segunda-feira, 5 de junho de 2017

[Resposta 42] Chaves é o reflexo do que pensamos e como vivemos - Bruno Leal


   Série mais do que manjada que todo mundo gosta; não importa a cultura, classe social nem modo de vida, Chaves foi talvez a criação de comédia mais genial da história da televisão mundial. Não há quem não assistiu, não se identifica ou não goste (sério, se você não gosta,
recomendo que procure um terapeuta, porque seu mau-humor deve estar tenso).

Alguns motivos pelos quais gostamos de Chaves:
- falar o que pensa;
- estar a todo momento lutando por uma vida melhor (muito do reflexo mexicano e brasileiro, principalmente; retratado na imagem do Senhor Madruga);
- piadinhas preconceituosas (quem nunca?)
- brigas e acolhimentos entre pessoas que se conhecem, mas que geralmente não se suportam.

Mas eu gostaria de falar sobre o último motivo que citei sobre porque nos identificamos tanto assistindo Chaves.
-  Dona Florinda, mulher que se declara da "alta sociedade" detesta todos os moradores da vila. Seu bode expiatório: Seu Madruga, quem ela julga a mais pura forma da "gentalha".
- Seu Madruga: tem falta de sorte, mas também falta de disposição. "não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar". Seus dois bodes expiatórios: Senhor Barriga (que lhe paga as "má sortes" da vida) e Chaves, (pagando sua revolta ao ser novamente humilhado pela Dona 
Florinda).
- Chiquinha: filha do Seu Madruga, especialista da malandragem. Seus bodes expiatórios: Todos que ela puder atazanar.
- kiko: filho mimado da Dona Florinda que não divide as coisas com os amiguinhos e se aproveita da pobreza da maioria dos moradores. Bode Expiatório: Chaves, o garoto mais pobre da vila.
- Chaves: garoto sem família, sem casa e sem comida. Faz de tudo para sobreviver e ainda tirar sarro dos amigos. Seus bodes expiatórios:
Todos os personagens, mas por um motivo diferente da Chiquinha malandra: ele é o mais oprimido, então devolve a mesma punição a todos que o cercam.

Ele só sonha com um dia poder comer tudo e brincar com a bola do Kiko. "Mas Bruno, por que falou de personagens que já conhecemos? Desnecessário!" calma, agora vocês vão entender. Reparem nos "bodes expiatórios": Ali ninguém escapa. Talvez você diga "a Chiquinha"? Não. Lembra que eu disse que Chaves ataca todos e que Kiko não divide com
os amiguinhos? Essa é a forma de ela ser oprimida. Reparem que na série eles só se juntam quando estão em ocasiões especiais ou vão tramar algo contra um terceiro personagem. Exemplo: Chaves e Kiko VS.Chiquinha ou Chiquinha e Chaves VS.Kiko. Ali, todos buscam uma vida melhor, mas pisam uns nos outros, e a vila e suas vidas continuam as mesmas por dois motivos: Não são ajudados e não se ajudam.
    
Agora, preste atenção no dia a dia: Quantas vezes você não teve vontade de "pisar" em alguém só um pouquinho? Quantas vezes ficou com vontade de fazer aquela piadinha de mau gosto (eu sei que você gosta, não adianta fugir!)? Mas no fim do ano está chamando aquele seu colega insuportável e o seu tio mais sem graça e irritante da família para comemorar natal e ano novo e comer aquela carne assada... Ou mesmo entre amigos: Quantas vezes vocês brigaram em relação ao período em que estavam "de boa"? Pois é... Chaves reflete tudo isso.

 Procuramos pessoas sempre que precisamos de ajuda e companhia e procuramos pessoas sempre que precisamos agredir alguém para se sentir melhor, fazer aquela malandragem esperta do brasileiro e pisar de leve em alguém. Nós só negamos isso e empurramos pra debaixo do tapete, fingindo nosso caráter enquanto na verdade em nossa mente estamos pensando outra coisa. Você diz: "oi, tudo bem?" mas na verdade quer dizer: "me deixe em paz, eu não te suporto, eu estou triste e você não vai me ajudar em nada com esse sorrisinho sem graça". Mas lembre-se: Em algum momento da sua vida, seja qual for, você vai amar essas mesmas pessoas. E amar de maneira sincera.

Para ilustrar, separei dois episódios excelentes:

O "Limpando O Pátio", que o conflito de todos contra todos está evidente durante todo o episódio;
e o "O Ano Novo do Chaves", mostrando a mais improváveis das uniões. Um abraços, fiquem bem. Até a próxima.




Bruno Leal
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