domingo, 20 de maio de 2018

[Súmula de Domingo] A Saga das Pedrinhas - Ana Cristina da Costa

  (in memorian) 2010-19/05/2018
Ela era tão pequenina, cabia deitadinha, na palma da mão. Não tinha nem dois meses.
Chegou assustada, machucada na costa pelo irmãozinho, uma mordida que deixou um buraco profundo. Ajeitamos uma caixa de sapatos com paninho e um bichinho de pelúcia, uma graça.
A casa onde moramos tem um terreno grande, entre a casa da frente e a dos fundos, tem um quintal extenso com uma piscina também grande, assim que passou o período de latência, pois fomos seu pai e mãe, colocando leite em sua boquinha por meio de colher e seringa, neste período ela passou dentro do guarda-roupa, nós a colocamos nos fundos protegida por caixotes e madeiras atravessando o portal da entrada da casa dos fundos, protegendo-a da piscina.
Aos poucos à medida que ia crescendo os obstáculos foram removidos. As tentativas de travessia tornaram-se motivos de graça, havia todo um mundo a ser descoberto, e uma caixa enorme com água o que para ela constituía novidade! Eu a chamava para atravessar o quintal e de longe só o pontinho preto tentando se desvencilhar das amarras do medo.
Aos poucos foi ganhando confiança em si mesma e no novo mundo. Os primeiros passos, até a beirada da piscina e voltar. - Ufa! Amanhã nova tentativa!
Um dia ela conseguiu, foi uma festa, todos nós aplaudimos e demos viva ao feito, foi um marco.
Ela cresceu, namorou, teve seus próprios filhotes, mas ela não nasceu para ser mãe, não sustentou esse cargo por muito tempo, com apenas 15 dias decidiu não mais amamentá-los, assim como sua mãe o fez consigo e seus irmãos. Ela nasceu para a liberdade, para a vida boa, afinal uma cadela que foi criada dentro do armário e teve a seus pés a atenção de toda a família só para ela não poderia se igualar a qualquer cadela, não poderia ser igual, tinha que ser diferente.
De vez em quando ela entra em casa sobe no sofá, se deita e o toma todo o espaço só para ela, não está nem aí.
Bem eu estou aqui para falar de uma peculiaridade da Krioula, este é o seu nome, não sabemos ao certo como nomeá-la, nem mesmo se é uma coisa normal ou não, mas o que é mesmo normal, não é mesmo? Pois bem, no quintal há uma parte de terra com uma boa quantidade de pedras, muitas delas com suas formas e tamanhos, redondas, ovais, quadradas, pequenas, grandes, miudinhas, para todos os gostos. Gostos? Afinal quem é que come pedra? Ela. A Krioula. Pega não uma mais duas, três delas de uma só vez na boca e brinca com elas soltando-as, jogando para cima, mastigando e às vezes engolindo, hoje uma dessas entrou no cano de saída de água da chuva, como é uma descida, não houve jeito em retirá-la, ela cavou choramingou, deitou à espera de sua pedrinha de estimação, pediu a ajuda da família e nada, lá se foi a sua pedrinha, quem sabe amanhã ela consegue outra, ou outras três, o jeito foi distraí-la com outras tantas, entender o que?
Escrito em 2010, sobre a Krioula.
Por: Ana Cristina da Costa
Foto da família
Indicação de filme: A Incrível Jornada http://www.adorocinema.com/filmes/filme-29748/


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