domingo, 24 de junho de 2018

[Súmula de Domingo] Uma Dor Eterna – Ana Cristina da Costa




Evoluímos em tantos aspectos, nos deixamos envolver pelas máquinas, pelo brilho do metal, pelos panos macios das “roupas de marca”, pelas horas solitárias, sem gente por perto, nos deleitamos com o mundo aos olhos e aos cliques.

Evoluímos, falamos muitas línguas numa só rede, estamos em todos os cantos, nos espalhamos e esparramamos nossas preferências por aí.

Jamais pensaríamos que em poucos anos, poucos mesmo, nos entregaríamos a tudo aquilo que nos assustou por gerações, o domínio das máquinas, sim somos dominados até pela ganância de outrem em possuir os maravilhosos aparelhos, pelo seu valor monetário, por sua velocidade de comunicação, por sua capacidade em conferir status. Por conta desta vontade em querer tais coisas é que vem o impulso, emerge o animal morador, habitante em todos nós. Despertado pela irracionalidade ele avança e quer, e querendo, fere, mata, ceifa vidas alheias por coisas alheias.

Evoluímos, talvez, e em que sentido, agredimos e nos deleitamos em cavernas com o sangue das presas?

Talvez a caverna ainda tenha o mito, talvez os pensamentos e os pensadores tenham analisado outros animais não o humano para tantas conjecturas intelectuais, os fatos não coadunam.

Ainda somos animais e não nos demos conta disso, precisamos de domínio, adestramento, biscoitos de ossinhos e correntes nos pés, necessitamos viver em montanhas de livros, salas de aula, num mundo sem máquinas, sem casa, sem roupas, sem carros ou bicicletas, precisamos de um mundo sem humanos, só assim poderá o Deus fazedor de todas as coisas, recomeçar.

Ao contrário de tudo isso, se, continuamos aqui neste que ainda não se adaptou com vidas, se ainda teremos que caminhar neste mundo, pois é único que temos, então trabalharemos para mudar alguma coisa, leis que sejam comportamentos talvez, mas façamos alguma coisa a fim de dirimir as dores da perda.

Muitos se vão de maneiras tão incomensuravelmente inexplicáveis, por motivos tão indefinivelmente banais, eles se vão e nós ficamos aqui tentando juntar os caquinhos soltos pelo chão.

A dor não passa, lateja.
In memoriam dos que deixaram este mundo!
Condolências aos familiares!
Por: Ana Cristina da Costa
Imagem extraída do Google
Hoje sem indicação de filme, indico reflexão.
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