quarta-feira, 4 de abril de 2018

[4ª Poética] Subentendido - Guilherme Paes



SUBENTENDIDO


Com uma caneta de prata
Desenho argênteos versos;
Pela noite disperso-os
E como prisma a lua os refrata.

Incidem sobre os que se perdem
Na noite, a procura de si mesmos,
Mas encontram somente abismos
De certo e errado, de mau e bem.

Com uma caneta de ouro
Deito versos desidratados
Em papel-maca; tomam soro
Os pobres coitados.

Sem caneta nenhuma
Os versos apenas visualizo:
Se espalhando como bruma
Sobre o inconsciente coletivo.

Esses últimos me são tão caros!
Creio desde o fundo de minha existência,
Que encontram seus pares
E destinatários em suas residências.

A razão dessa singela crença
É na verdade bastante banal;
Há coisas que ligam todo mortal
Como uma rede: alma, coração, cabeça.

Nessa conexão espiritual-cardíaca-neural
Tudo está subentendido e nada precisa ser dito,
Escrito, expressado. O tempo nos serve e é infinito
E somos todos o mesmo poema animal.

GUILHERME PAES



























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