisas irem acontecendo se desiludiu do socialismo e que o socialismo não faz mais sentido pois fracassou. 

(...) toda sociedade é, por definição, conservadora, uma vez que, sem princípios e valores estabelecidos, seria impossível o convívio social. Uma comunidade cujos princípios e normas mudassem a cada dia seria caótica e, por isso mesmo, inviável.
 

— Ferreira Gullar.

Ganhou o concurso de poesia promovido pelo Jornal de Letras com seu poema "O Galo" em 1950. Os prêmios Molière, o Saci e outros prêmios do teatro em 1966 com Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come, que é considerada uma obra prima do teatro moderno brasileiro.

Em 2002, foi indicado por nove professores dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Em 2007, seu livro Resmungos ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de ficção do ano. O livro, editado pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, reúne crônicas de Gullar publicadas no jornal Folha de S. Paulo no ano de 2005. Foi considerado pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

Foi agraciado com o Prêmio Camões em 2010.

Em 15 de outubro de 2010, foi contemplado com o título de Doutor Honoris causa, na Faculdade de Letras da UFRJ.

Em Imperatriz, ganhou em sua homenagem o teatro Ferreira Gullar.

Em 1999 é inaugurada em São Luís a Avenida Ferreira Gullar.

Em 20 de outubro de 2011, ganhou o Prêmio Jabuti com o livro de poesia em Alguma Parte Alguma, que foi considerado "O Livro do Ano" de ficção.


Em 2011, a obra "Poema Sujo" inspirou a vídeo instalação "Há muitas noites na noite", dirigida por Silvio Tendler. Em 2015, o poema inspirou uma série documental, também denominada: "Há muitas noites na noite", com sete episódios com 26 minutos cada, exibida na TV Brasil entre dezembro de 2015 e janeiro de 2016, também dirigida por Silvio Tendler.

Sua grandeza vida e obra são difíceis de traduzir, por tanto usarei um de seus poemas para descrevê-lo e deixar aqui um pouco desse grande mestre: Vida longa, Ferreira Gullar!


TRADUZIR-SE


Uma parte de mim
é todo mundo;
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.



Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.



Uma parte de mim
pesa, pondera;
outra parte
delira.



Uma parte de mim
almoça e janta;
outra parte
se espanta.



Uma parte de mim
é permanente;
outra parte
se sabe de repente.



Uma parte de mim
é só vertigem;
outra parte,
linguagem.



Traduzir-se uma parte
na outra parte
— que é uma questão
de vida ou morte —
será arte?

(Ferreira Gullar)

Mariane Helena.
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