domingo, 30 de setembro de 2018

[Súmula de Domingo] O Poderoso Zeca Roots – Ana Cristina da Costa


           O domingo é considerado para muitos um dia de descanso e este culmina com passeios em parques, clubes, casa de amigos e parentes e ou permanecer em casa de papo para o ar já lhes confere as baterias recarregadas. Ao menos para mim descanso é descanso e louvando o seu peso e significado é que fujo de estresse e confusões, mas quando se convive em lugares onde para algumas pessoas o real sentido lhes foi ocultado, fica quase impossível acontecer.

         Aqui vai algumas histórias que me chegaram aos ouvidos sobre conviver em sociedade, sobre como entender o outro.

         Talvez você ache graça de tudo ou repense suas atitudes, eu me deleito com o impensável.

         Pensem num cabra calmo e poderoso, este é o Zeca. Ele tem o poder de incomodar uma vizinhança inteira, inclusive por conta de sua força sobrenatural, foi ameaçado de morte por duas vezes! E pasmem por alguém que deveria honrar sua farda de bombeiro, salvador de vidas, um profissional que salva gatinhos dos galhos mais altos das árvores, que recebe treinamento intensivo de como salvar em circunstâncias diversas, age como um troglodita, é o avesso da coisa. O seu juramento deveria perpetuar-se mesmo quando sua vestimenta de super-herói se banhasse em águas límpidas na máquina de lavar.

        Então o sujeito morador da rua, vai à casa do Zeca e tomado desta força cavernosa, falando em nome de todos do grupo, montado no Whatzapp, relata que todos querem a morte do Zeca.

        O Zeca e seu poder perturbador incomoda o sono desta criatura que chega em casa pela manhã, sua hora de descanso, mas não a do Zeca.

        Pois bem, nesta rua localizada às margens da via principal do bairro cujo vizinho de frente é um exímio comerciante, mantendo seu negócio ativo 24horas do dia e de todos os dias, sabem, pois, o fluxo de motos que entram e saem é intenso e estas, meus senhores, buzinam, sem exceção, elas buzinam. Mas o incomodador é o Zeca, o sujeito passivo e dominador.

       Mas à frente em uma casa qualquer há uma criança que chora, senão o dia todo em boa parte dele. O lamento é sentido pelos ouvidos dos que não a conhecem nem sequer a viram, para tanto pensam mil e uma histórias a respeito, enfim todo mundo no mundo sabe como é um choro de criança, nem incomoda!

       Fora as buzinas das motocicletas e o choro intermitente da criança, há também os farristas, aquele que guardam suas frustações da semana e descarregam no fim de semana e nele extravasam através de músicas cornais no mais alto decibéis. Logicamente à medida em que o álcool vai fazendo o seu papel no cérebro do indivíduo, o volume atinge o ápice. Os meros trabalhadores assíduos, levantadores das 05:00hs, suportam, porque a pedra incomodadora, o Zeca, dorme o sono dos justos.

       Agora vem o melhor de todos os relatos. Brutalmente incomodado com o dispendioso vizinho desorientado, um outro, não satisfeito com os exagerados festejos, desprovido de coragem em enfrenta-lo, solta sem a menor cerimônia rojões, um após o outro. De um lado o som alto e do outro o estrondo do artifício.

       E assim a noite desencantada, avança. Chega a madrugada e o sono, mas o desassossego na rua, não permite a quietude. Dormem os moradores da rua onde mora um Shitzu: o Zeca! O cabra, que incomoda com o seu fino latido quase senil, o grande ameaçador do silêncio perturbador de um lugar onde as pessoas perderam o senso de comunidade e ou sociedade, a gota do oceano.

      Tenham todos um início de semana bem tranquilo, sem o Zeca, porque este dorme em tapete macio absorvendo toda essa bagunça.

Por: Ana Cristina da Costa
Imagem do arquivo pessoal
Indicação de filme: Animais fantástico e onde habitam
https://br.hbomax.tv/movie/TTL607760/Animais-Fant%C3%A1sticos-E-Onde-Habitam
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