terça-feira, 2 de janeiro de 2018

[2ª Estante] (Biografias Reais - 02/02/17) Mario de Andrade

O Papa do modernismo Escrevo sem pensar, tudo o que o meu inconsciente grita. Penso depois: não só para corrigir, mas para justificar o que escrevi. Mário de Andrade Mario Raul Moraes de Andrade (São Paulo, 9 de outubro de 1893 — São Paulo, 25 de fevereiro de 1945) foi um poeta, escritor, crítico literário, musicólogo, folclorista, ensaísta brasileiro. Ele foi um dos pioneiros da poesia moderna brasileira com a publicação de seu livro "Pauliceia Desvairada" em 1922. Andrade exerceu uma grande influência na literatura moderna brasileira e, como ensaísta e estudioso—foi um pioneiro do campo da etnomusicologia—sua influência transcendeu as fronteiras do Brasil. Mário de Andrade, afinal, foi por décadas uma figura central da cultura brasileira – e seu nome ecoa até hoje. O papa do modernismo morreu com 51 anos. Você pega as fotos dele e vê uma pessoa arrasada, um homem velho depois de ser demitido do Departamento de Cultura de São Paulo, em 1938, com o Estado Novo, Mário entra em um período de depressão. Enquanto esteve à frente do órgão, viu-se perto de concretizar seu credo modernista de uma arte social que servisse a interesses coletivos do país. A reforma proposta por ele visava criar canais entre cultura erudita e popular, nacional e estrangeira, fundar uma arte para estabelecer vínculos comunitários. Com a demissão – acompanhada de acusações de corrupção -, Mário muda-se para o Rio, onde entrega-se à bebida e fica afastado de amigos queridos que moravam na cidade, como Carlos Drummond de Andrade e Manuel Bandeira. Nomeado por Gustavo Capanema, passa a ocupar cargos menores no Ministério da Educação e Cultura – incompatíveis com quem já tivera uma centralidade na vida cultural do país. Mesmo assim, ele ajudou a fundar as bases do que hoje é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). E sua visão de conservação do patrimônio cultural é usada até hoje. A suposta homossexualidade de Mário de Andrade sempre intimidou candidatos a biógrafo. Os amigos do escritor jogaram um véu sobre o tema – e, mesmo quando Manuel Bandeira publicou sua correspondência com o amigo, muita coisa foi rasurada. Moacir Werneck de Castro foi o primeiro a falar do assunto, em 1989, no livro “Mário de Andrade – Exílio no Rio”, não sem causar polêmica. Eduardo Jardim não se esquivou da questão, mas não cita casos amorosos do modernista. E mostra que definir o autor de “Macunaíma” (1928) como gay não serve para rotulá-lo. A vivência do erotismo marca vários de seus contos e poemas, afinal. Os conflitos de sua vida sexual são só uma parte das tensões que marcam a obra do modernista – e a tornam interessante, diz o biógrafo. Seu pensamento estético funda-se numa oposição entre o lirismo e a inteligência; entre o elemento nacionalista e o universal; a cultura letrada e a popular; o instinto e a razão; e, no fim da vida, entre o artista e seu compromisso político. Mariane Helena
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