sexta-feira, 22 de junho de 2018

[Biografias Reais] Ruth Guimarães



Ruth Guimarães e todo o seu revoar literário






"...e as palavras que outrora caminhavam pela superfície plana do papel 
voaram junto de Ruth, porém não foram embora;
Ao olharmos para o límpido céu podemos vê-las 
voando e se entrelaçando junto aos pássaros agora.
Toda a doçura do seu ser que antes resplandecia no seu rosto
 agora podemos ver nas flores dos nossos caminhos;
E os sonhos de Ruth paira sobre nós delicadamente como um orvalho 
na Bocaina que agora chora a saudade dos seus versos lindos."
Peter Lote




Nascida em Cachoeira Paulista-SP, em 13 de junho de 1920, Ruth Botelho Guimarães, além de poeta, romancista, contista, cronista, jornalista e teatróloga, notabilizou-se como tradutora e pesquisadora da literatura oral no Brasil.1 Além disso, lecionou Língua Portuguesa por mais de 30 anos em escolas da rede pública de São Paulo. Ainda menina, revelou-se poeta e, aos dez anos de idade, já publicava seus primeiros versos nos jornais A Região e A Notícia, ambos de circulação local. Aos dezoito anos, mudou-se para a capital paulista a fim de prosseguir seus estudos na USP, onde concluiu os cursos de Filosofia e, mais tarde, de Letras Clássicas. Cursou também Folclore e Estética. 



Como jornalista, colaborou na imprensa paulista e carioca, mantendo também por vários anos uma seção permanente de literatura nas páginas da Revista do Globo, de Porto Alegre, em que resenhava livros, mantinha um concurso de contos, e onde publicou seus primeiros textos literários e traduções. Escreveu, também, crônicas e críticas literárias nas páginas de Correio Paulistano, A Gazeta, Diário de São Paulo, Folha de Manhã e Folha de São Paulo.



É como romancista que Guimarães consegue projeção nacional. Em 1946, publica Água Funda, obra aplaudida por Antônio Cândido e Nelson Werneck Sodré. Nas palavras de Oswaldo de Camargo,



Com o romance Água funda, Ruth Guimarães oferece uma intensa e deliciosa viagem pelo universo caipira da fazenda Olhos D'água, localizada em uma cidadezinha do interior mineiro, aos pés da Serra da Mantiqueira. O mundo de atmosfera mágica por onde desfilam senhores e sinhás, contadores de casos, ou causos, e no qual a superstição e o sobrenatural muitas vezes orientam a vida cotidiana. (apresentação da autora durante debate no Museu Afro Brasil, em 2007).



Pode-se dizer que Ruth Guimarães foi uma das primeiras escritoras negras a ocupar espaço nacional no cenário da literatura brasileira. Estudiosa da cultura popular, principalmente do folclore, e autora de diversas obras que valorizam essa vertente da nossa cultura, Ruth teve como mestre ninguém menos que Mário de Andrade. Segundo a escritora e pesquisadora, Mário foi o grande responsável por apresentá-la melhor ao folclore brasileiro. Entre suas dezenas de publicações, destacam-se, além de Água Funda, Calidoscópio - A saga de Pedro Malazarte, Lendas e Fábulas do Brasil, Contos de Cidadezinha e o ensaio Os filhos do Medo. Traduziu Balzac, Dostoievski, Daudet e Apuleio, além de ser autora de um importante dicionário da Mitologia Grega.



Em 2007, Ruth concedeu um depoimento para o seminário “Encontro de Gerações”, promovido pelo Museu Afro Brasil, falando de sua obra e criação.


Em 18 de setembro de 2008, a escritora foi empossada na Academia Paulista de Letras, sendo eleita imortal em 5 de junho do mesmo ano, com 30 dos 34 votos válidos. Às vésperas de completar 89 anos, foi convidada pelo prefeito Fabiano Vieira para assumir a pasta da Cultura, na sua cidade natal. Após aceitar a proposta, afirmou que estava ansiosa para trabalhar de forma efetiva pela sua cidade. Ruth Guimarães também integrou importantes entidades culturais, como o Centro de Pesquisas Folclóricas Mário de Andrade e a Sociedade Paulista de Escritores.

Com a saúde debilitada, faleceu, aos 93 anos, em 21 de maio de 2014.

Fonte: LetrasUFMG


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