segunda-feira, 16 de abril de 2018

[O futuro da literatura] Geovani Martins


"Aprendi que a palavra não foi feita pra enfeitar, mas pra dizer."
Geovani Martins

O escritor carioca Geovani Martins, de 26 anos, lançou o seu primeiro livro pela Companhia das Letras. Reunindo 13 contos inéditos, O sol na cabeça retrata com um realismo impactante e crueza a vida dos jovens de comunidades do país, sem perder o foco na ação e com um domínio técnico raro. O escritor nasceu em Bangu, morou na Rocinha e vive atualmente no Vidigal. Seus contos se passam no Rio de Janeiro, mas falam de um Brasil que não se vê e que não sabe de si.

O autor conta que durante dois anos escreveu 12 dos 13 contos que estão no livro. “Trabalhava seis horas por dia, de segunda a sexta em uma máquina de escrever que ganhei da minha mãe. Na virada de 2015 para 2016, após reescrever diversas versões, o livro começou finalmente a ganhar forma”, relata. Geovani buscava criar histórias que dessem vida às várias vozes que, apesar de relacionadas a um mesmo universo, são bem diversas e contrastantes. O processo, no entanto, não foi fácil: “Fazer esse livro foi desesperador. Parei de estudar na oitava série e estava desempregado. Era uma mistura de desespero com falta de perspectiva. O sol na cabeça é todo pautado por essa claustrofobia”.

Revelado pela Flup, a Festa Literária das Periferias, o autor relata também a importância da iniciativa para apurar a própria escrita. “Sempre fui um leitor obcecado. Li quatro vezes Memórias póstumas de Brás Cubas para entender o ritmo, a estrutura do texto, a divisão dos parágrafos, mas foi também muito importante ouvir escritores experientes nos debates promovidos para um público que geralmente não tem acesso aos livros.”

A linguagem, quase falada, torna as histórias ainda mais viscerais e se aproxima do realismo sujo de Rubem Fonseca. Antes mesmo de sair no Brasil, o livro já encontrou entusiastas no exterior e teve os direitos adquiridos por nove países. Nos Estados Unidos, será publicado pela prestigiosa editora Farrar, Straus & Giroux e na França pela Gallimard, igualmente reconhecida por sua tradição literária. No Reino Unido, a obra será publicada pela Faber & Faber e, na Itália, pela Mondadori. Na Espanha, sairá pelo tradicional selo literário Alfaguara, enquanto a edição portuguesa foi fechada com a Companhia das Letras de Portugal. Na Holanda, caberá à editora Atlas Contact o lançamento e, na China, à Penguin Random House. Já na Alemanha, a publicação ficou a cargo da editora Suhrkamp, que adquiriu também os direitos do romance recém-iniciado por Geovani e previsto para 2020.

“Geovani Martins tem talento e sensibilidade extraordinários que lhe conferem versatilidade para diferentes tipos de narrativas, desde as mais minimalistas e intimistas, como em ‘O caso da borboleta’ e a perfeita ‘Espiral de ilusão’, até aquelas que podem ser lidas como um roteiro do Tarantino, é o caso de ‘A história do periquito e do macaco’ e ‘Travessia’.”, escreveu o editor alemão Frank Wegner em seu parecer sobre o livro. “Da nova safra de autores brasileiros, ele é o mais interessante que tive a oportunidade de ler em muito, mas muito tempo. Geovani reúne todas as qualidades que se pode esperar: o talento que utiliza para expor a vida no Brasil dos dias de hoje – nas favelas do Rio, mas não só – diante dos nossos olhos de um jeito fascinante, cheio de personalidade e imaginação.”, acrescentou o editor alemão. 

Os elogios no exterior foram unânimes. Para Pilar Reyes e Pilar Álvarez, editoras da Alfaguara Espanha, O sol na cabeça é um livro “emocionante, cheio de vida e altamente sugestivo”. Clara Capitão, da Companhia das Letras em Portugal, afirmou que o autor reúne o ritmo contemporâneo e a agilidade narrativa de Irvine Welsh ao realismo tradicional de Jorge Amado na maneira de contar histórias.

Geovani Martins costuma brincar que é um profeta. Quando enviou um conto para o concurso promovido por uma biblioteca, ele comentou com Erica, sua namorada, que a bicicleta prometida como prêmio seria sua - e foi. Depois, faturou um Kindle. Até que, no ano passado, anunciou aos familiares e amigos que escreveria um livro que, publicado, encantaria críticos e público. Os primeiros já estão boquiabertos com O Sol na Cabeça, seleção de 13 contos que a Companhia das Letras lança neste fim de semana com uma tiragem digna de um promissor campeão de vendas (10 mil exemplares).

O entusiasmo da editora não é exagerado - antes mesmo de chegar às livrarias brasileiras, a obra já foi negociada para oito países (a China fechou contrato no ultimo dia 27). "Tenho certeza que Geovani vai figurar na lista dos grandes lançamentos do ano de diversos países", aposta o editor Luiz Schwarcz, da Companhia. 


Mariane Helena

Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Seguidores

Instagram

Parceiro

QG dos Blogueiros

Facebook

Youtube

Blogs Brasil

Feature Post

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Follow by Email

Postagem em destaque

[Súmula de Domingo] Os Nossos Direitos – Anna Costa

Copyright © Faroeste Literário - Para um amanhã com ainda mais histórias | Powered by Blogger
Design by SimpleWpThemes | Blogger Theme by NewBloggerThemes.com