domingo, 9 de dezembro de 2018

[Súmula de Domingo] O Som Nosso de Cada Dia – Ana Cristina da Costa



Quando eu vou ao cinema e ouço a música de abertura, minh'alma entra em festa, é porque aquele som faz parte da minha vida, ele está guardado no arquivo do cérebro como um som que transmite felicidade.  As pessoas antes de mim já o ouviam e as que virão continuarão identificando os inícios cinematográficos. Identificarão os momentos de perigo, os de amor, os tensos e os hilários, porque o cinema tem o som com uma de suas linguagens.
O mundo é basicamente sonoro se temos a habilidade de ouvir. Crescemos com os barulhos, com os sons que as coisas fazem e por conta disso fomos treinados a distingui-los.
Agora saindo da sala Vip do cinema, quem nunca ouviu em sua rua o chamado do carrinho de picolé? E o do jornaleiro gritando – “olha he o correio.” Tá, o jornaleiro é do meu tempo e este grito era peculiar de Brasília em áureos tempos em que o jornal era luxo, hoje, o jornal impresso não faz sucesso, tudo é on line, claro que os seres tradicionais preferem abrir aquelas páginas enormes e degustarem das notícias, sentados em suas poltronas confortáveis.  
E que tal falarmos igualmente da buzina do quebra-queixo? Muita gente corre para comprar essa iguaria urbana, são adultos que abrem os arquivos cerebrais e sorriem antes mesmo de mastigarem a goma açucarada salpicada de lascas de coco.  Agora tem uma coisa que você não sabe, nós conhecemos aqui um no meu bairro um carrinho que anuncia um produto e pela música já corremos para o portão,  a vinheta é tão repetitiva que nem precisa dizer o que se vende, chamamos o moço e compramos, é a pamonha. Longe, na ponta da rua, ouvimos o refrão, “eu vou morar no céu...”  “- quer de doce ou de sal?”
Temos à nossa disposição um leque de opções passando à nossa porta, o cardápio fica a critério da sua necessidade e ou do seu gosto e prazer, mas cada um deles tem uma identidade, sua estratégia de marketing a fim de nos encantar e o melhor de tudo isso é que somos de fato encantados por este apelo musical e facilitador, pois quem não gosta de mordomia?
Que explicação encontramos para cedermos aos encantos apelativos em nossas portas? Que magia é essa?
Eu sei o que acontece, é que um poucochinho das coisas saem de suas lojas e por aí vão encantando a gente, alguns cantando de fato de porta em porta, de rua em rua, ano após ano. Podemos dizer que estes fazem parte do patrimônio da cidade e creio para cada uma delas deste imenso território chamado Brasil, há uma música adequada ao sotaque e ao gosto da população.
Qual produto você tem à sua porta? Eu tenho alguns e em dias específicos, então o carro do ovo passa aos sábados e domingos, o dos produtos de limpeza também aos finais de semana, o das verduras passa todos os dias, o dos panos de prato também na semana, o das plantinhas e o do sorvete...
Como uma relíquia, os bordões ganham terreno no cérebro dos pequenos que os levarão à eternidade. As crianças vão aprendendo a distinguir os barulhos e por conta deles é que o nosso dinheiro ganha outro destino.
Uma excelente semana a você e não esqueça, observe os barulhos lá de fora, identifique-os e veja se não tenho razão, um abraço.
Por: Ana Cristina da Costa.
Imagem extraída do Google.
De Porta em Porta, um filme bastante motivador.






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