quarta-feira, 15 de agosto de 2018

[4ª Poética] Meia noite na ponte - Guilherme Paes




MEIA NOITE NA PONTE

A Véia Macabéa aparece quando é meia noite de noite de lua cheia e céu riscado
Na ponte da Água Branca, de vestido branco sujo e rasgado
Assusta o desavisado perguntando pelo filho sumido.
Pergunte na vila, peça que alguém lhe conte
Da Véia Macabéa da ponte
Do vestido branco sujo e rasgado que pergunta pelo filho sumido
Quando é meia-noite de noite de lua cheia e céu riscado.
Vão lhe dizer que é sabido por todo o povo da ilha
Que o filho duma tal Macabéa que vivia ali pros lados da Serraria
Sumiu um dia quando pegava pitu ali embaixo no rio
Macabéa revirou cada pedra do leito do rio
Achou pitu mas não achou o fio
Procurou dias, anos a fio
Definhou, virou lama no fundo do rio.
Quando a Véia Macabéa aparece na ponte à meia noite de noite de céu riscado e de lua cheia
E encontra algum menino atravessando a ponte
A Véia Macabéa de vestido branco sujo e rasgado corre pela areia da praia do rio e
grita:
Fio! Fio! Lhe procurei ontem o dia todo e agora já é outro dia
Vamos correndo pra vila pegar a canoa pra Serraria!

GUILHERME PAES

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