domingo, 26 de junho de 2016

[Súmula de Domingo] QUERO UM HERÓI, SÓ UM. UM ONI. – Ana Cristina.


Um herói, só um já nos bastava.
Ele tem que ser gigante, mas tão gigante que eu não o veja, ele tem que ser onipresente, tanto, que eu sinta sua proteção todas as vezes que tiver que sair por aí, à noite, à tarde, sozinha ou acompanhada e não sinta medo de nada, ele tem que ser onipotente, tanto, que eu não temerei a ninguém, pois terei a sua presença, a sua força e a sua sabedoria.
Eu necessito deste herói porque o meu país está enfermo. Ele sofre de inanição. Mas do que vamos alimentá-lo? Do que você acha que ele precisa, de qual alimento urgente?
Eu digo que necessitamos de Educação. Essa palavra tão dita, tão divulgada e vulgarmente impressa, tem em seu significado, um teor tão abrangente, tão sensorial, que se parássemos para analisa-la, poderíamos dizer que ela se encaixa na categoria de herói.
Educação. Ao despertarmos do sossegado abrigo maternal e amniótico, somos inseridos neste ambiente inóspito, imundo. Ficamos à mercê de anti-heróis. Então quase que por instinto soltamos o nosso primeiro brado de guerra, choramos. Choramos porque somos atacados logo em seguida do nascimento, a casa organizada e perfeita do ambiente anterior ficou para traz como uma longínqua lembrança, quase um sonho.
Sofremos a falta da educação assim que nascemos. Mas como assim?
A educação como disse é tão abrangente, que ela casa com organização, disciplina, planejamento, respeito e principalmente as boas maneiras, ah! Mas essas já nos foram retiradas da grade escolar há muito tempo, práticas domésticas para quê? Moral e Civismo, também não são necessários, afinal o nosso governo, não é militar, então morrem-se todos os símbolos, hinos e datas comemorativas referentes às fardas. Amor à pátria? Quem sabe cantar o Hino Nacional? Mas voltemos ao hospital, assim que nascemos, somos postos de cabeça para baixo, não? Levamos uma palmadinha, não? Ficamos ali nus, expostos, alvos de olhos famintos e está frio, muito frio, também não? Somos alvo de cliques e beijos e gracejos e sacode daqui e dali e depois vamos à rua onde os carros buzinam e freiam e gritam suas músicas e soltam fumaça e gritam com o outro e o carro sacode porque temos buracos no asfalto e buzinas e mais buzinas por que têm pressa, porque há carros em demasia nas ruas que não foram alargadas, porque não há dinheiros nos cofres públicos, não? De onde saem os que são enfiados nas cuecas e castelos? Já sei. Já sei onde está o dinheiro das coisas que não foram construídas, o dinheiro que deveria pagar médicos e segurança ao cidadão em todas as instancias, ele está no feijão indo para o arroz e se ninguém o frear ele pode parar no ar que respiramos.
Em casa tem brigas, batidas de portas, na escola há bullying, guerra de papel em sala de aula na presença da professora, tem muro pichado, sujeira no chão, festival de meninas dançando até o chão, tem briga fora do portão, que portão? Tem pessoas assistindo e filmando e rindo, se divertindo, por que duas meninas “saíram na mão”, isso é legal, e vai virar notícia nas redes sociais. Rede social! Já parou para pensar sobre o significado da expressão? Não? Acho que entrei em mundo errado ou não? Mas calma espere um pouco, onde está o nosso herói? O que irá colocar as coisas no lugar? Que trará um pouco de dignidade às pessoas e entendimento das palavras e expressões? Onde está o nosso herói Oni?
Ana@Cristina.



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