terça-feira, 29 de agosto de 2017

[Diversidade Literária] Romantísmo em Portugal - Parte 1




  1-  Introdução

  Em meados do século XVII, novas transformações começaram a delinear-se na mentalidade do homem na época, que já se mostrava descontente com as formas e os temas explorados no Neoclassicismo. A “imaginação” começa a predominar sobre a “razão”; a sensibilidade espontânea, o entusiasmo, o emocional procuram tomar vulto em detrimento das manifestações contidas, da medida cultivada pelo pensamento iluminista.
   O espírito clássico, a obediência as regras e à razão entram em crise e surge um novo movimento literário, originando na Inglaterra, com destaque para Lord Byron. Logo depois, foi divulgado e através da França alcançou os demais países. Os elementos espirituais: a alma, as paixões, o inconsciente buscam criar uma realidade própria, muitas vezes melancólica, pessimista e angustiada.
 O Romantismo, um movimento cultural muito amplo, é fruto de uma “nova atitude de espírito diante dos problemas da vida e do pensamento, implica numa profunda metamorfose, numa verdadeira revolução histórico-cultural, que abrange a filosofia, as artes, as ciências, as religiões” (…)  (Massaud Moisés)

  2- Origens

  A ascensão da burguesia, europeia é um processo que se inicia com o Mercantilismo, nos séculos XVI e XVII, passando pela Revolução Inglesa, de 1688, pela Independência Americana, de 1776, e atingindo o seu momento culminante na Revolução Francesa de, de 1789. Um novo sentido de vida, baseado na livre iniciativa, exalta a audácia, a competência e a méritos pessoais de cada indivíduo, independente de seus títulos e seus antepassados. A era do Liberalismo está em seu auge e com ela um conjunto notável de mudanças na história do Ocidente.

                     A liberdade de expressão
O primeiro efeito favorável da vitória burguesa para a literatura reside no artigo onze da Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão: “A livre comunicação dos pensamentos e opiniões é um dos direitos mais preciosos do homem;  todo cidadão
pode portanto falar, escrever, imprimir livremente.”

  
                     O novo público leitor
  
Outro efeito importante resulta do esforço da alfabetização empreendido pelos revolucionários.  Todo cidadão precisa ter acesso A difusão do livro à leitura,  até para
 especialmente através do conhecer os romances de folhetim.
(permitiu proclamações que muitos escritores vivessem de novo seus direitos autorais). 
  
Assim irá surgir o caso de Victor Hugo, aqui um novo público caricaturizado como um gigante leitor,  mas da área literária. Diversificado e  numeroso, já em nenhuma identificação com  a arte neoclássica da aristocracia cortesã.
 Este público consome livros de forma intensa  e os escritores, até então, dependentes do mecenatismo, observam que podem sobreviver apenas com a venda de suas obras, agora
transformadas em mercadoria de larga aceitação. 

Assim o Romantismo coincide com a democratização da arte, gerada sobretudo pela Revolução Francesa, tornando-se  a expressão artística da jovem sociedade burguesa.
Victor Hugo afirma que o Romantismo nada mais é que o liberalismo em literatura.
De fato, o movimento mantém uma relação viva e contraditória com a nova realidade.

( Filho da burguesia, mostra-se ambíguo diante dela, ora a exaltando, ora protestando contra seus mecanismos, conforme observaremos aos estudar-lhe as características)
       




  3- Surgimento

Nas últimas décadas d século XVIII, o Romantismo já está mais ou menos anunciado pelas obras de Rosseau, especialmente pela sua teoria do “bom selvagem”, e pelo movimento Sturm und Drang, (Tempestade e Ímpeto) constituído, nos anos de 1770, por jovens alemães, que valorizam o folclórico, o nacional e o popular em oposição ao universalismo clássico. Também a publicação de Os cantos de Ossian, pelo inglês Macpherson, em 1760, torna-se uma referência fundamental para os futuros românticos.
  No entanto, a antecipação mais genial de um novo espírito de época (centrado no exagero da faculdade imaginativa e no transbordamento das paixões) , ocorre em 1774, com a publicação, sob forma epistolar (cartas) , do romance O sofrimento do jovem Werther. Seu autor Goethe, então com apenas vinte e quatro anos, produzirá uma das maiores comoções já ocorridas na história literária.
   O romance de Goethe é imediatamente traduzido para outros idiomas e obtém uma calorosa recepção em especial do público jovem.  A obra desencadeia, como se fosse um tipo de epidemia, incontável onda de suicídios na Europa, sempre causados pela identificação entre os fatos da narrativa e as paixões não correspondidas dos leitores. A questão adquire tamanha dramaticidade, que alguns governos acham por bem proibir a circulação do Werther. Porém o romance já havia se tornado o símbolo dos novos tempos sentimentais e subjetivos.
  
Marivalda Paticcie

Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Seguidores

Google+ Followers

Instagram

Parceiro

QG dos Blogueiros

Anuncie

Anuncie

SnapChat

SnapChat

Facebook

Youtube

Feature Post

Google+ Badge

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Follow by Email

Postagem em destaque

[4ª Poética] Corrigida Anisofila - Jonnata Henrique

Copyright © Faroeste Literário - Para um amanhã com ainda mais histórias | Powered by Blogger
Design by SimpleWpThemes | Blogger Theme by NewBloggerThemes.com