quinta-feira, 28 de junho de 2018

[Projeto Láquesis] No fim das contas - Davyd Vinicius




                Ao acordar, ele abre os olhos lentamente tentando entender o que estava acontecendo. Quando olha para frente, compreende conhecer o espaço que por algum motivo encontra-se em caos.
                Com o seu corpo totalmente adormecido, ele tenta virar-se para o lado, fazendo com que uma garrafa vazia role, percorrendo alguns metros do espaço vazio e empoeirado.
                A luz vinda da grande janela era a única fonte de esperança que ainda restava, iluminando o velho sofá branco abandonado.
-Blimblom - Toca a campainha. O som ecoa pela sala, mas parece surtir mais efeito na cabeça de Richard.
                Em um movimento lento, ele tenta se levantar, porém seu corpo o relembra do ocorrido nas noites passadas. Em um ato quase impossível, ele finalmente consegue ficar em pé, caminha à passos arrastados até a porta, enquanto a campainha continua a tocar.
Abre a porta.
                Com os olhos cerrados, tenta reconhecer aquela figura que esperava do lado de fora. Com muita dificuldade, consegue reconhecer a silhueta magra de estatura pequena. Eles ficam se encarando por alguns minutos, um tempo que pareceu uma eternidade enquanto ninguém se arriscava a dar a primeira palavra.
-Sr. Richard? - Questionou o senhor magricela.
-Sim. - Respondeu ele com a voz relutante.
-Sou Teodoro, representante do Sr. Louis, o dono do apartamento.
Trago para você uma carta de Louis exigindo a sua saída do imóvel.
-Mas porquê? Não compreendo o motivo.
-Bom, se o Sr. não compreende eu posso lhe explicar. O Sr. está devendo 4 meses de alugueis, além de todas as contas estarem atrasadas.
-Acho que deve estar havendo algum engano, eu estou com os meus alugueis em dia. - Desvia o olhar pensativo. -A não ser o desse mês que está atrasado alguns dias, mas nada que possa ser levado em consideração.
-Peço que me permita entrar para que possamos conversar e entender o que está acontecendo.
Richard dá dois passos para trás, abrindo a porta para que o senhor possa passar.
                Ao entrar, o Sr. para espantado diante da grande sala iluminada.
                Diante dele, o velho sofá que se perdia no amplo cômodo. Mais a frente encostada na parede, uma estante com algumas coisas jogadas.
-As coisas não parecem ir muito bem por aqui, não é Sr. Richard? - Questiona ele ao percorrer os olhos pelo espaço com algumas garrafas vazias pelo chão.
-Realmente, eu não ando em um bom momento. Minha esposa acabou indo embora na semana passada. Nós estávamos em uma relação complicada e as coisas se agravaram ainda mais depois que eu fui demitido do meu emprego. - Responde ele enquanto fechava a porta. -Mas sente-se Sr. Teodoro, creio que possamos resolver esse mal entendido.
-Aqui está a carta do Sr. Louis, creio que se o Sr. ler poderá compreender melhor. - Estende a mão entregando a carta para Richard.
-Me permita ir até o Toalet enquanto o Sr. lê.
-Claro, fique a vontade. Segunda porta à esquerda no corredor. - Diz abrindo a carta.
                Teodoro passa por Richard e se direciona para o corredor até chegar diante da porta fechada. Coloca a mão na maçaneta e antes de abrir ele observa Richard de costas na sala atento ao papel.
                Ao entrar, um banheiro amplo, aparentemente sujo e com um cheiro um pouco forte. Do seu lado direito, uma belíssima pia e um enorme espelho que cobria boa parte da parede, e mais à frente uma banheira coberta por uma cortina.
                Teodoro percebe que a banheira está cheia devido ao barulho de um pingo que caía na água de segundo em segundo e que de imediato começou a incomodá-lo.
                Na intenção de cessar o barulho, ele decide apertar o registro do chuveiro. Ao abrir lentamente a cortina, sem esperar, se depara com o corpo de uma mulher submersa.
                Com um grande susto e em um ato quase involuntário, ele decide sair dali.
                Ao voltar-se para a saída, ele encontra Richard parado na porta.
-Meu Deus Sr. Richard, o que aconteceu com ela? - Diz com o rosto perplexo.
-Você realmente não me pegou em um bom momento Sr. Teodoro. Minha esposa me deixou, mas infelizmente eu não consegui deixar dela. - Diz enquanto adentra em passos lentos. Levanta um dos braços e aponta uma arma para o velho. -Mas parece que agora já é tarde demais, já não conseguirei pagar o aluguel. - Ele atira, acertando a cabeça de Teodoro.
                A parede se enche de sangue. O corpo cai e o peso daquela vida se torna ainda mais pesada de se sustentar.
                Ecoa outro tiro. O azulejo branco é preenchido com ainda mais sangue, enquanto outro corpo cai.



Davyd Vinicius
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