domingo, 30 de dezembro de 2018

[Súmula de Domingo] Uma Jornada – Ana Cristina da Costa


A xícara deitou a porcelana no mármore frio, um fio de café escorria por cima da moça de lacinho vermelho. Já era manhãzinha e o sol nem dava sinais de aparecer é que a chuva não dava tréguas. Até os bichos que ouvindo um ruído na cozinha logo se assanhavam pedindo comida, ressonavam em suas camas quentinhas.

O café foi passado com esmero no saco já escuro de tinta e repousa na caneca onde em seu interior abriga a marca d’água da fervedura.

A moça acordou, despertou para o dia especial, era hora de checar a mala, a fim de ver ser não faltava nada ou até mesmo se haviam coisas em demasia. A bolsa a tira colo, acondicionava os pertences mais importantes, dentre eles, a passagem, esta descrevia tudo o que o motorista precisava saber.

A hora da saída da casa trouxe um friozinho na barriga fazendo par com os pés frios, a pressão baixara, tudo normal, sintomas recorrentes da ansiedade.

No local do embarque as pessoas chegavam com suas malas e seus saquinhos de supermercado recheados de guloseimas ou até mesmo eles faziam as vezes das malas, já que a distância entre as cidades era muito curta. Uma fila logo se formara em frente ao guichê e a moça de posse de todas as inseguranças, aguardava o ônibus que a levaria ao destino incerto.

O aspecto sujo do local, o desleixo e descompromisso com as pessoas pagadoras da passagens, deu o que pensar naquele momento ímpar.

O ônibus estacionou, as malas foram colocadas uma a uma no compartimento ganhando ares de acomodação, bem como seus selinhos identificadores.

A moça não sabia, mas a viagem transcorreria tranquila, era a sua primeira sozinha, nada sabia do lugar, nem tampouco das pessoas, a única certeza era de um compromisso, um encontro marcado após 40 anos.

A moça da poltrona ao lado lhe ofereceu o ombro e os ouvidos, trocaram palavras, histórias e promessas de um encontro futuro, mais um para que ela pusesse à pauta.

Demorou um bom tempo para que as arestas fossem aparadas, entre idas e vindas, conversas telefônicas, mensagens e fotos, finalmente os olhos dos dois estariam juntos, um olhando o outro seria a fusão de 40 anos em poucos segundos.

O que esperar? Só o destino o arquiteto de todas as vidas poderá responder. Algumas pessoas não concordam com a atitude da moça, ela é um tanto quanto ousada, mas precisava cumprir o seu caminho, dar pontos ao histórico, mesmo que um desses seja um ponto final.

Estamos no ano velho, daqui a dois dias ele não existirá, mas há muitas histórias sendo contadas e dois dias são muitas horas.

As vidas estão no entrelaço, pode ser que nunca mais venham a se separar ou nem mesmo que se esbarrem, quem sabe?

Neste final de ano, desejo a todos os leitores, uma jornada além das promessas, “que tudo se realize no ano em que vai nascer”. Um forte abraço e Feliz Ano Novo.

Por: Ana Cristina da Costa

Imagem extraída do Google
Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Seguidores

Instagram

Parceiro

QG dos Blogueiros

Facebook

Youtube

Blogs Brasil

Feature Post

Contact Us

Nome

E-mail *

Mensagem *

Follow by Email

Copyright © Faroeste Literário - Para um amanhã com ainda mais histórias | Powered by Blogger
Design by SimpleWpThemes | Blogger Theme by NewBloggerThemes.com